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Parlamentares querem revisão do acordo europeu com o Brasil

Em visita à Santarém, deputados sobrevoaram áreas de devastação na Amazônia

Fabrício Queiroz

A delegação de três parlamentares europeus que esteve no Brasil para colher informações sobre as exportações para a União Europeia e seus impactos sobre aspectos como o desmatamento, o clima, a biodiversidade e os direitos humanos encerrou sua passagem pelo Pará nesta quinta-feira, 21. Os deputados Anna Cavazzini, Claude Gruffat e Michèle Rivasi, que compõem a frente ambientalista no Parlamento Europeu, estiveram em Santarém, no oeste paraense, desde o último domingo.

Na região, os parlamentares tiveram uma extensa agenda de encontros com lideranças indígenas, ONG’s, cientistas, centrais sindicais e outros movimentos populares. A passagem do grupo discreta, mas, em suas redes sociais, eles publicaram imagens de um sobrevoo para observar o estado de preservação da floresta e a perda da vegetação.

Em um vídeo, Claude Gruffat mostrou áreas em que avançam a agricultura, segundo ele, com uso de agrotóxicos, além de clareiras onde ocorre a extração de ouro e o uso de mercúrio, que contamina toda a cadeia alimentar. “Na Amazônia pude contemplar a imensidão da floresta amazônica, sua beleza e sua generosidade. Mas também pude ver com meus próprios olhos a destruição muito rápida desse ambiente tão precioso para os nativos, para a biodiversidade e para toda a humanidade”, afirmou.

A mobilização ocorre diante da expectativa de que o Parlamento Europeu vote em setembro uma nova legislação que visa impedir a importação de produtos, cuja origem seja de áreas onde ocorreu algum tipo de devastação. Os parlamentares também vieram em busca de subsídios para ajustar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul no sentido de promover garantias à prevenção do desmatamento.

“O que mais me marcou é o fato de que há muitas ameaças nessas comunidades. Todas nos falaram que estão sob uma enorme pressão, desde a perda de demarcação de terras até a invasão pelo agronegócio”, relatou Anna Cavazzini em entrevista à O Liberal, acrescentando que há entendimento de que os termos do acordo necessitam de revisão. “Eu creio que exportar mais agrocommodities do Brasil para a Europa, sem impor nenhuma obrigação pelo meio ambiente, esse acordo pode acabar acelerando essa situação perigosa na Amazônia e em outros ecossistemas no Brasil. Acho que precisamos renegociar o texto”, frisou a deputada, que é vice-presidente da delegação do parlamento europeu para as relações com o Brasil e negociadora do partido Verde sobre o acordo comercial com o Mercosul.

Na manhã desta quinta, o último compromisso dos parlamentares em Santarém foi um encontro com o deputado federal Airton Faleiro (PT), que relata que a delegação demonstrou grande preocupação com as recentes ofensivas do presidente Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral brasileiro, bem como com o que viram e ouviram sobre a devastação da floresta, a mineração ilegal e a invasão de terras indígenas.

Faleiro afirma, no entanto, que tentou construir uma via de diálogo para que os eurodeputados compreendessem também as especificidades de algumas atividades. “Nós não podemos demonizar todo o setor produtivo. Temos que fazer uma distinção entre o setor que trabalha com preocupações socioambientais e os demais. Não dá para generalizar”, disse o deputado, pontuando que buscou ressaltar as potencialidades das alternativas econômicas para a região.

“Muitas vezes quem vê de fora olha muito o ambiental e esquece do social. Nós queremos uma política socioambiental, que possamos trabalhar com a bioeconomia, com o fortalecimento de atividades que explorem de forma racional os recursos da biodiversidade, mas que cuide também das comunidades. Foi uma reunião muito produtiva para pensarmos na produção de alimentos mais saudáveis”, destaca o deputado federal.

Economia
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