O movimento é considerado um revés para a Opep, especialmente para a Arábia Saudita, que historicamente exerce papel central na coordenação das estratégias de produção do grupo. A saída também sinaliza uma maior autonomia dos Emirados na definição de sua política energética.
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Os Emirados Árabes Unidos ocupavam, até recentemente, a posição de terceiro maior produtor entre os membros da Opep, com cerca de 2,4 milhões de barris diários, segundo dados da Agência Internacional de Energia. No entanto, a produção foi impactada pela guerra envolvendo o Irã, que dificultou o escoamento de petróleo pelo Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial.
Em meio a esse cenário, o anúncio também ganhou leitura política nos Estados Unidos. A decisão é vista por analistas como alinhada a críticas recorrentes do presidente Donald Trump à atuação da Opep, frequentemente acusada por ele de influenciar os preços globais do petróleo.
Segundo o ministro de Energia dos Emirados, Suhail Mohamed al-Mazrouei, a saída foi resultado de uma análise das estratégias energéticas do país, sem consulta prévia a outras nações do grupo. A decisão ocorre em um momento de instabilidade no mercado, marcado por oscilações nos preços e tensões geopolíticas.
A decisão também reflete mudanças na estratégia econômica dos Emirados Árabes Unidos, que vêm ampliando investimentos em setores como turismo, tecnologia e finanças, com o objetivo de reduzir a dependência do petróleo.
A Opep foi fundada em 1960, em Bagdá, com o objetivo de coordenar políticas de produção entre países exportadores e influenciar os preços no mercado internacional. Ao longo dos anos, o grupo passou por outras saídas, como a do Catar em 2019 e a de Angola em 2024, refletindo mudanças no cenário global de energia.