De filtros de barro a lampiões: utensílios antigos ainda têm espaço no comércio de Belém
Peças como filtros de barro, moringas, bules e utensílios de esmalte seguem procuradas no centro histórico da capital paraense, principalmente por consumidores mais idosos e moradores do interior
No centro histórico de Belém, objetos que parecem ter saído de outras décadas continuam encontrando compradores. Entre filtros de barro, moringas, bules e canecas de esmalte e lampiões, os utensílios domésticos antigos permanecem presentes nas prateleiras das lojas de utilidades e atendem a uma demanda que resiste ao passar do tempo.
Em uma loja localizada em frente ao Complexo do Ver-O-Peso, o vendedor Paulo Franco conta que alguns desses produtos estão entre os mais procurados pelos clientes. Segundo ele, o filtro de barro e a moringa mantêm uma procura significativa, apesar de serem considerados itens antigos.
Filtro de barro e moringa ainda são muito procurados
De acordo com Franco, o filtro de barro é um dos produtos de maior saída. Ele atribui parte da procura à percepção dos consumidores sobre a qualidade da água em Belém.
“A gente sabe que devido à qualidade da água, por ela ser muito suja aqui em Belém, o pessoal procura muito o filtro de barro e o moringa, devido à impureza que ela apresenta. A gente vende muito e tem uma demanda muito grande aqui no nosso mercado”, disse.
A moringa, utilizada para armazenar água, também continua entre os itens procurados. Segundo o vendedor, tanto ela quanto o filtro tiveram aumento de preço, associado à valorização do artesanato.
O filtro de barro é vendido por cerca de R$ 160, enquanto a moringa custa aproximadamente R$ 90.
Bule de esmalte desperta lembranças
Entre os produtos que mais surpreendem os clientes está o bule de esmalte. A peça, que pode remeter a cozinhas de décadas passadas, costuma despertar lembranças principalmente entre consumidores mais velhos.
“O produto que mais surpreende as pessoas, além do filtro de barro, é o bule de esmalte. O pessoal antigo, mais velho, geralmente vem em busca muito atrás dele”, declarou Franco.
Segundo o vendedor, alguns clientes chegam à loja motivados por lembranças familiares. “Eu me lembro da minha avó”, e “a minha avó pediu isso aqui e eu vim até vocês porque disseram que tem”, são relatos que ele afirma ouvir durante os atendimentos.
Franco explica ainda que os compradores associam o utensílio à capacidade de conservar a bebida quente. Como complemento, a loja também oferece canecas de esmalte. “Então, leve a caneca com o bule pra dar aquela pegada rústica em casa”, contou.
Lampião continua entre os produtos vendidos
Outro objeto que mantém espaço nas vendas é o lampião. De acordo com Franco, o produto é procurado principalmente por pessoas mais velhas e moradores do interior.
“O pessoal também procura muito o lampião. Isso aqui é muito vendido. O pessoal da antiga, do interior procura muito aqui”, informou.
Segundo ele, o perfil dos consumidores desses produtos é formado principalmente por pessoas idosas e moradores do interior. No caso do lampião, a procura está relacionada à necessidade de iluminação em localidades onde ainda há situações de escuridão.
“O pessoal antigo tem aquele negócio da iluminação. Os interiores aqui têm aquela questão da escuridão. Então o lampião ajuda muito eles, o pessoal do interior, lá”, detalhou.
O lampião é comercializado por aproximadamente R$ 70.
Utensílios de esmalte ficaram mais caros
Apesar de antigos, os utensílios de esmalte também passaram por valorização de preço. Franco afirma que até clientes acostumados com esses objetos se surpreendem com os valores atuais.
“O esmalte, apesar de ele ser um material muito antigo, ele deu uma valorizada no preço. Essa peça que eu tenho aqui é em volta de R$ 130. Infelizmente até o pessoal antigo estranha: ‘mas era tão barato’. E realmente era barato”, disse.
As vasilhas de esmalte custam entre R$ 60 e R$ 67, segundo o vendedor. Há ainda outros objetos do mesmo material, como uma caneca de esmalte comercializada por cerca de R$ 70.
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