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EUA vão atacar o Irã? Veja os sinais de escalada militar

Trump reforça presença militar no Oriente Médio e dá prazo de 10 dias para acordo; imprensa americana fala em ataque iminente

Hannah Franco

Os Estados Unidos vão atacar o Irã? A possibilidade de uma ação militar voltou ao centro do debate internacional após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar na última quinta-feira (19) que Teerã precisa chegar a um “acordo significativo” nas negociações nucleares nos próximos dez dias. Caso contrário, segundo ele, “coisas ruins acontecerão”.

Durante reunião inaugural do chamado Conselho da Paz, Trump declarou que Washington “terá que dar um passo além” se não houver avanço diplomático. “Vocês provavelmente descobrirão nos próximos dez dias”, disse o presidente.

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Enquanto isso, a presença militar americana no Oriente Médio foi ampliada, e veículos como a CNN, a CBS e o jornal The New York Times noticiaram que os EUA estariam prontos para atacar o Irã já neste fim de semana. Segundo as publicações, Trump ainda não tomou decisão final sobre autorizar ou não a ação.

Reforço militar dos EUA no Oriente Médio

Washington mantém atualmente 13 navios de guerra na região, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln, nove destróieres e três navios de combate litorâneo. Outros navios estão a caminho.

O USS Abraham Lincoln, com quase 80 aeronaves, está posicionado a cerca de 700 quilômetros da costa iraniana. Já o USS Gerald R. Ford, considerado o maior porta-aviões do mundo, deslocava-se do Caribe — onde atuou na operação contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro — em direção ao Estreito de Gibraltar para se unir à frota no Oriente Médio.

É raro haver dois porta-aviões americanos simultaneamente na região. A última vez ocorreu em junho de 2025, quando os EUA atacaram três instalações nucleares iranianas durante a campanha de 12 dias de ataques de Israel contra o Irã. A frota também inclui caças F-22 Raptor, F-15 e F-16, além de aeronaves de reabastecimento KC-135 e aviões de alerta aéreo E3 Sentry. Dados de rastreamento de voos indicam intensa movimentação militar no espaço aéreo da região.

Quais são os principais indícios de um possível ataque

Entre os sinais apontados por autoridades e pela imprensa internacional estão:

  • Envio de dois porta-aviões ao Oriente Médio;
  • Apresentação a Trump de opções militares “projetadas para maximizar os danos”, segundo o The Wall Street Journal;
  • Prazo público de 10 dias para que o Irã aceite um acordo;
  • Movimentação de aeronaves de reabastecimento e alerta aéreo na região;
  • Retirada preventiva de parte do pessoal americano do Oriente Médio;
  • Postagem de Trump na rede Truth Social citando possíveis bases para uma ofensiva.

O The Wall Street Journal informou que as opções militares incluiriam uma campanha para atingir dezenas de líderes políticos e militares iranianos, com o objetivo de derrubar o governo, segundo autoridades americanas não identificadas.

Negociações seguem com “pequenos avanços”

Apesar da escalada, Estados Unidos e Irã retomaram recentemente negociações indiretas, mediadas por Omã. Uma segunda rodada ocorreu na terça-feira (17), em Genebra, e a Casa Branca informou que houve “pequenos avanços” diplomáticos. O diplomata iraniano Abbas Araghchi afirmou que as partes concordaram com “princípios orientadores”.

Já o vice-presidente americano, JD Vance, disse que os iranianos não reconheceram as “linhas vermelhas” estabelecidas por Trump. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que “seria muito sensato da parte do Irã fechar um acordo com o presidente Trump e o governo”.

Irã reforça defesa e realiza exercícios militares

Em paralelo ao reforço americano, o Irã adotou medidas para sinalizar prontidão militar. O país reparou instalações de mísseis danificadas em conflito anterior com Israel, fortaleceu bases aéreas e realizou exercícios navais no Golfo de Omã e no Oceano Índico, inclusive com a Rússia.

A Guarda Revolucionária também iniciou exercícios com munição real no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Autoridades iranianas já ameaçaram bloquear a passagem em caso de ataque. Em junho do ano passado, Israel lançou um ataque contra instalações nucleares e estruturas militares iranianas.

Durante 12 dias de confrontos, o Irã respondeu com mísseis e drones contra cidades israelenses, enquanto os EUA atacaram três instalações nucleares iranianas.

Risco de conflito regional

O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, pediu que cidadãos poloneses deixem imediatamente o Irã, afirmando que a possibilidade de conflito armado é “muito real”. Autoridades iranianas alertaram que qualquer ofensiva americana poderá desencadear uma guerra regional, com ataques contra Israel e bases dos EUA no Oriente Médio.

Até o momento, não há confirmação oficial de que um ataque tenha sido autorizado. A decisão final depende do presidente americano, enquanto negociações diplomáticas seguem em curso sob pressão crescente e forte mobilização militar na região.

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