Mineração no Pará movimenta US$ 8,7 bilhões em exportações no primeiro semestre de 2026
Setor mineral respondeu por 66,7% das exportações paraenses entre janeiro e junho; arrecadação de CFEM chegou a R$ 1,49 bilhão e saldo de empregos foi de 963 vagas
A mineração no Pará movimentou US$ 8,7 bilhões em exportações no primeiro semestre de 2026, alta de 23,5% em relação ao mesmo período do ano passado. O setor respondeu por 66,7% de tudo o que o Estado exportou entre janeiro e junho. Os dados fazem parte de levantamento do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), publicado na 75ª edição do Simineral ON.
O crescimento foi puxado principalmente pelo cobre. Segundo o levantamento, as exportações do metal aumentaram cerca de US$ 1,2 bilhão na comparação com o primeiro semestre de 2025. Com isso, o Pará respondeu por 99,77% das exportações brasileiras de cobre no período.
No conjunto da mineração, o Estado foi responsável por 34,6% das exportações minerais brasileiras nos primeiros seis meses do ano. A China permaneceu como principal destino, absorvendo 46,6% das vendas externas de minerais paraenses, o equivalente a cerca de US$ 4 bilhões.
Para o presidente executivo do Simineral, Emerson Rocha, os resultados mostram avanço não apenas nas exportações, mas também na geração de empregos no Estado: “Os números confirmam que a mineração paraense segue em trajetória de crescimento consistente. Avançamos em exportações, em arrecadação de CFEM e, principalmente, na geração de empregos formais, o que mostra que esse resultado chega ao território e à vida das pessoas”.
FEM chega a R$ 1,49 bilhão no Pará
A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) no Pará somou R$ 1,49 bilhão no primeiro semestre, crescimento de 3,5% em relação ao mesmo período de 2025.
O minério de ferro continuou como principal fonte da arrecadação, com 68,7% do total, embora tenha registrado queda de 5% no período. O cobre, por outro lado, apresentou alta de 45,8% na arrecadação e passou a representar 21,8% da CFEM recolhida no Estado.
Entre os municípios, Canaã dos Carajás concentrou R$ 660,4 milhões, o equivalente a 44,2% da arrecadação estadual no período. O município registrou crescimento de 8,7% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Tucumã e Curionópolis tiveram os maiores avanços percentuais entre os municípios destacados no levantamento, com altas de 144,5% e 114,9%, respectivamente. Marabá teve crescimento de 28,9%, enquanto Parauapebas apresentou queda de 20,6%.
Mineração gera 963 empregos formais
O mercado de trabalho também apresentou crescimento no setor mineral paraense. A indústria extrativa mineral registrou saldo líquido de 963 empregos formais no primeiro semestre de 2026, alta de 62,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
A maior parte das novas vagas veio da extração de minerais metálicos, que registrou saldo de 872 empregos.
Em junho, o estoque de vínculos formais na indústria extrativa mineral do Pará chegou a 30,2 mil trabalhadores, equivalente a 11,4% dos empregos formais do setor em todo o país.
Parauapebas concentrava 8.434 vínculos, seguido por Canaã dos Carajás, com 5.744, e Marabá, com 4.153. Juntos, os três municípios respondiam por 60,6% do emprego formal da indústria extrativa mineral paraense.
Pará concentra produção de minerais
O levantamento também apresenta dados consolidados da produção mineral. Em 2025, o Pará respondeu por 92,7% da produção nacional de bauxita, 75% do caulim, 73,5% do cobre, 58,4% do manganês e 36,9% do minério de ferro.
Em valor, as substâncias minerais selecionadas somaram R$ 103,6 bilhões no Estado em 2025. O minério de ferro representou R$ 66,3 bilhões, enquanto cobre e ouro tiveram os maiores crescimentos em valor, de 41,6% e 176,6%, respectivamente.
Carta Santarém reúne indicadores ESG
A 75ª edição do Simineral ON também apresenta os primeiros resultados da Carta Santarém, que deu origem ao Relatório ESG 2026 — Retrato da Mineração na Amazônia.
O documento reúne indicadores ambientais, sociais e de governança das operações minerárias da região. As informações foram reportadas voluntariamente por 10 empresas associadas ao Simineral e complementadas por bases públicas, como ANM, IBGE, Fapespa, Semas e SIGBM.
Segundo o Simineral, o relatório mostra que o Pará produziu mais de 300 milhões de toneladas de minerais em 2025, cerca de 27% da produção mineral brasileira em volume. O valor econômico dessa produção foi estimado em aproximadamente R$ 103 bilhões. Os investimentos sociais obrigatórios e voluntários das empresas associadas chegaram a R$ 2 bilhões no mesmo ano.
Anderson Baranov, presidente do Conselho Diretor do Simineral, afirmou que o relatório deve servir como uma base para o acompanhamento dos indicadores do setor. “A Carta Santarém é um ponto de partida. O que se apresenta aqui é a primeira leitura de um processo que deve se repetir e se aprofundar nos próximos ciclos”, afirmou.
A elaboração técnica do relatório foi conduzida pela Proactiva Results, com referências como GRI Standards, IFC Performance Standards, ICMM Mining Principles e GHG Protocol.
Congresso técnico reuniu mais de 250 participantes
Outro destaque da edição é o V Congresso Técnico do Simineral, realizado nos dias 5 e 6 de agosto, em Canaã dos Carajás. O evento reuniu mais de 250 participantes, 24 palestrantes e convidados e representantes de 77 instituições.
A programação teve quatro painéis, com discussões sobre desenvolvimento local, ouro responsável, licenciamento ambiental, segurança jurídica e minerais críticos e estratégicos.
O painel sobre minerais críticos e estratégicos foi apontado como o mais relevante pelos participantes, com 33,3% das respostas na pesquisa de satisfação. O debate sobre licenciamento, segurança jurídica e competitividade ficou em segundo lugar, com 25%.
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