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MUNDO

Reino Unido e mais onze países registram infecção por hepatite infantil de causa desconhecida

Não há casos confirmados da doença no Brasil

Luciana Carvalho

26 de abril de 2022 às 14:53

( Foto: Jose Pantoja/ Ascom Sespa Arquivo )

Os casos de hepatite aguda em crianças, detectados em doze países, principalmente na Europa, geraram perguntas e também medo de uma nova epidemia da doença. No entanto, a origem dessa grave inflamação do fígado, segue desconhecida. As informações são do portal UOL.

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A infecção começou no Reino Unido, que conta com o maior número de casos (114). Em seguida, foram revelados casos na Espanha (13); na Dinamarca (6); na Irlanda (5); na Holanda (4); na Itália (4); na França (2); na Noruega (2); na Romênia (1) e na Bélgica (1), segundo dados Organização Mundial de Saúde (OMS). Fora da Europa, Israel (12 casos) e Estados Unidos (ao menos 9) se juntam à lista. Não há casos confirmados da doença no Brasil.

Levantamento

Um novo levantamento divulgado nesta terça-feira (26) pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças estimou em 190 o número total de diagnósticos no mundo. As crianças afetadas têm entre mês de vida a 16 anos, mas a maioria é menor de 10 anos e muitos são menores de cinco anos. Nenhuma tinha outra doença. Ocorreu uma morte.

"As investigações prosseguem nos países onde há casos. Até agora, a causa atual da hepatite é desconhecida", segundo o Centro Europeu de Prevenção e de Controle de Doenças (ECDC). No momento, uma causa infecciosa parece o mais provável, mas não foi estabelecido nenhum vínculo comum com alimento contaminado ou tóxico que pudesse ser identificado.

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Mas "a crescente alta do número de crianças afetadas por uma súbita hepatite é incomum e preocupante" indicou ao Science Media Center britânico Zania Stamakati, do centro de pesquisa sobre o fígado e sobre o aparelho gastrointestinal da universidade de Birmingham. Entre as possíveis pistas, o adenovírus foi detectado em ao menos 74 crianças, dos quais 18 eram o chamado "tipo 41".

Hepatite e Covid-19

Vários países, entre eles a Irlanda e a Holanda, informaram sobre uma crescente circulação desses adenovírus. Porém, seu papel no desenvolvimento das misteriosas hepatites não está claro. A possibilidade de uma relação com a covid-19 figura também entre as hipóteses. A covid-19 foi detectado em 20 das crianças. E outros 19 mostraram uma coinfecção de covid e de adenovírus.

Entretanto, "se essa hepatite estiver sendo causada pelo covid-19, seria muito surpreendente que não foram muito mais numerosas dada a forte circulação do Sars-CoV-2", destaca Graham Cooke, especialista de doenças infecciosas do Imperial College de Londres, ao Science Media Center.

O que é hepatite?

Conforme a OMS, a hepatite é uma inflamação que atinge o fígado causada por uma variedade de vírus infecciosos (hepatite viral) e agentes não infecciosos. A infecção pode levar a uma série de problemas de saúde, que podem ser fatais. Existem cinco cepas do vírus da hepatite: A, B, C, D e E.

Embora todas causem doença hepática, existem modos de transmissão, gravidade, distribuição geográfica e métodos preventivos diversos entre si. Os vírus B e C, diz a OMS, causam doenças crônicas em milhões de pessoas e, juntos, são a principal causa de cirrose hepática, câncer de fígado e mortes relacionadas à hepatite viral. Estima-se que 354 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com hepatite B ou C. A maioria não acessa testes e tratamentos.

Quais são os sintomas?

De acordo com a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA, na sigla em inglês), os sintomas mais comuns da doença são:

  • Urina escura;
  • Fezes brancas ou acinzentadas;
  • Comichão na pele;
  • Olhos e pele amarelados (icterícia);
  • Dores musculares e nas articulações;
  • Cansaço;
  • Perda de apetite;
  • Dores de barriga.

O quadro das crianças europeias é de infecção aguda. Muitos apresentam icterícia, que, por vezes, é precedida por sintomas gastrointestinais, principalmente em pequenos até 10 anos.

Como os países têm respondido aos casos?

Conforme a OMS, medidas clínicas e de saúde pública foram adotadas no Reino Unido, a fim de coordenar a identificação de casos e de investigar a etiologia da doença. As autoridades estudam o histórico de exposição dos pacientes, aplicam testes toxicológicos e virológicos/microbiológicos. Na Irlanda e na Espanha, as medidas também foram aplicadas

Como prevenir?

Mesmo sem causa identificada, a diretora de Infecções Clínicas e Emergentes da UKHSA, Meera Chand deu, em nota, algumas orientações aos pais e responsáveis. "Medidas convencionais de higiene, como boa lavagem das mãos e higiene respiratória, ajudam a reduzir a propagação de muitas das infecções que estamos investigando." Ela também pediu para que fiquem atentos a sinais de hepatite e contatem profissionais de saúde.

Quais foram as orientações da OMS?

Segundo a OMS, como há tendência crescente de casos desde o mês passado no Reino Unido, é provável que ocorram mais confirmações antes que a etiologia (causa) seja identificada. A organização encorajou países a identificarem, investigarem e notificarem casos potenciais. Com base nas informações obtidas até agora, a organização recomendou não restringir viagens a países com casos confirmados. Mas destacou que está monitorando o cenário. (Com agências internacionais).

(Luciana Carvalho, estagiária, sob supervisão de Keila Ferreira, Coordenadora do Núcleo de Política.)