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Período de pandemia impulsiona procura por personal trainer

Demanda por profissionais de educação física que atendem de forma individual está aquecida diante da necessidade de recuperação sem sequelas

Natália Mello

Especialistas em mercado de trabalho vêm indicando quais são as tendências nos mais diversos setores da economia brasileira a partir deste ano. Uma profissão que ganhou espaço durante a pandemia da covid-19 foi a de educador físico. Com as sequelas deixadas após a infecção do coronavírus e os estudos apontando sintomas mais leves para os praticantes de exercícios físicos, academias de Belém despontaram como essenciais e batalharam pelo direito de ficarem abertas após dois lockdowns. No período em que os centros de musculação ficaram fechados, um nicho ainda mais particular cresceu: o dos personais trainers.

Nos boxes de crossfit, nas academias de musculação ou até mesmo nos grupos de corrida de rua, o atendimento personalizado tem sido uma busca frequente das pessoas em Belém. Wilson Neto tem 27 anos e dá aulas da modalidade esportiva crossfit, mas também é o que se chama nesse mercado de personal coach. Depois de enfrentar o fechamento do box em que atua por mais de três meses em 2020, ele passou a perceber uma demanda grande de alunos buscando por saúde e, ainda no primeiro ano da pandemia, decidiu fazer dois cursos para oferecer outro tipo de atendimento.

“Diante da pandemia, aumentou muito a procura. Em 2019 eu tinha quatro atendimentos, e em 2020 passei para sete. Devido as pessoas ficarem em casa por muito tempo, aumentou o sedentarismo, a ansiedade e a depressão. Aí consegui me organizar em 2020 e fiz dois cursos. Ano passado já passei para 15 atendimentos de personal. Já em 2021 fiz outros quatro cursos e a intenção é essa, me capacitar para poder atender melhor os alunos. Quando eles vêm procurar a gente, eles vêm em busca de segurança, então precisamos ter conhecimento para passar isso para eles nas aulas”, explica.

O atendimento personalizado tem sido uma busca dos clientes (Tarso Sarraf/ O Liberal)

Wilson conta que chegou a investir R$ 15 mil nos cursos no ano passado, sem levar em conta os custos com passagens, hospedagem e despesas com alimentação. “Quando o aluno procura a gente, está procurando um treino especializado, para atender às suas necessidades e objetivos. Quando trabalhamos na turma, essa atenção, algumas vezes, não é tão próxima. Com o personal podemos visualizar melhor os erros nos movimentos e os objetivos de cada um, corrigindo tudo a partir de um treino específico para ele”, declara.

A profissional de marketing digital Bianca Ramos contratou os serviços do personal Wilson Neto após a reabertura das academias, em julho de 2020, e desde então não parou mais. Praticante de atividade física desde criança, ela revela que a pandemia e o isolamento, como para muitos, trouxeram consigo algumas dificuldades de manter a mente sã. Desta forma o exercício físico com um coach é o que a ajudou a voltar para os treinos e manter a motivação.

“Comecei a procurar um profissional capacitado para continuar mantendo a qualidade de vida que sempre prezei tanto, seja física ou mental, que foi uma das coisas que muito precisei durante esse período difícil. Acredito que o principal para mim, hoje, que já sofri com crise de ansiedade, é ter ali alguém me incentivando e me apoiando a continuar essa vida saudável que eu recomendo. Todos deveriam ter essa vida saudável porque faz muita diferença”, pontua.

Também professor de educação física e coach de crossfit, João Muniz, de 28 anos, é outro exemplo de quem investiu alto em cursos na área de atuação nos últimos dois anos. O educador físico conta que o aumento da procura pelo atendimento personalizado por parte dos alunos foi um impulso a mais para essa capacitação. “O retorno das atividades trouxe essa promoção de saúde. Então teve um aumento significativo na procura por personal, porque muitos não sabem como fazer o exercício. Depois do primeiro lockdown procurei investir e fazer cursos tanto para a minha área, que é educação física, quanto para a área pessoal. Esse aumento de personais me fez buscar algo a mais para estar disponibilizando para meus alunos”, afirma.

