IPCA-15 em Belém sobe 0,75% em maio e supera média nacional
Alimentação e bebidas impulsionam o índice na Região Metropolitana com alta mensal de 1,59% no bolso do consumidor paraense
O IPCA-15 em Belém, considerado a prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,75% em maio de 2026 na Região Metropolitana, superando a taxa nacional de 0,62% divulgada nesta quarta-feira (27). O avanço local foi impulsionado pelo encarecimento do grupo de alimentação e bebidas, que subiu 1,59% no mês. De acordo com dados analisados pela reportagem de O Liberal, a pressão inflacionária de curto prazo na capital é influenciada pelos hábitos de consumo regionais e por custos logísticos específicos.
No acumulado do ano, a inflação geral na Grande Belém atingiu 3,61%, ficando acima dos 3,02% registrados na média do país. Contudo, ao observar a janela mais longa de 12 meses, o índice nacional acumula alta de 4,64%, taxa levemente superior aos 4,37% verificados na capital paraense até o momento.
Alimentação pressiona o IPCA-15 em Belém
O segmento de Alimentação e Bebidas subiu 1,59% em maio na Região Metropolitana de Belém, superando a taxa nacional de 1,38% para o grupo. Em 2026, a alta acumulada dos alimentos na capital chega a 7,45%, representando quase o dobro da média do Brasil, que se fixou em 4,30%. Esse impacto é severo porque o grupo compromete 28,22% do orçamento das famílias locais, contra 21,64% na média do país, indicando menor renda média disponível na região. A alimentação no domicílio pesa 22,75 no índice regional e acumula elevação de 8,96% no ano.
"A inflação local acima da média nacional mostra que a carestia continua mais intensa na nossa região, principalmente porque a alimentação possui um peso muito maior no orçamento das famílias paraenses. Essa alta acumulada de 7,45% no ano evidencia problemas estruturais históricos da economia regional, como elevado custo logístico, forte dependência do transporte rodoviário e hidroviário e impactos climáticos do inverno amazônico", afirmou Everson Costa, supervisor técnico do Dieese no Pará.
Produtos típicos e hortifrutis registram variações de preço
Peculiaridades locais explicam parte das distorções do índice regional. O açaí teve queda mensal de 1,67% em Belém, mas acumula alta de 60,59% no ano. O fruto pesa 2,03 no índice da Região Metropolitana, um impacto mais de 20 vezes maior do que no cenário nacional, onde o peso é de 0,09. Os pescados registraram deflação de 1,97% no mês, mas acumulam alta anual de 5,74% na capital, superando a taxa de 3,96% do país, com peso local de 0,98 contra 0,18 nacional. Já itens como cenoura e tomate acumulam altas no ano de 93,16% e 52,10%, respectivamente.
"Embora o Pará possua enorme potencial hidrográfico e forte tradição pesqueira, os preços dos pescados continuam pressionados e acumulam alta acima da média nacional em 2026 devido a fatores econômicos, ambientais e logísticos. A atividade regional enfrenta elevados custos operacionais com combustível, transporte, armazenamento e gelo, além de dificuldades de escoamento no período de chuvas", explicou Everson Costa.
Custos de habitação e transportes apresentam variações
O grupo de Habitação subiu 1,22% em maio, superando o índice nacional de 1,03%. No acumulado do ano, porém, Belém registra deflação de -0,81%, indo na contramão da alta nacional de 1,49%, alívio associado ao comportamento moderado de custos administrados como a energia elétrica. Nos transportes, a variação mensal foi de -0,02%, mas o acumulado de 12 meses chega a 6,09% na capital, acima dos 4,21% do país. As passagens aéreas registraram alta de 5,15% em Belém no mês.
"A pressão persistente dos transportes em Belém possui impacto direto sobre o custo de vida e reflete os custos estruturais da mobilidade na região Norte. No caso das passagens aéreas, a alta de 5,15% amplia o custo de deslocamento, gerando um efeito em cadeia que encarece fretes e a logística, transformando-se em um vetor de inflação estrutural", concluiu o supervisor técnico do Dieese no Pará.
IPCA-15 — maio/2026
Índice geral
- Variação mensal: Região Metropolitana de Belém: 0,75% | Brasil: 0,62%
- Acumulado no ano: Região Metropolitana de Belém: 3,61% | Brasil: 3,02%
- Acumulado em 12 meses: Região Metropolitana de Belém: 4,37% | Brasil: 4,64%
Alimentação e Bebidas
- Variação mensal: Região Metropolitana de Belém: 1,59% | Brasil: 1,38%
- Acumulado no ano: Região Metropolitana de Belém: 7,45% | Brasil: 4,30%
- Acumulado em 12 meses: Região Metropolitana de Belém: 4,71% | Brasil: 3,50%
- Peso no índice: Região Metropolitana de Belém: 28,22% | Brasil: 21,64%
Alimentação no domicílio
- Acumulado no ano: Região Metropolitana de Belém: 8,96% | Brasil: 4,99%
- Peso no índice: Região Metropolitana de Belém: 22,75% | Brasil: 15,43%
Açaí
- Peso no índice: Região Metropolitana de Belém: 2,03% | Brasil: 0,09%
- Acumulado no ano: Região Metropolitana de Belém: 60,59% | Brasil: 60,59%
Pescados
- Peso no índice: Região Metropolitana de Belém: 0,98% | Brasil: 0,18%
- Acumulado no ano: Região Metropolitana de Belém: 5,74% | Brasil: 3,96%
Cenoura
- Acumulado no ano: Região Metropolitana de Belém: 93,16% | Brasil: 94,69%
Tomate
- Acumulado no ano: Região Metropolitana de Belém: 52,10% | Brasil: 73,82%
Habitação
- Variação mensal: Região Metropolitana de Belém: 1,22% | Brasil: 1,03%
- Acumulado no ano: Região Metropolitana de Belém: -0,81% | Brasil: 1,49%
- Acumulado em 12 meses: Região Metropolitana de Belém: 2,87% | Brasil: 6,25%
Transportes
- Variação mensal: Região Metropolitana de Belém: -0,02% | Brasil: -0,33%
- Acumulado em 12 meses: Região Metropolitana de Belém: 6,09% | Brasil: 4,21%
Passagem aérea
- Variação mensal: Região Metropolitana de Belém: 5,15% | Brasil: 3,25%
- Acumulado em 12 meses: Região Metropolitana de Belém: 46,18% | Brasil: 43,78%
Fonte: IBGE
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