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O que sai mais barato em Belém: comprar ou alugar carro?

Trabalhadores de aplicativos levam em conta pagamento de revisão e manutenção

Elisa Vaz

Os gastos com veículos estão cada vez maiores para o bolso dos consumidores. Com a escalada da inflação, provocada por questões econômicas e pela pandemia da covid-19, boa parte dos serviços e produtos que envolvem um veículo ficou mais cara, e motoristas passam a dar preferência para o aluguel de carros no lugar da compra, a fim de evitar gastos com revisão, manutenção, seguro, impostos e outras necessidades que todo automóvel tem.

O próprio preço dos veículos é um exemplo: o que antes era considerado um carro popular já não se insere no orçamento de muitas famílias. Uma reportagem do site Terra mostra que a nova geração do Ônix subiu quase R$ 28 mil desde o seu lançamento – em dois anos e meio, até abril deste ano, passou de R$ 48,4 mil para R$ 75,2, uma alta de 57,33%. No Pará, este foi o modelo que mais foi vendido entre janeiro e julho: um total de 782 até o momento, aponta o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos (Sincodiv).

O combustível segue a tendência. Apenas em doze meses, de maio de 2021 a maio de 2022, a gasolina tinha ficado 29,63% mais cara no Pará, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Seguros e outros serviços e produtos necessários para a manutenção de um carro também ficaram mais caros.

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Sócia-proprietária de uma oficina em Belém, Josianny Rusef diz que, pelo fato de muitas montadoras terem parado as linhas de produção devido à pandemia, a oferta de carros novos nas concessionárias diminuiu bastante, e esse desequilíbrio entre a oferta e a procura acabou puxando os preços para cima. Junto a isso vem embutido o aumento dos valores das peças, da mão de obra e dos serviços que devem ser feitos de tempos em tempos.

Ao alugar um carro há a vantagem de que alguns custos ficam com a empresa, como manutenção (Sidney Oliveira / O Liberal)

Manutenção do sistema de injeção eletrônica ficou cara

Um exemplo de serviço que ficou mais caro é a manutenção do sistema de injeção eletrônica do veículo, que inclui troca de filtro, vela e limpeza de bico, que deve ser feita pelo menos duas vezes ao ano, segundo Josianny. O custo dessas manutenções depende muito do modelo do veículo, diz ela. Se for um carro popular sai, em média, de R$ 400 a R$ 600, enquanto um carro de porte maior teria um custo médio de R$ 1.000 a R$ 1.200.

Outros serviços que também devem ser feitos são a limpeza no sistema de arrefecimento, drenagem, troca do óleo do hidráulico, rodízio de pneu, calibragem, troca de filtro da cabine do ar-condicionado e mais. Tudo isso ajuda no bom funcionamento do veículo, no bom rendimento e na economia de combustível. O custo é um pouco mais baixo. Por exemplo, a limpeza no sistema de arrefecimento sai a uma média de R$ 70.

Há ainda os gastos com serviços em decorrência de acidentes, que podem acontecer no trânsito das cidades. Esses, de acordo com a profissional, podem ser um pouco mais caros, como é o caso dos faróis, lanterna e para-choque. “Em muitos casos, o cliente tem que arcar com a despesa do veículo dele e do veículo da outra pessoa envolvida no acidente. Para esse tipo de serviço é difícil estabelecer um preço fixo assim, porque cada caso tem sua particularidade; dependendo da batida, a manutenção pode ser barata ou se tornar bastante cara”, afirma.

Josianny vê vantagem nos dois lados: quem aluga carro deixa de se preocupar com essas despesas, e quem tem carro próprio tem mais independência. Nos dois casos, ela recomenda que o motorista tenha uma boa postura na direção, passando as marchas no tempo certo para gerar economia de combustível, fazer manutenções em dia e dirigir com atenção e responsabilidade, evitando acidentes de trânsito e prejuízos com o veículo.

Aluguel pode ser solução?

Embora muitos serviços tenham ficado mais caros para os motoristas, o segmento de aluguel de veículos nem sempre segue a mesma lógica. Russef também é sócia-proprietária de uma locadora de carros em Belém e diz que o setor não seguiu os patamares de aumento de preços dos veículos. “Desde a pandemia, que teve início no ano de 2020, o veículo zero teve uma variação nos valores de compra de, em média, 90% a 150%. De um modo geral, o mercado de locação teve variações apenas entre 20% e 80%, porque o usuário não tem como absorver esse impacto dos dois anos de pandemia, que desordenaram a economia em todos os segmentos”, comenta.