Personalização

João revela que o primeiro impulso das pessoas, ao procurá-lo, é pela estética, mas, durante os treinos e a evolução de cada um, há uma mudança de paradigma. “É quando a parte fitness e a psicológica se atrelam e muita gente acaba mudando essa concepção. E o atendimento personalizado, como o nome diz, leva em conta a idade, o peso, a estatura de cada um, o que interfere em todo o processo de montagem de treino. Tudo é preparado para atender melhor a pessoa, da forma mais correta, até para prevenir lesões”, conclui.

A advogada Mayara Martin aderiu aos serviços de personal do João antes da pandemia, por acreditar que o acompanhamento de um profissional é uma motivação extra, embora também goste da prática de atividade física em grupo. “No treino individualizado o professor foca no meu objetivo, no que eu espero da atividade. O meu horário é curto, acabei de ter uma bebê, então, sem dúvida, motiva muito”, diz. Por ser atendida de forma individual e conseguir encaixar em uma hora específica da sua agenda e com os resultados que deseja, ela acabou levando o marido, o administrador e empresário Felipe Martin, a fazer também a atividade com o mesmo personal.

“Comecei depois que reabriram as academias, porque tenho uma vida diária corrida e fiquei com o horário muito apertado para fazer atividade, apesar de gostar muito. Então o personal consegue intensificar esse período de uma hora para uma boa prática de exercícios, aí volto a tocar minha vida”, concluiu Felipe.

Personal de corrida também ganha espaço 

Elza Leite tem 49 anos e atua há três décadas como educadora física. Destes, 22 anos em escola, como professora de natação, além de hidroginástica em clubes e prédios. Atualmente ela possui uma assessoria de corrida de rua, onde atende vários perfis de alunos, desde os que buscam preparação para corridas de longa distância, até classes especiais, que são pessoas com lesões e algumas comorbidades, como artrite reumatoide.

A busca pelo atendimento personalizado ao ar livre também cresceu, segundo Elza. “Quando iniciou a pandemia, a procura pela assessoria de corrida aumentou muito, até pelo online, porque as pessoas necessitavam de atividade e vinham de uma rotina forte de exercício. A partir daí quiseram fazer o online, já que na época não era permitido ao ar livre. Então gravamos vídeos para fazerem em casa e se manterem bem física e psicologicamente. Com a retomada das academias, o grupo aumentou, e um dos fatores foi a sequela das pessoas que tiveram covid-19, porque necessitam de um trabalho personalizado para tratar essas sequelas”, aponta.

A professora de educação física Elinor de Vilhena, de 53 anos, é coordenadora de uma academia localizada no bairro da Pedreira, e também é mais uma das educadoras que tiveram uma crescente na busca pelo seu trabalho. Há 25 anos atuando na área, ela reforça que não deixa de dar aulas no salão da academia e acrescenta, inclusive, que essa é a melhor vitrine para os profissionais. “O trabalho na academia vai servir como uma vitrine para um futuro contato de um personal. As pessoas, cada vez mais, escolhem e olham a atividade física como saúde, então nós, que trabalhamos na área da saúde, passamos a ser mais vistos. Por isso a procura por personal aumentou consideravelmente depois que as academias reabriram, porque a covid trouxe uma preocupação maior com a saúde”, diz.

Elinor compartilha a opinião com os colegas de profissão entrevistados na reportagem que a saúde passou a ser um ativo indispensável da sociedade que convive com uma pandemia. “Porque não é só a saúde física. Sempre digo para os meus alunos que personal é investimento, é o profissional que vai cuidar da saúde do corpo e da mente do cliente, e acaba sendo um pouquinho psicólogo, amigo, confidente, então aliando tudo isso, o aluno, acaba criando um vínculo de amizade, de compromisso, porque sabe que tem alguém esperando por ele naquela hora, que vai estar cobrando resultado dele, e o aluno acaba se tornando disciplinado. Ele gosta dessa experiência de ter alguém motivando ele”, finaliza.

Economia
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