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Indústria de peixes e mariscos consolida ponte comercial entre Pará e Sul do Brasil

Fábrica processa sete toneladas diárias de espécies regionais no bairro do Tapanã para abastecer redes varejistas e restaurantes do país

Gabriel da Mota

A tradição familiar e o alto consumo local impulsionam o processamento diário de sete toneladas de produtos marinhos e de rios no bairro do Tapanã, em Belém. Com 30 anos de atuação, a empresa paraense Forte do Pescado abastece supermercados e grandes restaurantes na capital e em todo o interior do estado, no Amapá e no Maranhão, além de manter uma robusta rota de fornecimento logístico para Santa Catarina e a região Sul do país.

A distribuidora absorve a forte demanda de outros polos do Brasil por meio de bases estratégicas, promovendo o intercâmbio de produtos. "A empresa atende a diferentes perfis de consumidores, com presença consolidada tanto em Santa Catarina quanto na região de Belém. Aqui o paraense gosta de consumir mais as espécies regionais. A gente teve que fazer essa ponte comercial entre as regiões", explica Enzo Feitosa, sócio-proprietário. Aos 22 anos, ele administra a companhia ao lado do pai e do tio, dando continuidade às três décadas de consolidação do negócio.

image Enzo Feitosa, sócio-proprietário da Forte do Pescado (Igor Mota / O Liberal)

Produção

Para garantir o volume de distribuição nacional, a fábrica instalada na capital do Pará conta com 70 funcionários, que operam diariamente das 8h às 17h. "A indústria recebe o pescado nos caminhões próprios. A gente faz o descarregamento, o congelamento e armazena o excedente. São em torno de sete toneladas que vão diretamente para o processo de filetar, fazer a limpeza e arrumação até a embalagem", detalha Ana Júlia Barbosa, gerente de produção.

image Fábrica localizada no Tapanã, em Belém, recebe os carregamentos em frota própria e destina o pescado diariamente para grandes redes de supermercado e restaurantes da cidade (Igor Mota / O Liberal)

A preferência do consumidor define a linha de trabalho e o que será escoado para cada estado.

"A gente costuma trabalhar com os nossos peixes regionais, como a piramutaba, a dourada, a pescada amarela, o filhote e a gó, que são direcionados para as redes de supermercados e os grandes restaurantes", lista a gerente.

Enquanto os paraenses priorizam a gó com pele e a douradinha, a demanda enviada para o Sul do Brasil é mais voltada para tilápia e salmão.

image Ana Júlia Barbosa, gerente de produção da Forte do Pescado (Igor Mota / O Liberal)

Faturamento

Atualmente, a receita da companhia possui uma divisão consolidada: 50% das vendas vêm do camarão, 40% dos peixes e 10% dos demais mariscos. O camarão cinza, oriundo de cativeiro, tem sido a principal aposta comercial, uma vez que a variedade rosa é a mais afetada por oscilações naturais e períodos de reprodução.

Indústria de peixes e mariscos consolida ponte comercial entre Pará e Sul do Brasil

Essa estratégia de vendas ajuda a contornar uma queda geral de 30% na produtividade pesqueira registrada pelo setor nos últimos dez anos. Outra solução adotada pela gestão diante dos desafios do período de defeso foi o ajuste e o trabalho focado na gramatura dos produtos ofertados.

"O mercado de pescado está passando por desafios de safra e a produtividade tem caído um pouco. Mas o mercado continua bem rentável, até porque as pessoas consomem bastante na nossa região", conclui Enzo Feitosa.

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