Fiepa critica acordo entre Lula, Alcolumbre e Motta para votar fim da escala 6x1
Em comunicado, Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) afirma que “o futuro do Brasil não pode ser moeda de troca em acordos políticos às vésperas de uma eleição”
A Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) criticou, nesta quinta-feira (27), o acordo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para priorizar votações no Congresso Nacional. Entre as propostas está o fim da escala 6x1, que poderá ser analisado durante o esforço concentrado de 31 de agosto a 4 de setembro.
Em comunicado divulgado à imprensa, a Fiepa afirma que “o futuro do Brasil não pode ser moeda de troca em acordos políticos às vésperas de uma eleição”. A entidade acrescenta que decisões capazes de alterar empregos, salários, custos, investimentos e a competitividade do país “não podem ser conduzidas pela urgência das urnas nem pelo interesse circunstancial de governos, partidos ou lideranças políticas”.
Segundo a entidade, o cenário econômico exige cautela. A Fiepa cita “endividamento recorde das famílias, forte pressão financeira sobre empresas e o agronegócio, fechamento de indústrias e de empresas do comércio varejista” como sinais de insegurança para quem trabalha, produz, investe e gera empregos.
Escala 6x1
A PEC 221/2019 prevê o fim da escala 6x1, com redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, e dois dias de descanso. Pela versão aprovada pela Câmara, a mudança será gradual: a jornada cairá para 42 horas 60 dias após a promulgação e chegará a 40 horas depois de 12 meses.
A proposta foi aprovada em dois turnos na Câmara em maio e está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado desde 21 de agosto, sob relatoria do senador Omar Aziz (PSD-AM). Para avançar, ainda precisa de dois turnos de votação no plenário do Senado, com 49 votos em cada etapa.
A Fiepa afirma que não é contrária ao debate sobre jornada de trabalho. “A Fiepa não questiona a legitimidade do debate sobre jornada de trabalho, qualidade de vida ou modernização das relações trabalhistas. Ao contrário: são discussões necessárias.” A preocupação, segundo a entidade, é “transformar uma mudança de tamanha dimensão em instrumento de oportunidade eleitoral”.
A entidade cita levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), segundo o qual 97% das empresas industriais seriam impactadas pela mudança. De acordo com o comunicado, “85% preveem aumento dos custos com empregados, 82% aumento dos custos com fornecedores, 70% perda de competitividade e 68% redução da produção”. A Fiepa também menciona estudo que estima perda de R$ 76,9 bilhões no PIB caso a jornada passe de 44 para 40 horas com manutenção dos salários.
Entidade pede cautela
No comunicado, a Fiepa afirma que a CNI já havia alertado o Congresso para que mudanças dessa magnitude não fossem votadas em ano eleitoral. A entidade também cita a situação fiscal brasileira e afirma que “a Dívida Pública Federal chegou a aproximadamente R$ 9,29 trilhões em julho”. Sobre o chamado Custo Brasil, a federação afirma que “juros elevados, burocracia, carga tributária, infraestrutura insuficiente, energia cara e outros entraves” retiram competitividade da economia e representam cerca de R$ 1,7 trilhão por ano.
A Fiepa defende que os impactos sejam avaliados antes das votações: “Não se trata de ser contra direitos, contra trabalhadores ou contra mudanças. Trata-se de perguntar quem pagará a conta, quais empresas conseguirão absorvê-la, quais empregos poderão ser afetados, qual será o impacto sobre os preços e como pequenas e médias empresas conseguirão se adaptar”.
Ao final, a entidade afirma que “a proximidade das eleições não pode servir de justificativa para abreviar discussões que deveriam ser técnicas, transparentes e responsáveis” e que o interesse da sociedade deve estar acima de dividendos eleitorais. A Fiepa conclui: “O país precisa de diálogo, mas diálogo não pode ser sinônimo de acordo eleitoral. Precisa de mudanças, mas mudanças responsáveis”.
Outras pautas
Além da escala 6x1, o esforço concentrado poderá acelerar outras matérias. A PEC da Segurança Pública (18/2025), aprovada pela Câmara, está na CCJ do Senado. O relator, Rogério Carvalho (PT-SE), pretende apresentar parecer favorável ao texto sem alterações. Também está em discussão a MP 1.357/2026, que autorizou o governo a zerar o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida, que mantém o ICMS estadual, precisa ser aprovada pelo Congresso para que a alíquota zero permaneça. Caso perca a validade, a cobrança de 20% volta a valer.
O Senado também analisa o PL 2.780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, incluindo as terras raras. O projeto prevê incentivos para estimular o processamento desses minerais no Brasil e a criação de um fundo garantidor. Já o PL 278/2026, conhecido como Redata, estabelece um regime tributário especial para data centers, com suspensão por cinco anos de determinados tributos federais sobre equipamentos utilizados nos empreendimentos, mediante o cumprimento de requisitos, incluindo o uso de energia limpa ou renovável.
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