Acidentes com botijões de gás: saiba o que fazer e o que não fazer para prevenir situações de risco

Cuidados envolvem desde a aquisição do produto até a utilização no dia a dia envolvendo localização e manuseio

Eduardo Rocha

O botijão de gás de cozinha é um item fundamental em qualquer cozinha, mas requer cuidados imprescindíveis para que acidentes sejam evitados. Por isso, é fundamental prestar atenção a quem lida com esse tipo de situação de risco, no caso o perito em Incêndios do Corpo de Bombeiros Militar do Pará, major Ismael Souza. Isso para que não ocorra casos semelhantes a um incêndio verificado em uma casa de madeira que pegou fogo no município de Salinópolis, no nordeste do Pará, na última segunda-feira (27). Informações que circulam nas redes sociais dão conta de que as chamas teriam começado em um botijão de gás.

O acidente mais comum envolvendo botijão de gás, como explica o major Ismael, são as queimaduras. Para evitar acidentes com esse item, deve-se primeiramente conhecer o equipamento que se está manuseando. Na hora de comprar o botijão, deve-se fazer somente em locais credenciados, que têm os vasilhame armazenados corretamente. Esses produtos de distribuidoras autorizadas têm prazo de validade e passam por ensaio hidrostático, para verificar, a cada cinco anos, se reúnem condições para novo engarrafamento e o recipiente mantém a estanqueidade (vedação).

Outra dica de segurança é verificar a validade da mangueira e do registro (relógio). Esses equipamentos têm validade de uso por cinco anos, ou seja, cinco anos desde a sua fabricação e não apenas os anos de sua utilização. Essas informações estão acessíveis no próprio corpo do material. Existe um tipo de mangueira amarelada na construção civil muito parecida com a de GLP. Mas, esse tipo de mangueira não serve para gás. A de gás já vem com a indicação de uso exclusivo para GLP.

Também requer atenção o processo de instalação do botijão de gás de cozinha. Esse produto tem uma borrachinha que faz a vedação completa quando se utiliza a força normal das mãos no registro. Então, não é necessário forçar, atarraxar um pouco mais, de bater com martelo para tentar deixar bem vedado.

image Lael Almeida: cuidados com o botijão no dia a dia (Foto: Thhiago Gomes / O Liberal)

Checagem

Para se verificar se o botijão foi instalado corretamente, deve-se utilizar espuma, e não com água e sabão. Usa-se a espuma e se sair bolha é indicativo de que o equipamento não está completamente vedado. Não se deve vedar com sabão em barra, até porque a percepção do gás é olfativa (pelo cheiro), e o sabão acaba inibindo o cheiro do produto, sem que se perceba um eventual caso de vazamento.

Para saber se está ocorrendo algum vazamento, deve-se considerar que o GLP é uma composição de gases. Nessa composição, tem um gás adicionado que é o enxofre, com um cheiro muito característico, cheiro forte, e de longe perceptível. "Se a pessoa verificar que o botijão não tem nenhuma chama, ela pode se aproximar, desligar o registro e se não souber tirar as conexões, pode ligar para a empresa que vendeu o vasilhame para ela. Agora, se perceber que tem vazamento e chama, vai se afastar do ambiente e ligar para o número 193, para acionar uma guarnição do Corpo de Bombeiros para atuar no local", destaca o major Ismael. Não é recomendável que a pessoa tente apagar o fogo.

Sobre explosões, o major Ismael observa que na prática isso não acontece com relação a botijões de gás, que passam por rigoroso teste de estanqueidade e têm uma válvula metálica com um coeficiente de dilatação menor que o vasilhame. Isso significa que quando ela está submetida a alta pressão decorrente de incêndios, essa válvula vai derreter, aliviando a pressão interna. Então, fica impossível o GLP de porte 13 (o comum) explodir, tanto que o botijão é encontrado em locais de incêndio.

No caso de chamas em um botijão de gás, pode se tratar da saída do gás (vazamento) - se há fogo e uma pessoa retira o registro abruptamente, isso ocasiona a expansão muito rápida dos gases, e, com a chama, há um fogo alto e dá o aspecto de explosão. No caso, explosão do gás, mas não do recipiente.

Outro fator de prevenção a acidentes é ter cuidado da mangueira do botijão, ou seja, não cruzar esse item por trás do fogão para ligá-la a uma saída à esquerda ou à direita. Isso porque com o uso do forno, a parte traseira do fogão esquenta e o calor passa para a mangueira, que ressecará até provocar vazamento de gás. Podem ser utilizadas mangueiras metálicas. Não se deve colocar o fogão embutido em um local ou cômodo, para facilitar a verificação de vazamento de gás, nem se virar o botijão de lado para durar mais, porque a mistura do GLP é concebida para uso em forma cilíndrica.

Cuidados

Lael Almeida Júnior e Raimundo Souza Alves são proprietários do restaurante Açaí, Espeto & Cia, no bairro do Marco. Lael conta que no estabelecimento são consumidos oito botijões de gás mensalmente. "Nós tomamos cuidado, a fim de prevenir acidentes. Primeiro, compramos somente de revendedores autorizados, verificamos o estado do botijão, trocamos a mangueira e o relógio a cada cinco, seis meses de uso", conta Lael.

No estabelecimento, funcionam dois fogões industriais com os respectivos botijões de gás e em locais arejados, como diz Lael. "Só troca o botijão, quem sabe trocar. A gente pensa sempre em cuidar da nossa vida, dos trabalhadores do restaurante e dos nossos clientes. Em qualquer lugar, temos todos de ter atenção com o botijão de gás", finaliza Lael Almeida.

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