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Cesta básica de Belém é 12ª mais cara entre as capitais brasileiras

Reajuste no primeiro semestre de 2022 chega a 13,54%, o triplo da inflação do período

O Liberal

O valor médio da cesta básica no Pará acumulou alta de 13,54% no primeiro semestre de 2022, de acordo com pesquisa divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos e Estatística (Dieese) do Pará. O aumento supera a inflação do período, que foi de 4,50%, e foi puxado principalmente pelos preços do óleo de cozinha (37,14%), feijão (33,99%), leite (19,78%), pão (18,98%), café (18,42%) e açúcar (10,47%). Segundo o estudo do Dieese, a cesta básica de Belém é 12ª mais cara entre as 17 capitais brasileiras pesquisadas, custando o valor médio de R$ 632,26, resultado de uma alta de 21,93% nos últimos 12 meses.

A balconista Cristina Santos tem sentido no bolso o peso dos aumentos e conta que cada ida ao supermercado revela uma surpresa nova. "Está tudo muito caro mesmo. O óleo, o açúcar, o leite e até o ovo, que era o alimento mais barato, que o pobre sempre podia comer. Hoje em dia o pobre não pode comer mais ovo. A estratégia é pesquisar e ir atrás de preço baixo. O consumo da carne agora é só duas vezes na semana. Antes era quase diário. Vejo familiares e amigos reclamando da mesma coisa. É a inflação engolindo o nosso dinheiro", ela diz.

Alguns produtos tiveram altas acima de 50% no acumulado do último ano, como é o caso do café (71,82%) e do tomate (56,19%). Já a carne bovina aumentou 10,25% no período. O professor Sebastião Barbosa conta que os preços têm aumentado de um dia para o outro e fazer uma única compra para todo o mês já não é mais uma opção, pois gera prejuízos e embola o orçamento mensal, que possui outras despesas fixas.  O ideal, segundo ele, é comprar aos pouquinhos.

Professor diz não estar otimista com situação da economia brasileira (Márcio Nagano/O Liberal)

"Às vezes do dia pro outro ou falta produto, ou diminui a quantidade na embalagem ou aumenta o preço. E às vezes são as três coisas juntas. O leite teve uma disparada horrenda e o material de limpeza também. Muitas vezes eles também trocam o leite por uma mistura de produtos. E a gente é enganado por não prestar atenção", afirma ele, que mudou os hábitos alimentares da família, mas lamenta os gastos que aumentaram além do planejado nos últimos meses. Barbosa diz que não está nada otimista com uma possível melhora do cenário econômico brasileiro. "Pelo que vejo o governo federal não se preocupa com essa questão. Apenas deixa o mercado ficar reajustando tudo sem tomar providência para ajudar os mais pobres", desabafa.

Roberto Sena, supervisor técnico da entidade que realizou o estudo em Belém, conta que o custo mensal de alimentação para uma família composta por um casal e duas crianças fica em R$ 1.896. "A pesquisa mostra ainda, que para comprar os 12 itens básicos da cesta, o trabalhador paraense comprometeu 56,40% do atual salário mínimo e teve que trabalhar 114 horas e 46 minutos das 220 horas previstas em lei", diz. Também segundo o Dieese, o brasileiro deveria receber um salário mínimo de pelo menos R$ 6.527, ou seja, quase cinco vezes mais do que os atuais R$ 1,212, para garantir o pleno gozo de todos os direitos constitucionais como alimentação, saúde e moradia.

Economia
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