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Venezuela: governo e oposição têm primeiro encontro rumo a transição política

Apenas fotógrafos foram autorizados a entrar no Centro de Convenções da instalação militar de La Carlota para o início das conversas

Estadão Conteúdo

O governo interino da Venezuela e delegados da oposição tiveram, nesta quinta-feira (6), um primeiro encontro em Caracas para um diálogo apoiado pelos Estados Unidos. O processo, que muitos esperam resultar em eleições e transição política, ocorre sete meses após a prisão de um ex-ditador e na ausência da líder da oposição María Corina Machado.

Apenas fotógrafos foram autorizados no início das conversas, realizadas no Centro de Convenções de La Carlota. As partes se comprometeram com "princípios de respeito à soberania nacional", "negociação de boa-fé", "proteção dos direitos humanos" e "políticos de todas as forças", conforme declaração conjunta.

Em suas redes sociais, os delegados também afirmaram buscar uma "solução política, pacífica, democrática e constitucional". As delegações definiram a metodologia, rodadas de trabalho e agenda de discussões, com encontros previstos até o dia 12.

Liderança do Diálogo

A mesa de negociações foi liderada por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, e por Dinorah Figuera, líder da bancada opositora que conquistou maioria legislativa em 2015. Aquele resultado não foi reconhecido por Nicolás Maduro.

Apoio dos Estados Unidos

Washington celebrou o início do diálogo, com o Departamento de Estado afirmando que "essas conversas diretas representam uma oportunidade única". O texto lembra que o objetivo do governo de Donald Trump para a Venezuela se desenvolve em três fases: estabilização, recuperação econômica e reconciliação política.

Ao chegar à Venezuela, vinda do exílio na Espanha, Dinorah Figuera disse que o processo busca promover mudanças no Tribunal Supremo de Justiça e no Conselho Nacional Eleitoral. A líder opositora também visa garantir a recuperação dos direitos civis e políticos dos venezuelanos.

Expectativas e Cobranças

O diálogo desperta expectativa entre integrantes da oposição e familiares de presos políticos. O dirigente Juan Pablo Guanipa, aliado de María Corina, destacou no X a presença de um "garantidor" para assegurar o cumprimento da palavra do chavismo.

Guanipa expressou a esperança de que a Venezuela consiga a libertação de TODOS os presos políticos, novos poderes públicos e um cronograma eleitoral. Ele também proclamou María Corina "como candidata" à Presidência.

Divergências e Protestos

Observadores afirmam que Washington veta o retorno de María Corina à Venezuela, informação que o governo dos EUA nega. Já Trump elogiou o trabalho de Delcy Rodríguez e sugeriu a Venezuela como o 51º estado americano.

Por outro lado, setores da esquerda venezuelana criticam a guinada do governo chavista após 25 anos de discursos anti-imperialistas. Militantes gritaram "Nem colônia, nem tutela, a pátria não se entrega!" e "Gringo, go home!" em protestos recentes.

Um grupo de familiares de presos políticos pediu a Dinorah a libertação de seus parentes. A irmã de um militar preso apelou à líder opositora: "Os presos políticos não são moeda de troca. Pedimos a libertação imediata de todos os presos políticos".

Mayra Morales, de 40 anos, e dezenas de outras pessoas mantêm há 60 dias uma vigília perto da embaixada dos Estados Unidos em Caracas. Eles exigem que o encarregado de negócios dos Estados Unidos, John Barrett, interceda pela libertação de seus familiares, mas ainda não foram recebidos.

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