No estabelecimento, a diária para carros na categoria econômica custa a partir de R$ 130. Já os pacotes mensais direcionados para motoristas de aplicativos têm preço variável de R$ 2.200 até R$ 3.500, dentro de uma condições de variáveis a serem consideradas. Pela experiência da proprietária, os aluguéis para períodos maiores tendem a ser mais para contratos com o poder público, já que o custo de frota própria se apresentou inviável financeiramente.

Os tipos de motoristas – que vão trabalhar ou não com o carro – não interferem no preço, mas sim o uso daquele bem. Ou seja, a quilometragem é um fator a ser considerado, o modo de uso e por qual objetivo o motorista teve a intenção de locar o veículo. “Muitas vezes, as informações de nossos atendentes são decisivas para que ele mude de categorias de veículo a ser locado. Todas as variáveis interferem no preço, mas geralmente, depois de orientado por nosso pessoal, que tem conhecimento, o custo tende a ser menor”.

Os custos da manutenção, emplacamento e desgaste natural ficam por conta da empresa. E, em caso de acidente de trânsito, a locadora tem seguro, mas, dependendo do evento de sinistro até o limite da franquia, existe coparticipação a ser avaliada. A responsabilidade, nesse caso, é do usuário, assim como as multas de trânsito e o que for avaliado por mal uso, que não faz parte do uso correto do veículo para o que foi contratado.

“A vantagem da locação de veículo é a despesa fixa de manutenção, emplacamento e seguro com franquia. Você usa e troca de modelo, cor e categoria quando quer. Quando você opta por alugar um carro, faz opção pela comodidade, sabendo que existe uma empresa por trás do usuário do veículo que tem competência para resolver todas as necessidades para que o veículo esteja em condições de uso”, garante a empresária.

Motorista prefere aluguel

É fato que a opção pelo carro alugado tem se tornado uma tendência. Quem aderiu à modalidade foi o motorista de transporte por aplicativo Wesley Melo, de 31 anos, que trabalha há cerca de quatro anos com um veículo alugado. Logo no início, quando entrou nessa profissão, usou carro próprio, mas fez a troca por achar que carros novos são mais bem avaliados nas plataformas e, pagando uma taxa, é possível fazer a constante troca de carro, sempre atualizando o modelo. A opção é sempre trocar quando atingir o limite de quilometragem.

“Eu tinha carro próprio junto com a minha ex-esposa e, mesmo assim, optei por alugar. Ela ficava com um carro, que usaríamos menos por causa da quilometragem, e com o alugado fazíamos outras coisas. A vantagem, além de estar sempre com um carro novo, é não pagar a manutenção. Você tem pneu para trocar, chega lá e troca; se o ar-condicionado quebrou ou acontecer qualquer coisa no carro referente à mecânica, a locadora arca com essa manutenção. Então, toda vez que eu tinha algum problema, ia lá e falava qual serviço precisava e eles faziam, não tinha nenhum empecilho ou burocracia, e era rápido. Nunca fui cobrado”, comenta.

Para ter um carro próprio e usá-lo nas corridas de aplicativo, Wesley acha que o motorista deve ter uma boa reserva para eventuais custos de manutenção, porque, se não tiver o dinheiro, vai ficar sem as corridas. O trabalhador afirma que só optaria por um carro próprio se a parcela fosse baixa, porque ainda teria que pagar seguro e a soma das despesas, que daria uma média de R$ 1.200 mensais, na conta dele.

“No carro alugado, eu pago R$ 2 mil por mês, mas não tenho custo nenhum com IPVA, licenciamento, manutenção. Quem tem carro próprio precisa pensar em tudo isso, principalmente se rodar em aplicativo, porque vai ter dificuldade de pagar uma parcela alta. Ainda tem a questão das corridas, porque você tem que fazer uma boa triagem de corridas para trabalhar. São vários obstáculos até você chegar no seu lucro”, finaliza. Com o carro próprio, ele pagava uma parcela de R$ 450 todo mês, o IPVA no valor de R$ 1.100 por ano e fazia manutenção a cada três meses, com valores variados.

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