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Candidatos sentem falta de retorno e de acolhimento dos recrutadores em seleções

Metade dos candidatos, se pudesse escolher um ponto a ser melhorado nos processos seletivos, escolheria o “retorno aos candidatos e candidatas”

Elisa Vaz

O avanço da vacinação contra a covid-19 tem aquecido o mercado de trabalho e, com isso, o número de vagas em processos seletivos está aumentando. Porém, os candidatos ainda têm queixas sobre como toda a seleção se desenrola. Feita pela empresa Vagas.com, de soluções tecnológicas para recrutamento, uma pesquisa mostrou que 42% dos entrevistados apontam “ser acolhido(a)” como a principal expectativa durante processos de seleção, além de “ser compreendido(a)” (20%) e “ser apoiado(a)” (12%).

A coordenadora do curso de administração da Universidade da Amazônia (Unama), Alessandra Esteves, afirma que a maioria das empresas, ao realizarem os processos seletivos, tratam os candidatos com pouca empatia. “É como se estivessem fazendo um favor àquelas pessoas. Noto isso pelo meu tempo de mercado, não há muito esse acolhimento. Eu mesma, certa vez, levei meu currículo em uma empresa e a maneira como a seleção foi feita parecia que eu estava em uma guerrilha, foi muito afrontoso, teve sabatina, ninguém conseguiu controlar o nervosismo”, conta.

Por isso, a especialista ressalta que existem outras maneiras de lidar com os profissionais que estão concorrendo aos cargos abertos. Porém, a abordagem depende de cada empresa e da política administrativa adotada dentro dela. “É preciso analisar que cada entidade tem um perfil e há muitas formas de se comportar em relação aos colaboradores. Você vê mais acolhimento naquelas empresas que têm comportamento democrático e de parceria com a equipe. Mas é muito importante agir com empatia”, diz. Segundo Alessandra, isso não é o mesmo que “passar a mão na cabeça” dos candidatos, porque também é preciso ter regras, mas sim ter educação e saber receber um possível novo funcionário.

Ainda segundo o levantamento, metade dos candidatos, se pudesse escolher um único ponto a ser melhorado nos processos seletivos, escolheria o “retorno aos candidatos e candidatas” a respeito da seleção. Na avaliação da coordenadora, este é um assunto muito delicado. Como as grandes empresas realizam recrutamentos com até 200 pessoas, dar retorno a todos eles seria uma grande mão de obra e demandaria muito tempo. Além disso, abre um espaço para que o candidato questione o recrutador do porque não foi escolhido para a função.

“Não vou dizer que esse retorno deve ser de praxe ou obrigatório, cada empresa pode decidir de acordo com a política de processo seletivo. Mas não dar uma data limite para chamar o candidato selecionado o deixa muito à deriva, sem saber o que fazer. Muitas vezes, ele está fazendo outros processos e é chamado por outra empresa, mas quer a sua e não sabe se vai acontecer. A melhor maneira, quando a empresa não quer ter que dar esse feedback para cada um, é colocar uma data limite para convocar o selecionado. Assim, se a pessoa não receber a ligação até o dia informado, vai entender que não foi selecionada. É uma satisfação, deixei claro”.

Por outro lado, caso a empresa não faça isso, Alessandra não acredita que o profissional que está tentando a vaga deva contatar a organização para cobrar uma posição. Para a especialista, este seria um comportamento antiético. Por mais que ela entenda a ansiedade dos candidatos, cobrar um feedback da empresa seria fazer pressão desnecessária.

Outros 16% dos entrevistados, de acordo com o estudo, optariam por aperfeiçoar a “visibilidade das fases no processo seletivo”, e 30% pela "transparência", com a expectativa de que a equipe de Recursos Humanos (RH) comunicasse o avanço das etapas do processo seletivo. A pesquisa também mostra que os candidatos querem um retorno sobre os pontos que o prejudicaram ou favoreceram na seleção.

Este é outro ponto delicado, segundo Alessandra. “O fato de o candidato querer um retorno sobre os pontos principais que o prejudicaram é complicado, porque isso pode abalar seu emocional e até a sua performance em outras seleções, e a culpa seria do recrutador, poderia gerar frustrações e comprometimento moral. Também não acho que seria ético pontuar onde aquele candidato errou. Algumas empresas até podem pontuar o que ele precisaria melhorar, mas é um assunto bastante polêmico”, enfatiza.

O que o recrutador poderia fazer em uma devolutiva, segundo a coordenadora, é dar conselhos sobre comportamentos mais “leves”, como ser pontual e ter uma determinada postura nas próximas entrevistas; apenas quando as falhas não forem graves. “Quem faz essas devolutivas precisa ter cuidado. Eu, particularmente, não dou o feedback aos candidatos, apenas se eles forem contratados, e aí quando estabeleço uma relação e ele já faz parte do quadro de colaboradores, posso dar alguns conselhos para ajudá-lo e se desenvolver na área pessoal e técnica”, avalia Alessandra.

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