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Ainda existe o lateral 'à brasileira'? Escassez na Seleção reflete mudança global na posição

Análise da formação da equipe revela que a posição, antes de craques como Cafu, agora conta com adaptações e improvisos

Felipe Campos / Especial para O Liberal
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A Seleção Brasileira realizou treinamento nesta terça-feira (9), em Morristown, com um detalhe em destaque: a ausência de laterais destros de origem na convocação para a Copa do Mundo. Após o corte de Wesley e a chegada do volante Ederson, a questão dos defensores laterais se acentua na preparação.

O Brasil, reconhecido historicamente por revelar grandes laterais do futebol mundial, como Cafu e Carlos Alberto Torres, chega ao Mundial com zagueiros adaptados para a posição. Danilo e Ibañez, opções de Carlo Ancelotti para o setor, atuam prioritariamente como defensores centrais em seus clubes.

Os números dos atletas confirmam este cenário. Danilo participou de 17 dos 38 jogos do Flamengo na temporada, sendo titular em 12 ocasiões. Ibañez, por sua vez, atuou em 50 partidas pelo Al-Ahli, da Arábia Saudita, sempre como zagueiro central. Nenhum dos dois desempenha regularmente a função de lateral em alto nível nos seus clubes.

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Foco na adaptação tática

Um trabalho de cruzamentos na atividade aberta à imprensa reforçou a tendência de adaptação. Apenas quatro jogadores realizaram os levantamentos na área: os atacantes Vinícius Júnior e Raphinha, o meia Lucas Paquetá e o zagueiro Ibañez. A participação de Ibañez, que deve atuar improvisado pela direita, mostra uma mudança no futebol.

Anteriormente, os laterais eram os principais responsáveis por dar profundidade e realizar cruzamentos. Atualmente, essa função é cada vez mais dividida com pontas e meio-campistas no futebol moderno.

A situação no lado esquerdo do campo também apresenta desafios. Alex Sandro enfrenta críticas da torcida do Flamengo, e Douglas Santos obteve espaço na equipe durante a gestão de Ancelotti. Ambos têm características mais defensivas, formando frequentemente uma linha de três zagueiros na saída de bola para dar sustentação tática.

Transformação global da posição

A carência de laterais ofensivos não é um problema exclusivo do Brasil. O futebol mundial tem produzido menos defensores com o perfil "à brasileira" nos últimos anos. A posição sofreu uma profunda transformação tática, com treinadores priorizando laterais construtores ou defensores mais sólidos.

A tendência é visível em ligas e Copas do Mundo recentes. A Argentina, por exemplo, foi campeã com Molina e Tagliafico. A França venceu o bicampeonato com o zagueiro Pavard na lateral direita. Uma exceção é o PSG, que mantém Hakimi e Nuno Mendes como laterais ofensivos.

Essa transformação explica as dificuldades da Seleção Brasileira em encontrar laterais com as características tradicionais. O mercado atual oferece menos atletas especializados em avançar pelos corredores e chegar à linha de fundo.

Laterais tradicionais no futebol paraense

No cenário paraense, Remo e Paysandu contam com laterais que ainda preservam as características ofensivas da posição. Marcelinho, do Remo, e Edilson, do Paysandu, contribuem ativamente na criação de jogadas pelos lados do campo.

Ambos os jogadores, além de suas participações ofensivas, oferecem a raridade da continuidade. Marcelinho e Edilson estão em seus respectivos clubes há mais de uma temporada, consolidando-se como peças importantes e conhecendo o ambiente do Re-Pa.

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