Páscoa impulsiona pequenos empreendedores e prevê crescimento de até 5% no varejo em Belém
Produção de chocolates artesanais cresce, enquanto setor projeta aumento nas vendas e enfrenta alta nos custos
A proximidade da Páscoa tem movimentado pequenos empreendedores de Belém que atuam na produção de itens à base de chocolate. Considerada uma das datas mais importantes para o setor, a celebração tem impulsionado a organização da produção, o aumento das encomendas e a definição de estratégias para lidar com a alta no custo de insumos.
Para a empresária Silvia Oliveira, o período exige planejamento antecipado e atenção redobrada à demanda. Segundo ela, a preparação para este ano começou com intensidade, envolvendo desde a organização do estoque até a diversificação dos produtos. “A Páscoa é uma das datas mais importantes para a nossa loja. Estamos organizando a produção com bastante cuidado para atender bem os clientes”, afirma.
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A procura, de acordo com a empreendedora, já começou a crescer semanas antes da data. As encomendas antecipadas têm sido fundamentais para dimensionar a produção e evitar desperdícios. Entre os itens mais buscados estão ovos de Páscoa, bombons recheados, pirulitos de chocolate, caixas para presente e kits personalizados, que seguem como preferência entre os consumidores.
Outro ponto destacado é o impacto do aumento no custo de matérias-primas (O Liberal/ Wagner Santana)Apesar da variedade, os preços são pensados para atender diferentes perfis de clientes. Silvia explica que os valores variam conforme o tamanho e o tipo de produto, com foco em manter opções acessíveis sem comprometer a qualidade. A expectativa para este ano é positiva. A empresária acredita que as vendas podem superar o desempenho da Páscoa anterior, período em que já houve crescimento expressivo. Em comparação com meses comuns, o faturamento pode registrar aumento de até 300%, segundo estimativa da empreendedora.
Custos mais altos e estratégias de adaptação
Outro ponto destacado é o impacto do aumento no custo de matérias-primas. Ingredientes como chocolate, recheios e embalagens tiveram reajustes recentes, o que exige maior controle financeiro. “Esse aumento exige mais planejamento para manter a qualidade e, ao mesmo tempo, oferecer preços que caibam no bolso do cliente”, explica a empresária.
O cenário é semelhante para outros empreendedores do setor, ainda que com estratégias distintas. O produtor Matheus Lemos também relata um período de preparação antecipada, com início das encomendas ainda no começo de fevereiro, após a divulgação dos primeiros produtos. Neste ano, ele aposta em itens mais exclusivos, com foco em diferenciação.
Ovo de chocolate artesanal “Céu de Amor”, recheado com brownie e doce de leite, comercializado por Matheus Lemos (Reprodução/ Arquivo pessoal/ Matheus Lemos)Entre os produtos mais procurados estão cascas de chocolate com acabamento artístico, feitas com manteiga de cacau e corantes específicos para confeitaria. Um dos destaques é o chocolate meio amargo com caramelo salgado e castanha-do-pará, que tem apresentado maior aceitação entre os clientes. Os preços, nesse caso, variam entre R$ 99,90 e R$ 109,90.
Diferentemente de estratégias voltadas ao aumento de volume, Matheus afirma que optou por reduzir a quantidade produzida e investir na exclusividade. Cada produto é confeccionado de forma única, com acabamento personalizado. “Neste ano, a ideia é valorizar o produto pela exclusividade, já que nenhum ovo sai exatamente igual ao outro”, afirma.
Mesmo com uma expectativa de crescimento mais moderada, estimada em cerca de 30% em relação a períodos comuns, o empreendedor também aponta desafios relacionados ao custo dos insumos. O chocolate, principal matéria-prima, registrou forte alta, com o quilo chegando a valores elevados, o que impacta diretamente a formação de preços.
Varejo aposta em crescimento moderado e diversificação
Além do segmento de chocolates, o comércio de Belém como um todo também projeta um cenário positivo para o período. Segundo Edson Nogueira Souza, gerente de Relacionamento e Marketing e integrante do time de comunicação da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Belém, a Páscoa tem caráter multicategorial e vai além da venda de chocolates. A expectativa do setor é de crescimento entre 3% e 5% em relação ao ano passado, em um cenário de “otimismo cautelar”. “A Páscoa é a primeira grande data do calendário comercial após o Carnaval e serve como um termômetro para o primeiro semestre”, destaca.
Entre os segmentos beneficiados, destacam-se os setores de tecidos e aviamentos, impulsionados por produções religiosas como cantatas e encenações; artigos de decoração, com aumento na procura por itens para mesas e eventos; e vestuário, motivado pela tradição de renovação de roupas durante celebrações religiosas. No caso do chocolate, o Pará se destaca como produtor de cacau de alta qualidade, o que fortalece a procura por produtos regionais e artesanais. Além disso, itens complementares como pelúcias, cestas e brinquedos contribuem para elevar o valor médio das compras.
O período também impacta positivamente a economia local, com a geração de empregos temporários, principalmente para reforço de equipes em supermercados e lojas, e o aumento do fluxo de consumidores em centros comerciais e shoppings. A tendência é de crescimento gradual no movimento até o domingo de Páscoa.
Para o representante da CDL, os lojistas devem investir em estratégias para melhorar a experiência de compra. “É importante criar promoções, apostar na personalização e facilitar a jornada do cliente”, avalia. Ele acrescenta que a data envolve diferentes perfis de consumo e reforça o papel do comércio local. “A Páscoa em Belém é uma data de celebração completa, que atende tanto quem busca chocolate quanto quem investe nas tradições religiosas e familiares”, conclui.
*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia
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