Trump diz ter ‘boa relação’ com Brasil e aponta avanço da direita na América Latina
Presidente dos EUA não cita Lula e afirma ter ajudado a eleger líderes como Javier Milei; declaração ocorre após período de tensão entre Washington e Brasília
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (2) que mantém uma “boa relação” com o Brasil e destacou uma mudança política na América Latina em direção à direita. Trump não citou nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem especificou a que aspecto da relação bilateral se referia.
“Eles passaram da esquerda para a direita. Estão todos indo para a direita. Temos uma boa relação com o Brasil, uma boa relação, na verdade, com praticamente todos eles agora”, disse Trump. Segundo o presidente americano, os países da região passaram a demonstrar mais respeito pelos Estados Unidos.
A declaração ocorreu durante uma conversa com jornalistas na Casa Branca. Questionado sobre a presença militar americana na América do Sul, Trump desviou do tema e passou a comentar a relação dos Estados Unidos com governos latino-americanos e o apoio que afirma ter dado a candidatos em eleições da região.
A fala ocorre após meses de tensão entre Brasil e Estados Unidos, marcados pela imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros e pela revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington.
Nas últimas semanas, porém, houve sinais de distensão entre os dois países. Um telefonema entre Lula e Trump abriu caminho para a retomada das negociações comerciais. O presidente americano também se reuniu com empresários brasileiros, entre eles André Esteves, do BTG Pactual, e Joesley Batista, da JBS.
Ao comentar a situação política da Colômbia, Trump afirmou ter apoiado o atual presidente do país, Abelardo de la Espriella, durante a campanha. Segundo o republicano, o candidato não era apontado como favorito, mas acabou eleito e, na avaliação dele, “está fazendo um ótimo trabalho”.
“Eu apoiei um sujeito. Gosto do nome dele, ‘El Tigre’”, disse Trump, em referência a De la Espriella. “Acho que isso significa que ele é um cara durão. Mas agora ele é o presidente da Colômbia. Não se esperava que ele vencesse. Não era o favorito, mas acabou vencendo. E está fazendo um ótimo trabalho".
Eleição na Argentina
Trump também mencionou a Argentina e afirmou ter contribuído para a eleição de Javier Milei. “Temos várias pessoas, Argentina, muitas pessoas que eu ajudei a eleger”, declarou.
Na sequência, o presidente americano voltou a destacar o avanço da direita na região. “Essa parte do nosso hemisfério está realmente se tornando muito diferente do que era. Eles passaram da esquerda para a direita. Estão todos indo para a direita”, afirmou.
Trump disse ainda que os Estados Unidos mantêm uma relação de cooperação com os países sul-americanos. “Estamos indo muito bem na América do Sul, na América Latina. Estamos indo muito bem”, afirmou. “Toda essa região está se abrindo. Há uma grande cooperação entre o nosso país e toda a América do Sul.”
Trump condiciona encontro com Putin a acordo de paz
Na mesma conversa com jornalistas, Trump afirmou que não pretende se encontrar novamente com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, antes que o líder russo esteja disposto a avançar em um acordo de paz com a Ucrânia.
Na véspera, o Kremlin informou que estava sendo negociada, com participação da China, uma cúpula entre Trump, Putin e o presidente chinês, Xi Jinping. O encontro poderia ocorrer durante a reunião da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), prevista para novembro, na China. Seria a primeira reunião entre os três líderes.
Desde que voltou à Casa Branca, Trump recebeu Putin uma vez nos Estados Unidos e teve dois encontros com Xi. O presidente chinês também tem visita de Estado marcada para Washington em 24 de setembro.
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