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Irã afirma que EUA devem aceitar proposta de paz ou enfrentar 'fracasso'

Negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf afirmou que Washington “não tem alternativa”

AFP

O principal negociador do Irã afirmou nesta terça-feira (12) que os Estados Unidos precisam aceitar a contraproposta apresentada por Teerã para encerrar o conflito no Oriente Médio, após o presidente dos EUA, Donald Trump, declarar que o cessar-fogo vive um momento “crítico”.

A guerra, iniciada há mais de dois meses após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, segue provocando impactos econômicos globais, mesmo após o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril. O conflito afeta mercados internacionais de energia e abastecimento, além de aumentar as tensões diplomáticas no Oriente Médio.

Em publicação na rede social X, o negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf afirmou que Washington “não tem alternativa” além de aceitar os termos apresentados pelo governo iraniano.

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“Qualquer outra abordagem será infrutífera e resultará em um fracasso após o outro”, escreveu o representante iraniano, acrescentando que a demora dos Estados Unidos em aceitar a proposta aumentará os custos para o país.

Segundo veículos da imprensa internacional, a proposta americana previa um memorando de entendimento para consolidar o cessar-fogo e abrir negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Já o Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que sua contraproposta exige o fim das hostilidades em todas as frentes do conflito, incluindo o Líbano, além da suspensão do bloqueio naval americano aos portos iranianos e da liberação de ativos financeiros congelados por sanções internacionais. Trump classificou a proposta iraniana como “totalmente inaceitável” e afirmou que a trégua permanece sob risco.

Petróleo e comércio global sob pressão

A escalada de tensão voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo. Investidores acompanham com preocupação a situação no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circulava cerca de 20% do petróleo e gás natural comercializados no mundo antes do início da guerra.

O Irã restringiu parcialmente o tráfego marítimo na região e implantou mecanismos de cobrança sobre embarcações que cruzam a passagem, medida criticada pelo governo americano.

O CEO da estatal saudita Saudi Aramco, Amin Nasser, afirmou que o mundo enfrenta uma das maiores crises energéticas já registradas. O conflito também afeta o mercado global de fertilizantes, elevando preocupações sobre segurança alimentar em diferentes países.

Em entrevista à AFP, o diretor-executivo do UNOPS, Jorge Moreira da Silva, alertou para o risco de uma “crise humanitária de grandes proporções” caso o conflito se prolongue. Segundo ele, milhões de pessoas podem ser afetadas pela escassez de alimentos nas próximas semanas.

Combates continuam no Líbano

Enquanto as negociações diplomáticas seguem sem consenso, os confrontos também persistem no Líbano entre Israel e o grupo Hezbollah, aliado do Irã. Segundo a imprensa estatal libanesa, ataques israelenses no sul do país deixaram seis mortos e sete feridos nesta terça-feira. Desde o início da escalada militar, mais de 2,8 mil pessoas morreram no território libanês, de acordo com o Ministério da Saúde local.

O líder do Hezbollah, Naim Qasem, voltou a afirmar que o grupo continuará atuando contra Israel. Em comunicado, ele declarou que a organização “não abandonará o campo de batalha” e seguirá defendendo o território libanês.