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Setor hoteleiro de Belém avalia legado pós-COP 30 e cobra plano de promoção

Taxa de ocupação na capital paraense registrou 50% em março. Setor espera chegar aos 60% de média no segundo semestre de 2026.

Gabriel da Mota e Maycon Marte
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O setor hoteleiro de Belém avaliou como abaixo do esperado o desempenho da atividade quatro meses após a realização da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30). Em entrevista ao Grupo Liberal, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Pará (ABIH-Pará), Tony Santiago, pontuou que o mercado aguarda um plano de promoção turística para consolidar os novos investimentos feitos na cidade, que ganhou cerca de 1.000 novos apartamentos e 2.500 leitos para o evento internacional.

Segundo Santiago, a taxa de ocupação média registrada em fevereiro de 2026 foi de 40%, índice considerado abaixo do ponto de equilíbrio para a viabilidade de um hotel, estimado em 50%. "A avaliação que nós temos é que não houve o legado que tanto se falou", afirmou o presidente da ABIH-Pará. Ele explicou que o recuo na ocupação já era previsto devido ao aumento da oferta de leitos e ao período de chuvas no início do ano. Entretanto, o balanço de março aponta para uma tendência de alta, tendo atingido 50% e com expectativa de manter o percentual nos próximos meses, chegando a 60% no segundo semestre, impulsionado por eventos agendados na capital.

Em um dos hotéis de grande porte de Belém o efeito pós-COP 30 representou uma queda de aproximadamente 60%, conforme avaliou o gerente de vendas do estabelecimento Jeferson Medeiros. “A demanda caiu vertiginosamente após a COP 30 e nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro que foram de muita penúria, com uma queda de cerca de 60%”. Segundo ele, essa redução expressiva não é totalmente incomum, mas, em contrapartida, também não houve um crescimento da demanda.

Medeiros explica que o volume de ocupação no hotel só retomou algum crescimento mais recentemente, entre os meses de março e abril, mas ainda abaixo do esperado, em relação a expectativa gerada com a divulgação de Belém durante a conferência. As expectativas de crescimento da demando ficam por conta do segundo semestre do ano, impulsionada pela realização de grandes eventos, como o Círio de Nazaré.

“A expectativa de crescimento, em geral, no segundo semestre é melhor que no primeiro. Historicamente isso acontece. Então a gente tem grandes eventos na cidade no segundo semestre e isso, para gente, é positivo porque captamos hospedagem”, avalia o gerente de vendas.

Turismo de negócios prevalece e Belém busca atrair novos visitantes

A capital paraense mantém o perfil voltado ao turismo de negócios, enquanto o turismo de lazer ainda carece de maior fluxo. Santiago destacou que, apesar da exposição mundial de Belém e da melhoria na infraestrutura gastronômica, a cidade ainda enfrenta gargalos como o alto custo das passagens aéreas.

"Belém foi muito badalada, a cidade recebeu novos equipamentos, a parte de gastronomia explodiu, mas ainda não houve o retorno esperado", avaliou.

Enquanto Belém foca em eventos, Santarém, na região do Baixo Amazonas, tem se consolidado no turismo de lazer, beneficiada por novos voos diretos e pela parada de navios transatlânticos.

No hotél que o gerente de vendas Jeferson Medeiros representa a demanda corporativa também domina o perfil dos visitantes. No entanto, ainda há a presença do público estrangeiros, que fo mais intenso também no período da COP 30.

“O nosso público, especificamente, é um segmento corporativo, ele é de brasileiros sim, mas nós temos uma demanda muito grande por estrangeiros também, digamos que seria uma média de 70% de nacional e 30% de estrangeiros, até porque a rede é internacional e a gente sofre essa influência positiva com esse hóspede que procura hospedagem em Belém”, avalia Medeiros.

image Tony Santiago, presidente da ABIH-Pará, em entrevista ao Grupo Liberal (Reprodução)

Associação cobra plano de promoção turística e redução de tarifas aéreas

Para o representante do setor hoteleiro, a manutenção do legado da COP 30 depende de uma parceria entre a iniciativa privada e o setor público para promover o destino. Entre as queixas está a falta de uso do terminal internacional de transatlânticos em Belém. "A medida para a promoção do turismo é geralmente feita pela iniciativa privada e pelo setor público. Se o setor público não se animar para esse detalhe, as coisas vão se estagnar", alertou Tony Santiago. Os preços das diárias, que foram majorados durante a conferência, já voltaram aos níveis normais e muitos estabelecimentos operam com tarifas promocionais para atrair hóspedes.

Medeiros também concorda que a solução para o atual cenário de baixas após a conferência climática está em um trabalho conjunto entre as entidades que conduzem o desenvolvimento do setor no estado e o setor empresarial. “Insisto que as secretarias que são envolvidas com o fomento do turismo, tem que fazer um trabalho conjunto com o centro de convenções, com a hotelaria e os demais órgãos de incentivo ao turismo para que a gente capte ainda o lado positivo do que foi a COP 30 para Belém”, afirma.

Cenário da hotelaria em Belém no pós COP

  • Novos apartamentos: 1.000 unidades
  • Novos leitos: 2.500 vagas
  • Ocupação em março: 50%
  • Viabilidade do setor: 50% de ocupação
  • Previsão para o 2º semestre: 60% de ocupação
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