CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Petrobras investirá R$ 2,8 milhões na Bacia do Marajó e US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial

Projeto coordenado pelo Serviço Geológico do Brasil busca atualizar conhecimento geológico e identificar potencial energético e mineral na região amazônica; Plano de Negócios 2026-2030 prevê investimento em toda a Margem Equatorial de US$ 2,5 bilhões.

Jéssica Nascimento
fonte

A Petrobras vai investir R$ 2,8 milhões em um projeto científico voltado à ampliação do conhecimento sobre a Bacia do Marajó, no Pará. A iniciativa, com duração prevista de 18 meses, será executada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), com foco na compreensão da evolução geológica, dos sistemas sedimentares e do potencial de recursos naturais da região. Ao Grupo Liberal, a estatal revelou que pretende investir em toda a Margem Equatorial (localizada entre os estados do Amapá e Rio Grande do Norte) US$ 2,5 bilhões até 2030

Coordenado pela Diretoria de Geologia e Recursos Minerais do SGB, o estudo integra no Marajó um megaprojeto nacional de revisão das bacias sedimentares brasileiras e deve resultar em uma nova carta estratigráfica, além de mapas e bases de dados inéditas.

Petrobras diz que projeto é científico e sem fins comerciais

Em resposta ao Grupo Liberal, a Petrobras afirmou que a iniciativa integra a retomada de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em bacias sedimentares brasileiras e não possui caráter exploratório com objetivos comerciais.

“Não se trata de um projeto exploratório com objetivos comerciais, mas sim de um trabalho científico de atualização e normalização abrangente da Geologia das bacias sedimentares em território nacional”, destacou a estatal em nota.

Segundo a empresa, o foco é revisar e atualizar as chamadas cartas estratigráficas — que organizam formalmente a nomenclatura das unidades geológicas e sua posição no tempo — reunindo informações sobre a história das bacias sedimentares do país. “O objetivo é reunir informações atualizadas [...] facilitando pesquisas geológicas de diferentes naturezas e servindo de base didática para estudantes e pesquisadores”, informou.

A Petrobras ressaltou ainda que esse tipo de iniciativa já foi conduzido anteriormente, com resultados publicados em 1994 e 2007 no Boletim de Geociências da companhia. A nova etapa abrange 37 bacias sedimentares, tanto em terra quanto no mar, envolvendo equipes internas e parcerias com instituições científicas. Em 15 dessas áreas, há cooperação com universidades e o Serviço Geológico do Brasil (SGB), com projetos selecionados por chamada pública.

Sobre a Margem Equatorial, a estatal confirmou a retomada da perfuração do poço Morpho, destacando que a operação ocorreu após cumprimento das exigências regulatórias. “A sonda e o poço permanecem em total condição de segurança e ficam localizados a mais de 500 km de distância da foz do rio Amazonas”, afirmou. A empresa reiterou que o Plano de Negócios 2026-2030 prevê investimentos de US$ 2,5 bilhões em toda a região.

Projeto integra revisão nacional inédita

O projeto na Bacia do Marajó faz parte de uma iniciativa mais ampla da Petrobras que prevê a revisão das cartas estratigráficas das 37 bacias sedimentares do Brasil até 2027. A ação deve culminar na publicação de um novo boletim geocientífico entre 2027 e 2028, considerado a maior atualização do conhecimento geológico do país desde 2007.  A estratigrafia é o ramo da geologia que estuda a sucessão, disposição e idade das camadas de rochas (estratos) e sedimentos.

De acordo com o diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB, Valdir Silveira, a pesquisa está inserida nesse esforço nacional.

“O projeto está na Diretoria de Geologia e Recursos Minerais do SGB, a qual estou à frente atualmente, e é coordenado pelo Departamento de Geologia através da Divisão de Bacia Sedimentar”, afirmou. 

Ele destaca ainda o papel da equipe técnica: “Tem como chefe a colega geóloga, Dra. Cleide Moura, no comando dos trabalhos”.

Lacunas científicas

O principal objetivo do projeto é elaborar uma nova carta estratigráfica da Bacia do Marajó, integrando dados de superfície e subsuperfície, além de informações inéditas coletadas em campo.

Segundo Silveira, “o objetivo geral é a integração de dados geológicos e geofísicos de superfície e subsuperfície, a partir da integração de dados da literatura e da aquisição de novos dados em atividades de campo”. Ele explica que o estudo permitirá compreender a origem e evolução da bacia, com resultados publicados em diferentes produtos técnicos.

A pesquisa também pretende preencher lacunas históricas, como a ausência de datações geocronológicas, a revisão de unidades litoestratigráficas e a correlação entre dados de superfície e subsuperfície. Entre os produtos previstos estão mapas geológicos, levantamento de recursos minerais e modelagens geofísicas.

Tecnologias avançadas e abordagem multidisciplinar

Embora a identificação de sistemas petrolíferos não seja o objetivo central, ela deve surgir como consequência do aprofundamento dos estudos.

“A identificação dos sistemas petrolíferos é consequência do estudo e entendimento da Bacia do Marajó”, explicou Silveira.

O projeto utiliza tecnologias avançadas, como sismoestratigrafia com inteligência artificial, métodos geofísicos (gravimetria e magnetometria) e análises geocronológicas complexas. Também inclui bioestratigrafia, mineralogia e interpretação de perfis de poços, compondo uma abordagem multidisciplinar.

Essa combinação, segundo o diretor, “garante uma carta estratigráfica robusta e apta a subsidiar futuras decisões exploratórias na Margem Equatorial”.

Parceria fortalece conhecimento regional

A participação da UFPA é considerada estratégica, especialmente pelo acúmulo de conhecimento regional sobre a bacia. A universidade contribui com grupos de pesquisa experientes em temas como estratigrafia e evolução tectônica.

