Gabinete ministerial da Rússia renuncia para Putin mexer na Constituição

No poder como presidente ou premiê desde 1999, Putin deveria sair em 2024

Reuters

O primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, anunciou nesta quarta-feira (15) que o gabinete ministerial liderado por ele estava renunciando para dar ao presidente Vladimir Putin espaço para realizar as mudanças que deseja fazer na Constituição.

Medvedev fez o anúncio na TV estatal ao lado de Putin, que lhe agradeceu pelo trabalho prestado.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, propôs nesta quarta-feira uma votação nacional sobre mudanças constitucionais abrangentes que transfeririam poderes da presidência ao Parlamento e ao primeiro-ministro, uma medida que poderia lhe permitir continuar no comando do país depois de deixar o Kremlin.

No poder como presidente ou premiê desde 1999, Putin, de 67 anos, deve sair em 2024, quando seu quarto mandato presidencial termina.

Ele ainda não disse o que planeja fazer ao final deste período, mas pela Constituição atual, que proíbe que qualquer pessoa cumpra mais de dois mandatos presidenciais sucessivos, Putin está impedido de voltar a concorrer de imediato.

Putin disse à elite política do país na quarta-feira, por ocasião de seu discurso anual do Estado da Nação, que é a favor de uma mudança da Constituição para dar à Duma, a câmara baixa do Parlamento, o poder de escolher o premiê e outros cargos.

"É claro que existem mudanças muito sérias no sistema político", disse ele, acrescentando que acredita que o Legislativo e a sociedade civil estão prontos para as mudanças.

"Isso aumentaria o papel e o significado do Parlamento do país... dos partidos parlamentares, e a independência e responsabilidade do primeiro-ministro".

Os comentários de Putin provavelmente ressuscitarão especulações sobre seus planos para depois de 2024.

Críticos o acusam há tempos de tramar para continuar em algum posto no qual exerça poder sobre a maior nação do mundo depois que deixar seu cargo. Ele continua popular entre muitos russos, que o veem como um pilar de estabilidade bem-vindo, apesar de outros se queixarem de ele estar no poder há tempo demais.

Críticos opinaram que ele está cogitando várias opções para se manter no leme, como transferir poder ao Parlamento e assumir um papel mais destacado de premiê.

Outra opção mencionada é liderar um Conselho Estatal, um organismo que Putin disse, ainda nesta quarta-feira, que acredita que deveria receber mais poderes da Constituição.

Embora ainda não esteja claro se Putin desempenhará um papel de relevo na vida política russa pós-2024, suas novas propostas apontam para opções possíveis se ele decidir continuar no controle da política nacional, como muitos apoiadores e detratores creem.

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