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‘Não basta empreender’, diz Mauro Kreuz sobre a importância do administrador profissional

Presidente do Conselho Federal de Administração fala sobre a atuação desses profissionais na retomada de economia

O Liberal

Na próxima semana, Belém vai receber o XVIII Fórum Internacional de Administração (FIA), que traz como tema “Ciência da Administração sob a Égide da Ética, Sustentabilidade e Governança”. O evento ocorre dos dias 26 a 28 de setembro, no Hangar, e é organizado pelo Conselho Federal de Administração (CFA) e o Conselho Regional.

Em entrevista ao Grupo Liberal, Mauro Kreuz, presidente do CFA, destaca a atuação dos profissionais de administração para o processo de retomada da economia, a qualidade dos cursos de administração e a importância de gestão profissional para aumentar o tempo de sobrevivência das empresas. “Empreendedorismo é um assunto que não se ensina, pois empreender é um comportamento, uma atitude, está ligada ao perfil do profissional”. Veja a entrevista:

Como os administradores têm contribuído para a retomada da economia após os dois anos mais críticos provocados pela pandemia da covid-19?

Com relação a pandemia, o Sistema CFA/CRAs foi muito rápido e ágil ao buscar uma solução para ajudar o país a superar as consequências que a crise sanitária trouxe não só para o nosso país, mas para o mundo inteiro. Criamos, na época, a campanha “Administrador e Empreendedor: unidos no fortalecimento dos negócios”. A ideia da iniciativa foi ajudar microempreendedores individuais e empresários de pequeno porte a superar a crise sem ter que encerrar o negócio ou conceber dívidas impagáveis.

Nossos profissionais de Administração deram consultorias gratuitas para auxiliá-los a tomar uma decisão mais assertiva. A nossa união foi essencial para reerguer a economia do nosso país. Essa iniciativa ajudou muitos pequenos negócios e também ajudou muitos deles a se reposicionar no mercado. 

E, mesmo passada a fase mais difícil da pandemia, os profissionais de Administração continuam imprescindíveis em qualquer negócio. Para se ter ideia, fizemos uma pesquisa para avaliar o impacto da Covid-19 na sociedade brasileira. Esse levantamento revelou o que já temíamos: 52,1% dos empregadores não desenvolvem qualquer metodologia de gestão de riscos em seu negócio, e apenas 10,7% informaram que há um planejamento completo de gestão de riscos.

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Ou seja, a ausência de uma gestão profissional no negócio foi impactante nos negócios durante a pandemia, pois o planejamento estratégico de modo geral, aliado ao planejamento de riscos, é essencial para que as empresas passem por momentos de dificuldade e crises. Isso só reforça ainda mais a necessidade de investir em gestão profissional com a atuação do administrador na gestão do negócio.

Quais os maiores desafios dos administradores brasileiros no cenário atual?

Creio que um dos nossos maiores desafios é sensibilizar a sociedade para a importância da Administração enquanto ciência. Para quem ainda não sabe, a Administração também é uma ciência e, ao lado da Economia e da Contabilidade, forma o tripé das Ciências Sociais Aplicadas.

Um dos maiores estudiosos da Ciência da Administração do Brasil, Idalberto Chiavenato, afirma que a administração nada mais é do que a condução racional das atividades de uma organização. Com base na ciência, gestores precisam planejar, organizar, liderar e controlar o trabalho a fim de ajudar a organização a alcançar seus objetivos.

O impacto social de uma organização bem administrada é enorme. Por isso, não dá mais para tratar a Administração como uma função qualquer. Ela é uma ciência e, como tal, precisa de respeito tal qual outras profissões. O médico cuida da saúde humana; o engenheiro garante a segurança de uma obra; o advogado zela para que os direitos e garantias fundamentais sejam respeitados. E o Administrador? Este profissional é essencial para garantir a saúde das organizações de forma sustentável e viável.

