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Inflação pesa sobre produtos consumidos no verão

Belém registra maiores variações de preços para bebidas e produtos de saúde e cuidados pessoais

Fabrício Queiroz

A chegada do verão amazônico traz consigo altas temperaturas combinadas com altas de preços em muitos itens consumidos nessa época. Pesquisas apontam que produtos essenciais nesse período, como bebidas, frutas e produtos de cuidados pessoais, também foram afetados pela inflação.

Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) indica que água mineral, refrigerantes, água de coco e frutas estão com valores maiores em comparação com o veraneio do ano passado. A garrafa de água mineral de 305 ml, por exemplo, pode ser encontrada com preços que variam de R$ 0,69 e R$ 0,90 nos supermercados. Nos bares e restaurantes, o mesmo produto varia de R$ 3,50 a R$ 4,50, enquanto que nos vendedores ambulantes o valor está entre R$ 3 a R$ 4.

Quem opta por refrescar o calor com outras bebidas pode pagar mais ainda. De acordo com o Dieese/PA, a agua de coco vendida nas praças e vias da capital custa entre R$ 5 e R$ 8, já os sucos de frutas encontrados nos supermercados e feiras livres tem valores que variam de R$ 4 a R$ 8, dependendo do local de venda. Por sua vez, as frutas também tiveram reajustes bem acima da inflação dos últimos 12 meses, como é o caso do quilo do melão e melancia, que aumentaram 96,15% e 55,93%, respectivamente. Laranja, abacate, goiaba e maracujá também seguiram a mesma tendência.

A alta dos preços no grupo da alimentação e bebidas também foi detectada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de junho, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do ano, o Brasil registrou variação média de 8,41% no segmento, com frutas tendo aumento de 11,65% e bebidas e infusões na ordem de 9,58%. Já em Belém, o índice geral do grupo ficou em 9,50%, com elevação de preços de 16,69% para as frutas e 24,42% para bebidas e infusões, a maior alta entre todas as 11 capitais pesquisadas pelo IBGE.

No bairro do Marco, nas proximidades do bosque Rodrigues Alves, a procura por água de coco é constante tanto por parte de consumidores que praticam atividades físicas no local quanto de motoristas e outros transeuntes que passam pela região. No ponto do ambulante Reinaldo Vasconcelos Souza, 48 anos, por exemplo, cerca de 700 cocos são vendidos semanalmente, mesmo com a recente alta dos preços.

“Teve um aumento há mais ou menos um mês que veio do nosso fornecedor e tivemos que passar para o valor aqui da venda. Antes vendíamos a R$ 5 e agora está R$ 6”, diz o vendedor que atua há 22 anos no ramo. Para ele, as temperaturas mais elevadas no veraneio não influenciam tanto na demanda pelo produto, cujo consumo deve se manter estável. “Nessa época das férias, muita gente sai da cidade, cai um pouco o movimento, mas a expectativa é ter sempre boas vendas”, destaca Reinaldo.

Demanda por produtos de verão está aquecida

Além da alimentação, outros produtos de amplo consumo no veraneio também tiveram impactos evidentes da inflação. O IPCA-15 mostra que a variação mensal dos preços dos produtos e serviços relacionados ao grupo saúde e cuidados pessoais em Belém foi de 0,56% no período ante ao índice geral que foi de 0,18%.

No acumulado do ano, a variação do IPCA-15 está no patamar de 5,41%, enquanto que os produtos e serviços da categoria específica subiram em média 8,91%. Em comparação com as outras 10 capitais pesquisadas, Belém registra a maior alta no segmento saúde e cuidados pessoais, superior inclusive à inflação acumulada nacionalmente neste ano, que está com variação de 6,28%.

Ainda de acordo com a pesquisa, o que mais contribuiu para a inflação nesse setor foi o reajuste nos preços dos planos de saúde, cujo aumento foi autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no final de maio. Quando se observa outras categorias de produtos e serviços do grupo, o IPCA-15 aponta que o comportamento dos preços na capital paraense também foi de alta. Os produtos óticos, por exemplo, acumularam alta de 7,27% no ano e os produtos de higiene pessoal já aumentaram 11,55% no período.

A empresária Lia Gomes é dona de uma ótica no município de Ananindeua e afirma que a elevação dos preços no setor tem se intensificado nos últimos dois anos. “Depois da pandemia teve mais aumento porque os oftalmologistas fechavam com as óticas e davam descontos de 50% nas consultas. Quando voltou as atividades, aumentou tanto as consultas que agora estão na faixa de R$ 100 a R$ 150, às vezes com um desconto de 10% ou 20%, quanto o valor das armações, lentes e graus”, diz.

Mesmo com a elevação geral de preços, Lia Gomes avalia que o movimento no mercado tem sido intenso e favorável aos lojistas. “Com as férias de julho aumenta a procura por óculos solares, principalmente para óculos com lente polarizada e com grau. São pessoas que já usam óculos no dia a dia para leitura e querem com essa especificação. Nós tivemos uma busca grande por esses óculos desde maio”, relata a empresária, que destaca que nesse período a principal procura é por óculos solares e lentes de contato, que tem valores diversos dependendo da marca escolhida pelo cliente. O conjunto das armações e lentes solares, por exemplo, tem valores que variam de R$ 400 a R$ 900. Já as lentes de contato podem ser encontradas em valores que vão de R$ 300 a até R$ 1.200.

Professora Dirce Silva está preocupada com gastos no verão, mas mantém planos para aproveitar as férias (Filipe Bispo / O Liberal)

A professora Dirce Silva, a inflação do veraneio é um fator de preocupação porque interfere muito no consumo. “O principal produto nesse período para mim são os bloqueadores solares que a gente precisa para poder enfrentar o verão. Infelizmente, a inflação está galopante e afeta todos os produtos. A alimentação na praia também está bastante cara. A gente chega a pagar R$ 120 em um prato de camarão. A gente tem que trabalhar e fazer uma boa economia para poder aproveitar as férias”, diz a professora que planeja visitar os municípios de Bragança e Salinópolis nesse mês.

Apesar do preço de muitos produtos pesarem no orçamento, o médico dermatologista Othelo Amaral recomenda não desconsiderar a importância de manter cuidados com a saúde e o corpo durante o verão. “Nos consultórios a gente observa que o cuidado com a pele em relação à exposição solar é maior atualmente, mas ainda tem essa sazonalidade. Nessa época, o número de consultas e a prescrição de dermocosméticos aumenta consideravelmente. Independente disso, é sempre importante manter cuidados principalmente com a proteção usando filtros com fator FPS acima de 30 e a hidratação, que é sempre fundamental”, ressalta o médico que é titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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