Mãe e filha paraenses dividem treinos, dificuldades e o sonho de crescer no MMA em São Paulo
Atletas vivem em São Paulo e buscam sonham no MMA
O esporte é um caminho que muitas pessoas encontram para tentar mudar de vida. No entanto, o percurso para alcançar sucesso e estabilidade costuma ser longo e difícil. A lutadora de muay thai Jakeline Alves e a mãe, Claudia Alves, atleta de MMA, conhecem bem essa realidade. Naturais de Belém, as duas sonham em transformar suas histórias por meio dos esportes de combate fora do Pará.
Em busca desse objetivo, mãe e filha se mudaram para São Paulo há pouco mais de um ano. Na capital paulista, enfrentam uma rotina intensa. Claudia treina em uma academia localizada a cerca de duas horas de casa e trabalha como segurança em um restaurante à noite, nos fins de semana. Jakeline, por sua vez, divide o tempo entre os treinos e o trabalho com entregas de comida.
“É uma triste realidade, não só do MMA, mas dos esportes de luta no Brasil. Aqueles que não são olímpicos têm muito menos visibilidade. Isso dificulta elevar o nível do esporte”, avaliou.
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“Existem muitos eventos bons em São Paulo e em outros estados, mas ser lutador de MMA exige muito tempo. A gente precisa trabalhar e treinar, pagar aluguel, comprar comida, roupa, além dos gastos extras de uma preparação, como dieta específica e sauna, que é cara. Tudo isso pesa”, relatou.
As dificuldades financeiras acompanharam as duas ao longo da trajetória. Desde cedo, Jakeline começou a trabalhar para ajudar a mãe em casa. Foi também ao observar o empenho e a paixão de Claudia pelo MMA que decidiu se dedicar de vez às lutas e buscar a profissionalização.
“Eu acredito que nunca foi só um hobby. Quando ela [Claudia] percebeu que gostava, já tomou a decisão de que queria isso para a vida dela. E eu, que já treinava, em 2024 resolvi de verdade que ia lutar e mudar a minha história, a minha vida, a da minha família e a de muitas mulheres por meio do esporte. Pretendo ir para o MMA futuramente e, através da luta, poder ajudar outras pessoas e mostrar a nossa história, que foi bem difícil”, comentou.
Relação entre mãe e filha no MMA
Além das limitações estruturais, as duas também enfrentaram preconceito e machismo por serem mulheres em um esporte majoritariamente masculino. Ainda assim, nunca permitiram que a opinião alheia interferisse nos próprios objetivos.
Foi Jakeline quem deu o primeiro passo rumo a São Paulo em busca de mais oportunidades, levando a mãe consigo. Desde então, seguem unidas, dividindo treinos, desafios e sonhos.
“É muito legal dividir essa rotina com a minha mãe. É uma experiência única. Quem pode viver isso, viva. Ter ela por perto, cuidando de mim, e eu ali para apoiá-la também, é algo incrível. Quando vou lutar ou perder peso, ela me ajuda, conversa comigo, me apoia, me ajuda a mentalizar que vai dar tudo certo. E eu faço o mesmo por ela, torcendo e ajudando sempre que precisa fazer alguma correção técnica nos treinos”, contou.
Projeções
Jakeline se prepara para uma luta marcada para o próximo sábado (7), no Portuários Stadium. Claudia, por outro lado, está atualmente confinada para participar do reality show Last Round, que está sendo gravado em São Paulo. A produção reúne atletas de diversos estados brasileiros em uma dinâmica de desafios, treinos, provas e lutas eliminatórias até a definição do campeão.
Ainda sem poder divulgar detalhes sobre o programa, a participação de Claudia no Last Round é vista como uma grande oportunidade para a paraense, que sonha em viver exclusivamente do esporte. Após tantas batalhas, dentro e fora do octógono, mãe e filha seguem acreditando em um futuro próspero no MMA.
“A gente já sofreu muito. Passamos fome durante a pandemia. Teve momentos em que não tinha nada para comer, e eu não queria reclamar para minha mãe, porque sabia que ela já fazia tudo o que podia. Sempre trabalhei desde nova para ajudar em casa, pagar aluguel, comprar comida. Minha expectativa é ser a melhor lutadora possível, lutar em eventos internacionais, quem sabe um UFC ou ONE Championship, fazer história, inspirar outras mulheres, jovens e crianças, e mostrar que pessoas da comunidade, que vêm de baixo, também podem vencer”, concluiu Jakeline.