Como o senhor avalia o tempo de sobrevivência das empresas no País e como melhorar esse cenário?

Administradores profissionais e competentes são recursos sociais importantes. Você até pode abrir um negócio sem este profissional mas, sem administração pautada na ciência, certamente seu empreendimento estará fadado ao fracasso. É o que mostra o Sebrae: uma em cada quatro empresas fecham as portas dois anos após a sua criação. A taxa de mortalidade corresponde a 24,6% e sabe o que tem levado esses negócios à falência? A falta de gestão profissional.

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O administrador é o cientista da organização: ele analisa dados e confronta cenários para tomar decisões mais assertivas. Sem uma estratégia, ele fica refém do achismo, por isso, o sucesso de uma organização está cada vez mais ligado ao gerenciamento baseado em evidências.

A gestão profissional é o caminho para melhorar esse cenário. Não basta empreender, é urgente pautar-se na Ciência da Administração para gerir o negócio. Empreendedorismo é um assunto que não se ensina, pois empreender é um comportamento, uma atitude, está ligada ao perfil do profissional. O que nutre esse comportamento é a Ciência da Administração. Elas precisam caminhar juntas. É o que chamo de empreendedorismo profissional. Quem sabe, por isso que as evidências mostram que um de quatro pessoas tem perfil empreendedor e isso justifica a mortalidade de muitas empresas.

Aumentou o número de cursos de graduação em Administração no País? Qual a sua avaliação sobre a qualidade desses cursos?

Todos os anos, o Censo do MEC mostra que os cursos na área de administração são os mais procurados no país. No levantamento de 2018, por exemplo, mais de 1 milhão de estudantes estavam matriculados em cursos superiores de tecnologia na área da Administração e de bacharelado em Administração.

Isso demonstra que trata-se de uma área atrativa e importante. No entanto, é preciso dar atenção para a evasão. Isso é uma anomalia que precisa ser investigada para conter o crescimento do problema. Outro ponto é a questão qualitativa dos cursos. Apesar de ser a área com maior procura e maior oferta de vagas, na média a qualidade desses cursos é baixa. Existem ilhas de excelência, que servem de exemplo, mas são poucas. Na média, a qualidade formativa dos egressos é preocupante.

A baixa qualidade é refletida no mercado de trabalho. Segundo dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, de cada dez demandas de trabalho, sete são da área da Administração. Outro levantamento mostrou que, das 17 ocupações mais demandadas pelo mercado, 12 são em administração e três em tecnologia da informação. Contudo, as vagas não são preenchidas. Tem muitos candidatos, mas eles não apresentam as competências profissionais em administração que o mercado requer.

O profissional de Administração é fundamental para o desenvolvimento do país, das organizações públicas e privadas e o ensino da Administração tem o papel de formar profissionais aptos para essa realidade. A partir das novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do curso de bacharelado em Administração esperamos colocar pessoas capacitadas para o mercado de trabalho.

Um dos temas da FIA trata da preservação e a utilização sustentável dos recursos naturais. Como isso tem sido trabalhado e evoluído na área da administração?

É certo que a maior parte das empresas quer se destacar no mercado a partir de iniciativas consideradas sustentáveis. Entender a sustentabilidade como diferencial e vantagem competitiva tem feito com que o conceito seja incorporado na filosofia de organizações, na estrutura de projetos corporativos e até no empreendedorismo moderno.

Quanto às ações de sustentabilidade dentro das empresas, essas devem abranger tanto processos internos quanto externos; esses últimos se relacionam às práticas de seus stakeholders principais, tais como fornecedores, clientes e empresas parceiras.

A gestão da sustentabilidade é uma prática possível e recomendada, mesmo para os pequenos negócios. O conceito é firmado no tripé econômico, social e ambiental. Por isso, quando se fala de gestão, considera-se que a administração da empresa deve se ocupar de questões de caráter ambiental, de responsabilidade social e ter uma visão global que torne o negócio financeiramente rentável.

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