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Trump compartilha com Israel e outros aliados minuta de acordo de paz com o Irã

Texto prevê abertura do Estreito de Ormuz, suspensão do bloqueio aos portos iranianos e liberação de até US$ 12 bilhões do Irã

Estadão Conteúdo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, distribuiu a aliados — incluindo Israel — uma minuta de acordo de paz para encerrar a guerra com o Irã. A iniciativa ocorre em meio às tentativas de ambos os lados de evitar que violações do cessar-fogo saiam do controle e comprometam as negociações, segundo informações do jornal The Guardian.

Na tentativa de acelerar as tratativas, o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Mohammad Ishaq Dar, viajará a Washington nesta sexta-feira (29) para se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

O ataque de Teerã a uma base aérea americana no Kuwait, ocorrido na quinta-feira (28), após Washington interceptar drones iranianos no Estreito de Ormuz, expõe a fragilidade das negociações atuais, marcadas pelo impasse nos pontos finais do acordo.

Segundo o The Guardian, o gabinete de Trump deveria discutir a proposta na quarta-feira (27), mas o site Axios informou que o presidente americano afirmou precisar de mais alguns dias para avaliar o texto.

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Abertura do Estreito de Ormuz

A versão preliminar apresentada por Trump se assemelha à proposta que circula há dias no Oriente Médio. O texto prevê a abertura do Estreito de Ormuz à navegação comercial, a suspensão do bloqueio americano aos portos iranianos e a liberação de até US$ 12 bilhões em ativos congelados do Irã.

De acordo com o jornal britânico, o objetivo seria restabelecer, em até 30 dias, os níveis de navegação comercial no estreito registrados antes da guerra. O acordo também prevê o início de negociações, com duração estimada de até 60 dias, sobre o futuro do programa nuclear iraniano.

As discussões incluiriam o estoque de urânio altamente enriquecido do Irã, uma suspensão temporária do enriquecimento e a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de vigilância nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU). Em contrapartida, o Irã renunciaria ao desenvolvimento de armas nucleares.

Na quinta-feira (28), o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que as partes estavam próximas de um acordo, embora ainda existam divergências relacionadas ao estoque de urânio enriquecido iraniano e ao enriquecimento nuclear. “É difícil dizer exatamente quando ou se o presidente vai assinar o memorando de entendimento. Estamos discutindo alguns pontos da redação”, disse Vance.

A China também estaria pressionando o Conselho de Segurança da ONU para ratificar qualquer eventual acordo, informou o The Guardian. Ainda segundo o jornal, os termos atuais da proposta seriam considerados inaceitáveis por Israel, já que adiam compromissos nucleares mais rígidos por parte do Irã e condicionam um cessar-fogo permanente à inclusão do Líbano no entendimento.

Tensões aumentam no Oriente Médio

A minuta apresentada por Washington é menos específica do que a proposta iraniana sobre a suspensão das sanções ao petróleo e aos produtos petroquímicos do país. O texto também prevê isenção de pedágio para embarcações no Estreito de Ormuz.

O Irã tenta negociar paralelamente com Omã um acordo separado que permitiria a cobrança de taxas por “serviços de navegação” no estreito. Em declarações que não receberam resposta oficial de Mascate, Trump ameaçou na quarta-feira (27) “explodir” Omã caso o país firmasse um acordo com Teerã envolvendo a cobrança de pedágios.

A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter autorizado, nas últimas 24 horas, a passagem de 26 navios mercantes e petroleiros pelo estreito. Na quarta-feira (27), a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) interceptou quatro navios com transponders desligados no Estreito de Ormuz. Dois foram obrigados a recuar e dois tiveram a passagem impedida sob a justificativa de que trafegavam sem autorização.

Apesar dos confrontos recentes, Estados Unidos e Irã seguem mantendo contato indireto por meio do Paquistão e do Catar. Ainda assim, o cessar-fogo firmado em 8 de abril poderá ruir caso petroleiros atravessem o estreito sem autorização iraniana.

Em Moscou, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Ali Bagheri, reiterou a exigência de que os ativos congelados do país sejam liberados sem condições para contas bancárias iranianas.

Em resposta, Washington impôs sanções à recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, órgão iraniano responsável pela gestão da passagem de embarcações na região, segundo o The Guardian.

Na quinta-feira (28), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ameaçou aplicar sanções a Omã caso o país ajude a implementar um sistema de pedágio no estreito. Em meio ao aumento das tensões internas no Irã sobre uma possível negociação com Trump, o líder supremo Mojtaba Khamenei pediu que as autoridades evitem divisões políticas e priorizem as preocupações econômicas da população.

Segundo o The Guardian, Khamenei afirmou que os Estados Unidos e Israel tentam “colocar o país de joelhos” e acusou os rivais de buscarem “criar divisão e destruição para compensar suas derrotas militares”.