Soluções integradas para cafeterias impulsionam mercado em Belém
Segundo empresário do ramo, o setor de cafeterias cresce na capital, mas ainda esbarra na alta tributação e necessidade de capacitação business para a saúde desses empreendimentos
Um modelo de negócio baseado na oferta de soluções integradas para cafeterias vem ganhando espaço em Belém e se consolida como alternativa para pequenos e médios empreendedores do setor de alimentação. A proposta reúne fornecimento de cafés especiais, aluguel de máquinas, capacitação profissional e suporte técnico, permitindo que estabelecimentos ampliem ou qualifiquem o serviço sem assumir, de imediato, altos custos de estrutura.
O formato atende cafeterias, padarias e docerias que buscam agregar valor ao cardápio e acompanhar a crescente demanda por cafés de maior qualidade, em um cenário de aumento de custos operacionais e maior exigência do consumidor.
Capacitação e dados de mercado sustentam o modelo
À frente da Alquimista - bebidas especiais, Bruno Wariss destaca que a qualificação profissional é um dos pilares do negócio. Segundo ele, a empresa treina cerca de 2 mil pessoas por ano em Belém, entre baristas, profissionais do setor e consumidores interessados em aprimorar o preparo do café.
Além da formação, o empresário afirma que a atuação da empresa permite acompanhar de perto o comportamento do mercado local. Um levantamento interno aponta que, em 2025, Belém instalou o dobro de máquinas de café profissionais em comparação a Brasília, apesar de a capital federal contar com um mercado consumidor maior. Para Wariss, o dado indica um avanço acelerado da cultura do café especial na capital paraense.
Modelo concentra equipamentos, insumos e treinamento
O diferencial do formato está na centralização de etapas que, tradicionalmente, exigiriam investimentos separados. “Nós temos uma torrefação de cafés especiais, aluguel de máquina, treinamento e fornecimento de grãos que a gente compra de várias regiões do Brasil e torra aqui em Belém”, explica Bruno Wariss, proprietário da Alquimista Bebidas Especiais.
O atendimento se concentra principalmente em cafeterias, padarias e docerias, segmentos que mais demandam esse tipo de solução completa para qualificar o serviço e se diferenciar em um mercado cada vez mais competitivo.
Tradição familiar e leitura de oportunidade de mercado
Embora seja a quarta geração de torrefadores da família, Bruno afirma que sua entrada no segmento de cafés especiais ocorreu a partir da identificação de uma oportunidade pouco explorada no mercado local. O contato com iniciativas fora do Pará ajudou a ampliar a visão sobre o potencial do setor.
“Na época, existia café, mas café especial é uma categoria completamente diferente. Não tinha ninguém falando sobre isso”, relata. O início das atividades ocorreu em 2008, com a revenda de grãos do Sul de Minas para cafeterias de Belém.
Torrefação própria fortalece a cadeia local
Em 2022, a empresa passou a realizar a própria torrefação na capital paraense, o que representou um avanço na cadeia produtiva local e maior controle sobre qualidade e perfil dos cafés oferecidos.
“Foi só em 2022 que a gente começou a torrar nosso próprio café, e vem fazendo isso desde então”, afirma. A mudança também acompanhou a profissionalização do mercado e a renovação do perfil de clientes ao longo dos anos.
Produtos regionais ampliam o portfólio
Além dos cafés especiais, a atuação inclui produtos com maior valor agregado, como cappuccinos e chocolates produzidos com cacau da Amazônia, desenvolvidos por um chocolatier da região. A estratégia dialoga com a valorização de insumos amazônicos e com um consumidor cada vez mais atento à origem dos produtos.
Máquinas profissionais ampliam acesso ao mercado
Outro eixo do modelo está no fornecimento de máquinas profissionais, principalmente de origem italiana, amplamente utilizadas em cafeterias especializadas. O aluguel desses equipamentos reduz a barreira de entrada para novos empreendedores e facilita a modernização de negócios já existentes, sem a necessidade de investimento inicial elevado.
Desafios do setor
Apesar do crescimento, o empresário aponta entraves que ainda limitam a consolidação do mercado de cafés especiais. Entre os principais desafios estão a alta carga tributária e a falta de formação em gestão e negócios por parte de muitos empreendedores que entram no setor.
“Não adianta abrir um negócio se ele não for sustentável a longo prazo. É preciso que a gente abra e que a gente mantenha essa empresa funcionando”, afirma Wariss. Para ele, a profissionalização da gestão é tão essencial quanto a qualidade do produto para garantir a sobrevivência das cafeterias no mercado.
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