“A UFPA tem apoiado diretamente a equipe do SGB ao colocar à disposição seus grupos de pesquisa, que acumulam décadas de experiência no estudo geológico dessa bacia”, destacou Silveira.

A cooperação também se estende a outros projetos na Margem Equatorial, fortalecendo a integração científica entre instituições.

Impactos econômicos e ambientais

Os resultados do estudo podem ter impactos diretos no desenvolvimento econômico do Pará e da Amazônia. A identificação de recursos minerais e energéticos pode atrair investimentos e gerar empregos, além de aumentar a arrecadação por meio de royalties.

Silveira ressalta que os benefícios vão além da exploração econômica. “O conhecimento geológico produzido pode ser utilizado para múltiplas aplicações”, afirmou. Entre elas, ele cita a gestão de aquíferos, o planejamento territorial e o suporte a políticas públicas.

Segundo o geólogo, os dados gerados poderão orientar decisões sobre concessões minerais, uso de recursos hídricos e licenciamento ambiental, contribuindo para uma gestão mais eficiente e sustentável dos recursos naturais da região.

Visão estratégica e combate à pobreza

A decisão da Petrobras de investir na Bacia do Marajó ganhou repercussão entre parlamentares paraenses, que veem na iniciativa tanto uma oportunidade econômica quanto um desafio de planejamento e governança para a região.

Para o senador Beto Faro (PT-PA), o investimento vai além de um estudo técnico e pode representar uma inflexão no desenvolvimento regional.

image Senador Beto Faro (PT-PA) (Jefferson Rudy/Agência Senado)

Segundo ele, “trata-se de um gesto estratégico que reposiciona a região no mapa energético nacional e, potencialmente, no debate sobre a superação da pobreza estrutural”. O parlamentar ressalta que o projeto, ainda em fase de produção de conhecimento, pode abrir caminho para uma nova fronteira econômica caso sejam identificados recursos viáveis.

Faro chama atenção para o baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Marajó e pondera que a existência de recursos naturais não garante, por si só, melhorias sociais.

“Governança, planejamento e capacidade institucional serão determinantes”, afirma. Ele também destaca que a iniciativa está alinhada à agenda de soberania energética do país, especialmente em um cenário internacional instável.

Investimento tardio e necessidade de avançar

Já o deputado federal Joaquim Passarinho (PL) avalia que o investimento chega com atraso diante do potencial já conhecido da região.

“Esse investimento da Petrobras chega atrasado. A Bacia do Marajó há muito tempo já apresenta indícios de ser promissora para petróleo. No meu Pará, não podemos continuar perdendo oportunidades enquanto outras regiões avançam”, declarou.

O deputado também destacou a importância estratégica do petróleo no contexto atual. “Sabemos que o mundo discute a transição energética, mas a realidade é que, pelos próximos anos, ainda vamos depender do petróleo”, afirmou, acrescentando que novos investimentos são essenciais para garantir a segurança energética do Brasil.

image Deputado Joaquim Passarinho, presidente da FPE, discursa na Câmara Federal, em Brasília (Foto: Luís Macedo | Câmara dos Deputados)

Sobre os impactos, Passarinho defende que desenvolvimento e preservação devem caminhar juntos. “Desenvolvimento econômico e preservação ambiental não são opostos. Uma coisa depende da outra”, disse. Ele reforça que o avanço deve respeitar o meio ambiente e as populações locais, sem travar oportunidades econômicas.

Potencial econômico e desenvolvimento sustentável

O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) também vê o investimento com otimismo, destacando a necessidade de um projeto estruturado para o Marajó.

“O arquipélago do Marajó necessita de um projeto estruturado de desenvolvimento que seja capaz de impulsionar a economia local e melhorar as condições de vida da população”, afirmou.

Ele lembra que já existem estudos antigos indicando a possibilidade de petróleo na região e acredita que a iniciativa pode atrair novos investimentos.

image Senador Zequinha Marinho discursa no Congresso. (Foto: Marcos Oliveira | Agência Senado)

Marinho também relaciona o tema ao fortalecimento de outras atividades econômicas, como a agricultura familiar, citando iniciativas como o Pronaf Marajó.

“Vejo esse investimento com expectativa positiva, na esperança de que ele atraia novos recursos, gere oportunidades e possibilite a introdução de novas cadeias produtivas”, declarou.

Ao abordar impactos econômicos, o senador mencionou o exemplo da Guiana, que registrou forte crescimento com a exploração de petróleo. No campo ambiental, ele destacou a capacidade técnica da Petrobras. “A Petrobras reúne condições para conduzir a exploração de forma segura e responsável, conciliando o aproveitamento econômico dos recursos naturais com a proteção ambiental”, disse.

Petrobras solicita ao Ibama autorização para novos poços na Margem Equatorial e avança em campanha na Foz do Amazonas

A Petrobras informou, no começo de abril, que encaminhou ao Ibama os dados solicitados para obter autorização para perfurar mais três poços no bloco FZA-M-59, localizado na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira. A medida faz parte do processo de licenciamento ambiental da campanha já em andamento.

De acordo com a estatal, esses três poços já estavam incluídos no escopo original do licenciamento do bloco FZA-M-59, conforme esclarecido ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A campanha exploratória nesse bloco teve início com a perfuração do poço Morpho, em outubro do ano passado. No entanto, as atividades foram suspensas em 4 de janeiro após o vazamento de um fluido biodegradável. Os trabalhos só foram retomados em meados de março.

Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a exploração do poço Morpho deve ser concluída cerca de um mês e meio depois do prazo inicialmente previsto, com término estimado para meados de junho deste ano.

 

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Economia
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM ECONOMIA

MAIS LIDAS EM ECONOMIA