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Desabastecimento do diesel: risco pode afetar preços no Pará

Como o Estado depende do modal rodoviário, vários setores podem sofrer altas

Elisa Vaz

Todos os Estados, inclusive o Pará, devem ser afetados pelo desabastecimento do diesel no país, caso ele ocorra. O alerta de risco para o terceiro trimestre do ano foi dado por diretores da Petrobras ao governo federal, em meio ao agravamento da escassez por conta da guerra na Ucrânia. Além disso, é nesta época que o transporte de soja, principal commodity brasileira, chega ao auge e demanda mais combustível.

Economista, Eduardo Costa explica que o Pará ainda é mais dependente do modal rodoviário para abastecimento interno, então o impacto no custo de abastecimento tende a ser mais forte no Estado. Ao se impactar o custo de transporte, afirma, o efeito se torna quase geral para o restante da economia - é possível que haja o perigo de uma alta nos preços em vários setores.

O advogado do Sindicombustíveis-PA, Pietro Gasparetto, explica que o cenário de desabastecimento não é certo e o setor só tem conhecimento do que tem sido veiculado pela imprensa nos últimos dias. “De fato, houve um alerta da ANP [Agência Nacional do Petróleo] sobre risco de desabastecimento há algum tempo, porém, no momento, está sendo levantado pela Petrobras como motivo para impossibilitar a redução artificial no preço do diesel, que está com defasagem em relação ao mercado internacional. O alerta é nacional, então se de fato ocorrer acredita-se que afetará todos os Estados”, pontua.

A escassez de combustíveis no mercado internacional, segundo ele, já ocorreu outras vezes, mas por diversos motivos. Neste momento, é consequência da guerra. Pietro ainda esclarece que o diesel impacta todos os setores. Ele acredita que, se houver escassez no período de auge na demanda da soja, paralisando o transporte, pode até impactar o Produto Interno Bruto (PIB) do país. “Não é possível prever se ocorrerão aumentos de preço por conta desse desabastecimento, que dependem de inúmeros fatores, em especial considerando cenários econômicos diversos”.

País todo será afetado

O conflito na Ucrânia resultou em um “choque energético” no mundo, de acordo com o economista Eduardo Costa – afinal, ele ocorre em uma região estratégica para o fornecimento de energia, em especial gás e petróleo, para a Europa. Ou seja, a guerra na Ucrânia tem uma parcela importante no chamado “choque de oferta”, diz ele, o que cria o risco de desabastecimento.

“É preciso lembrar que ela impactou fortemente o fornecimento de insumos energéticos para a Europa, em especial o gás, e esse choque tem forte repercussão na economia mundial. A depender da continuidade e desdobramento do conflito, o risco de desabastecimento é real. É importante lembrar que cerca de 25% do diesel consumido no Brasil é importado”, ressalta o economista.

Como o diesel é parte fundamental dos custos logísticos, em especial porque o país ainda é fortemente dependente do modal rodoviário, em se confirmando o desabastecimento, haverá “perigosa” repercussão na economia brasileira, com aumento dos custos de transporte e inflação, na opinião de Costa.

“Quanto ao Pará, em função do Estado ainda ser ainda mais dependente do modal rodoviário para abastecimento interno, o impacto no custo de abastecimento tende a ser mais forte. Neste ponto, convém reacender o debate para diversificação de nossos modais de transporte, voltando a debater a importância de uma política pública que incentive o desenvolvimento dos modais fluviais e ferroviários”, avalia Eduardo.

Palavras-chave

Economia
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