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MUNDO

Primeiros ativistas da flotilha para Gaza expulsos por Israel chegam à Turquia

Países europeus pedem sanções contra o ministro Itamar Ben-Gvir após divulgação de imagens de detidos; ação envolve mais de 400 participantes da missão humanitária

AFP

21 de maio de 2026 às 17:25

Um membro da Flotilha Global Sumud, a caminho de Gaza, preso e deportado por Israel, faz o sinal de V e levanta o punho enquanto é colocado em uma ambulância após a chegada do grupo ao Aeroporto de Istambul em 21 de maio de 2026.
Os primeiros de centenas de ativistas da flotilha de Gaza começaram a chegar ao aeroporto de Istambul em 21 de maio, após serem presos e deportados de Israel, disse um correspondente da AFP. Os 422 ativistas, que foram transportados do sul de Israel em três aviões fretados por Ancara, faziam parte de uma frota de cerca de 50 embarcações que zarpou do sul da Turquia em 14 de maio, buscando romper o bloqueio israelense a Gaza, à qual se juntaram no mar várias outras

Um membro da Flotilha Global Sumud, a caminho de Gaza, preso e deportado por Israel, faz o sinal de V e levanta o punho enquanto é colocado em uma ambulância após a chegada do grupo ao Aeroporto de Istambul em 21 de maio de 2026. Os primeiros de centenas de ativistas da flotilha de Gaza começaram a chegar ao aeroporto de Istambul em 21 de maio, após serem presos e deportados de Israel, disse um correspondente da AFP. Os 422 ativistas, que foram transportados do sul de Israel em três aviões fretados por Ancara, faziam parte de uma frota de cerca de 50 embarcações que zarpou do sul da Turquia em 14 de maio, buscando romper o bloqueio israelense a Gaza, à qual se juntaram no mar várias outras ( Foto: Foto OZAN KOSE / AFP )

O primeiro grupo de ativistas da flotilha para Gaza expulsos por Israel chegou à Turquia nesta quinta-feira (21), após a indignação internacional pelos maus-tratos que receberam durante a detenção.

Após a divulgação de imagens dos ativistas com as mãos amarradas e as testas contra o chão, publicadas pelo ministro israelense de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, Espanha e Itália pediram sanções da União Europeia contra o alto funcionário, e a Irlanda, medidas contra Israel.

Mais de 400 tripulantes que estavam a bordo de aproximadamente 50 embarcações foram interceptados na segunda-feira pelo exército israelense no Mediterrâneo, a oeste de Chipre. Eles foram, então, levados à força para Israel e detidos na prisão de Ktziot, informou a ONG Adalah, que os representou legalmente.

"Todos os ativistas estrangeiros da flotilha da Solidariedade com a Palestina foram deportados de Israel. Israel não permitirá nenhuma violação do bloqueio naval legal a Gaza", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Oren Marmorstein.

A ONG Adalah informou que eles foram levados ao aeroporto de Ramon - perto de Eilat, no sul de Israel - para serem expulsos do país. Os ativistas egípcios e jordanianos foram trasladados a seus respectivos países para Taba e Aqaba, perto das fronteiras com Israel.

A Turquia afirmou que enviaria três voos especiais para repatriar seus cidadãos e os de países terceiros, no total 422 participantes da flotilha, 85 deles turcos, segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores.

Um primeiro grupo de ativistas da flotilha de Gaza começou a chegar ao aeroporto de Istambul e foi recebido por uma multidão com bandeiras palestinas, constatou um correspondente da AFP.

- "Todos fomos atacados, agredidos" -

Os ativistas da "Global Sumud Flotilla" ("sumud" significa resiliência em árabe) queriam chamar a atenção para a situação humanitária na Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra entre o Hamas e Israel, ao romper o bloqueio marítimo que o Estado israelense impõe ao pequeno território costeiro palestino.

Na quarta-feira, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, provocou indignação internacional e até mesmo dentro de seu próprio governo ao publicar um vídeo dos ativistas da flotilha ajoelhados e com as mãos amarradas.

Uma jovem que gritou "Palestina livre" enquanto o ministro passava teve a cabeça pressionada contra o chão por forças de segurança.

Gvir, do partido Poder Judaico, foi criticado pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e pelo ministro das Relações Exteriores de Israel.

No entanto, Netanyahu defendeu seu país, afirmando que "tem todo o direito de impedir que flotilhas provocadoras de apoiadores terroristas do Hamas" entrem em suas águas territoriais e cheguem a Gaza, referindo-se ao movimento islamista palestino que desencadeou a guerra ao lançar um ataque sem precedentes contra Israel em 7 de outubro de 2023.

As reações internacionais, especialmente dos países cujos cidadãos foram presos, não demoraram a chegar.

O chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, qualificou as imagens como "inaceitáveis" e anunciou que seu país impulsionará a imposição de sanções da UE contra o ministro israelense que gravou as imagens.

O tratamento dado aos detidos foi qualificado como "inadmissível" pela Itália e o chanceler Antonio Tajani declarou que pediu sanções contra o ministro israelense.

O primeiro-ministro da Irlanda, Micheal Martin, pediu ao Conselho Europeu que a UE tome "novas medidas" contra Israel em uma carta à qual a AFP teve acesso.

A relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos nos Territórios Palestinos Ocupados, a italiana Francesca Albanese, disse no X que o que estes ativistas sofreram foi "um tratamento de luxo comparado com o que se inflige aos palestinos nas prisões israelenses".

Bilal Kitay, cidadão turco originário de Bingöl, cidade de maioria curda a leste do país, abraçou sua esposa ao chegar a Istambul, após ser deportado. Ele participava da segunda missão com a flotilha para Gaza.

O ativista, que estava a bordo de um veleiro na companhia de uma dezena de pessoas, afirmou que esta interceptação por parte das forças israelenses foi "muito, muito mais violenta que a anterior", em abril.

"Todos fomos atacados, agredidos, tanto as mulheres quanto os homens. Muitos gritavam. Mas, na realidade, isso não tem nenhuma importância. É o que os palestinos vivem constantemente", relatou.

"Infelizmente, tratam melhor seus animais. Só eles se consideram humanos", declarou, reiterando a firme intenção de voltar a embarcar em uma próxima missão.