A capoeira é uma das maiores expressões da cultura brasileira. Nascida da resistência dos povos africanos escravizados e desenvolvida no Brasil ao longo dos séculos, ela reúne movimento, música, dança, ritmo e identidade. Depois de décadas marcada pelo preconceito, a prática conquistou reconhecimento nacional e internacional, tornando-se patrimônio cultural brasileiro e da humanidade.
É nesse cenário que milhares de capoeiristas celebram, em 3 de agosto, o Dia do Capoeirista. A data é marcada por rodas e eventos que valorizam uma tradição secular, que segue transformando vidas. Uma dessas histórias é a de Raí Lima, mais conhecido como Lelo, que encontrou na capoeira um novo caminho ainda na adolescência e hoje dedica sua vida a transmitir esse legado.
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Da descoberta ao projeto social
Quando tinha apenas 12 anos, Lelo entrou em um projeto social realizado pelo Movimento República de Emaús, no bairro do Benguí, em Belém. O primeiro contato com a capoeira mudou completamente sua trajetória. "Foi ali que tudo começou e tudo mudou na minha vida. A capoeira me fez conhecer lugares, participar de campeonatos e me tornar quem eu sou hoje", afirma.
Atualmente formado em Educação Física, ele divide a rotina entre o trabalho como personal trainer, aulas particulares, oficinas e atividades sociais. Integrante do Grupo Muzenza de Capoeira, Lelo também coordena um projeto desenvolvido pelo Grupo Tucuxi, no bairro da Brasília, em Outeiro.

O projeto funciona há 31 anos e reúne cerca de 25 crianças e adolescentes em atividades gratuitas. Além da capoeira, a iniciativa oferece modalidades como kickboxing, dança e ações culturais voltadas para a comunidade. Para ele, os projetos sociais continuam sendo a principal porta de entrada para novos talentos.
"Eu fui um dos jovens que tiveram a vida transformada por um projeto social. Hoje procuro fazer o mesmo por outras crianças. Mesmo que apenas uma pessoa tenha sua vida mudada, o projeto já valeu a pena", destaca.
Competições e novos desafios
Embora atualmente participe de menos competições devido à rotina profissional, Lelo segue presente em grandes eventos da modalidade. Neste ano, disputará o Ginga Mandinga, em Santa Isabel do Pará, onde busca o hexacampeonato. Também participará do Campeonato Brasileiro, em Codó (MA), e viverá um momento especial na carreira: a estreia no Campeonato Europeu de Capoeira, em Algarve, Portugal, representando o Brasil e o Pará.
Segundo ele, a modalidade vive um momento de crescimento, impulsionada pela organização de grandes eventos nacionais e internacionais. "A capoeira evoluiu muito. Hoje temos campeonatos de alto nível e uma estrutura muito melhor. Ainda falta mais apoio, mas vemos cada vez mais pessoas acreditando na modalidade", avalia.
A roda continua
Para Lelo, celebrar o Dia do Capoeirista é reforçar o verdadeiro significado da modalidade: união, respeito e transformação social. "Todo ano fazemos rodas para comemorar essa data. É um momento de celebrar a luta, o esporte, a cultura e tudo o que a capoeira representa para nossas vidas."
Neste fim de semana, em Outeiro, ele também realiza o primeiro evento organizado por seu projeto social, com entrega de graduações e troca de cordas dos alunos que acompanham seu trabalho, incluindo familiares que passaram a praticar a modalidade.

Conheça e apoie o projeto
Quem deseja acompanhar o trabalho desenvolvido por Lelo ou contribuir para que ele represente o Pará no Campeonato Europeu de Capoeira pode entrar em contato pelas redes sociais.
Instagram: @rai.lima_lelo e @tucuxi_pontodecultura
Facebook: Raí Lima – Lelo
TikTok: @lelocapoeira
Contato: (91) 98365-3351
Além de divulgar a capoeira e incentivar novos praticantes, qualquer apoio financeiro destinado à viagem para Portugal ajudará o atleta paraense a representar o Estado em uma das principais competições internacionais da modalidade e fortalecer o trabalho social realizado com crianças e jovens em Outeiro.
