Transição energética e exploração de petróleo podem ser conciliadas, diz especialista

O tema foi debatido em evento realizado na Estação das Docas, em Belém, até esta quinta-feira (28)

Elisa Vaz
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Um ciclo de debates realizado na Estação das Docas, em Belém, até esta quinta-feira (28), contou com a presença de especialistas da área energética, que falaram sobre o projeto de exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial brasileira, que inclui o Amapá, atravessa o Pará e se estende até o Rio Grande do Norte. Executiva do setor de energia, a professora Fernanda Delgado defendeu a atividade, que está em fase de análise pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Segundo ela, é possível conciliar essa exploração com a agenda de transição energética do Brasil.

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O tema da palestra de Delgado foi “A transição energética - o petróleo inviabiliza as fontes limpas?”. A pesquisadora explicou, em sua fala, na manhã desta quinta, que boa parte das empresas de óleo e gás já se comprometeu com metas e há vários projetos nessa indústria, que também está associada a fatores de ordem socioeconômica. “Ela gera emprego, renda, tributos e desenvolvimento tecnológico”, ressaltou.

Fernanda ainda falou sobre a importância do setor para a economia brasileira, e mencionou que ele não é o “vilão” quando se fala em emissão de gases de efeito estufa. “Não significa que não tenhamos metas e um papel a cumprir, muito pelo contrário. Mas os processos acontecem em paralelo, você traz desenvolvimento ecológico e econômico. Até porque essa exploração é feita de forma muito mais contemporânea e com mais eficiência energética e tecnologias modernas”, avaliou. A estudiosa disse também que é preciso fazer a transição energética ao mesmo tempo em que se fortalece a indústria.

Prejuízos

Com o tema “A produção de energia na Amazônia”, o evento promovido pela Associação do Ministério Público do Estado do Pará (Ampep) teve a participação de representantes da sociedade civil e de comunidades regionais. Licenciada em geografia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Daniela Soares da Silva compõe a coordenação do Coletivo de Mulheres do Xingu e é contra o projeto na Margem Equatorial. Sua palestra teve o tema “Impactos de grandes projetos nos direitos humanos e ambientais, recorte Belo Monte”.

“Consideramos que a exploração de petróleo aqui na Margem Equatorial é um equívoco monumental, assim como foi a hidrelétrica de Belo Monte. Os povos já estão falando, os que habitam na região sabem o que vai acontecer, o mais justo é ouvir quem diretamente pode ser impactado por essa exploração. O nosso posicionamento é enérgico em dizer que somos contra essa exploração, porque sabemos que isso não vai trazer desenvolvimento para o nosso território; pelo contrário, vai provocar injustiça social”, declarou.

Na opinião da liderança, o Brasil tem agora a chance de lutar contra as mudanças climáticas e assumir um papel de destaque no cenário global. Mas, para que isso aconteça, o projeto não pode ser aprovado. “É remar na contramão do que estamos dizendo para o mundo todo, é um equívoco. E não deve ser uma decisão política, deve ser uma decisão técnica e científica, e falo não só dos cientistas da academia, mas dos intelectuais da floresta, que precisam ser levados em consideração”, opinou Daniela.

Debate

O objetivo do ciclo não era defender ou atacar o projeto de exploração, mas fornecer dados e informações relevantes para que a sociedade local tenha conhecimento do que está em jogo e ocupe um espaço de protagonismo em meio à atividade. É o que diz a diretora da Ampep, Sabrina Kalume.

“Entendemos que temos que fomentar esse debate, por isso nós conversamos com pessoas que defendem a exploração, mas também ouvimos movimentos sociais e o próprio Ministério Público (MP) e esperamos ter essas respostas: Há espaço para mais exploração sem atingir nossa natureza de forma prejudicial? Como isso será feito para ter o mínimo possível de riscos?”, questionou.

A diretora defende, sobretudo, que a sociedade paraense se capacite, estude o tema e faça cursos de aperfeiçoamento ou pós-graduação. “Se houver essa exploração, que tenhamos na nossa região gente preparada, queremos que essa riqueza fique no nosso Estado, queremos que nosso Estado tenha protagon

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