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Paraense de Abaetetuba, Rogério Moraes sonha em fazer história nos Jogos Olímpicos

Jogador está em Tóquio com a seleção brasileira de handebol

Caio Maia / Especial para O Liberal

O paraense Rogério Moraes, de 27 anos, chega a sua primeira olimpíada com um dos nomes mais fortes do handebol brasileiro. Nascido em Abaetetuba, o pivô da seleção foi o primeiro brasileiro da história a ser bicampeão da Champions League de handebol, mais torneio do esporte na Europa.

De gol em gol, Rogério saiu do Brasil e ganhou o mundo. Com apenas 21 anos de idade, o jogador chegou ao velho continente pela Alemanha. Hoje joga pelo Telekom Veszprém, clube húngaro, atual vice-campeão nacional.

Já em Tóquio, onde se prepara para os Jogos, Rogério conversou com O Liberal e falou sobre a ansiedade de representar o país pela primeira vez em um evento dessa magnitude. Apesar de entender que o caminho é difícil, o paraense sonha em fazer história na seleção. Veja:

Você nasceu em Abaetetuba, no Pará, mas ganhou destaque no handebol europeu. Como surgiu a paixão pelo esporte?

R: Eu comecei a praticar o handebol com 12 anos, na escola, nas aulas de educação física. Meu professor sempre colocava vários esportes pra gente praticar e ele era apaixonado por handebol. Como eu era muito novo, mas bem grande, nesse treino eu me destaquei. Ele disse que tinha jeito pra jogar. Ele me fez o convite e comecei a participar da equipe da escola. Eu treinava três vezes na semana e comecei a me apaixonar pelo esporte.

Você avalia a ida para a Europa como o fator determinante para o crescimento da sua carreira?

R: A saída, não só minha, mas de vários jogadores, pra atuarem na Europa, faz com que o nosso nível cresça e evolua ainda mais. Infelizmente no brasil nós não temos uma liga tão competitiva. Não temos tantos jogos durante o ano. A partir do momento em que você vai pra Europa, você muda a sua rotina. Normalmente temos dois jogos na semana, jogando contra os melhores do mundo. Isso leva você a melhorar.

Hoje você joga pelo Telekom Veszprém, clube húngaro. Como foi a rotina de treinos e a preparação para os jogos na pandemia? O campeonato na Hungria ficou parado pelo vírus?

R: A pandemia começou em 2020. Em março tivemos todos os campeonatos suspensos. Voltamos às atividades em julho de 2020, pra começar uma nova temporada. Foi bem complicado voltar. Mas quando voltamos, conseguimos seguir a temporada, com todos os protocolos necessários. Claro, existiram casos de alguns jogadores que positivaram e não puderam entrar em quadra, mas a gente conseguiu seguir a temporada. No caso da seleção, nós ainda não tínhamos vaga para Tóquio. Nos reunimos em dezembro, pro Campeonato Mundial, que foi no Egito. Esse mundial foi uma importante preparação pra que a gente pegasse entrosamento e ritmo de jogo. Isso nos ajudou muito no pré-olímpico, que foi em seguida, em Montenegro, onde a gente conquistou nossa vaga.

Sabemos que a grande maioria dos atletas do Brasil que vão para Tóquio foram vacinados contra a Covid-19. Você foi vacinado? Tem medo do contágio? Como andam as medidas de precaução?

R: Eu fui vacinado. Tomei as duas doses ainda na Hungria. Meu clube providenciou vacina pra todos os jogadores. Grande parte das delegações e dos atletas que estão indo pra Tóquio estão vacinados também. Mesmo assim, ficamos com certo medo do contágio pelas novas cepas que estão aparecendo. Aqui estamos sendo testados constantemente, vivemos em uma bolha. Não podemos sair do hotel pra qualquer outra coisa que não seja treinar e competir. Toda manhã fazemos testes PCR. Temos um monitoramento de alguns aplicativos também, que medem a temperatura e rastreiam os nossas ações, por GPS.

Essa será sua primeira olimpíada. Como você se sente representando o Brasil e o Pará nos jogos? Há muito nervosismo envolvido?

R: Estou bastante feliz por está fazendo parte do grupo. Com certeza, há um nervosismo, mas é normal. Estamos acostumados com isso. Cada competição que a gente joga o nervosismo é o mesmo. Pressão sempre tem e agora não será diferente. Estamos na maior evento esportivo do mundo, então todos querem jogar aqui. Com certeza, emoção não vai faltar por estar representando o meu país, meu estado e a minha cidade de Abaetetuba. É uma pressão, mas também dá uma motivação extra dentro de quadra.

Como você avalia as possibilidades de medalha para o Brasil na competição? Até onde você acha que a equipe pode chegar?

R: A gente se prepara para dar o nosso melhor, mas temos que ser realistas. Caímos num grupo muito complicado, com seleções europeias muito fortes, que estão em um nível mais alto que o nosso. Vamos brigar com todas elas pra nos garantir nas quartas de final, que é o nosso primeiro objetivo. Se a gente se classificar será algo inédito. Depois disso, o que acontecer será bem vindo. Vamos sempre brigar por um pouquinho mais e, quem sabe, chegar numa semifinal, que é o momento onde estamos realmente na briga por medalhas. Mas hoje a nossa realidade não é das mais otimistas. Sem dúvidas vamos estar brigando pra classificar. Caso a gente se classifique, começa uma nova competição pra gente.

Até que ponto você acha que um bom desempenho da seleção brasileira no Japão pode ajudar no crescimento do handebol no país? Você acha que há espaço para o esporte se desenvolver?

R: Toda e qualquer modalidade cresce de acordo com os resultados. Com o handebol não vai ser diferente. Conforme o handebol brasileiro for tendo grandes resultados a nível mundial, batendo de frente com seleções europeias, a gente atrai mais visibilidade e colocamos o nome do esporte na mídia. Isso faz com que a modalidade cresça, faz com que patrocinadores apoiem mais a nossa modalidade. Acredito que os bons resultados ajudam sim no crescimento de qualquer esporte. O Brasil é muito grande e tem muito talento. Acredito que com o crescimento de forma correta tem tudo pra ser um esporte mais visado.

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