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CESTA BÁSICA

Arroz e farinha ficam mais caros em Belém, mas feijão tem queda

Mesmo com redução, no entanto, pesquisas do Dieese aponta que o preço do feijão subiu mais de 20% em 2022

Elisa Vaz

19 de outubro de 2022 às 16:26

Associação Brasileira de Supermercados recomenda que os consumidores "não façam estoques em casa para que todos tenham acesso contínuo ao produto"

Associação Brasileira de Supermercados recomenda que os consumidores "não façam estoques em casa para que todos tenham acesso contínuo ao produto" ( Foto: Foto: Igor Mota | Arquivo O Liberal )

Alimentos da cesta básica e que fazem parte do consumo diário das famílias, o arroz e a farinha ficaram mais caros em Belém no mês passado, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O levantamento mostra que o primeiro produto teve alta de 1,5% em setembro, na comparação com agosto, passando da média de R$ 5,19 para R$ 5,27 nos supermercados. No acumulado do ano, a alta foi de 5,8%, e o preço subiu oito vezes nesse intervalo. Nos últimos doze meses, o item ficou 4,3% mais caro, já que, em setembro de 2021, o arroz custava, em média, R$ 5,05. A pesquisa considera os tipos 1 e 2 e o parboilizado.

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O reajuste observado pelo Dieese no preço da farinha de mandioca foi ainda maior em setembro, de 3,2%, passando de R$ 7,29 no mês anterior para R$ 7,53. Como no nono mês de 2021 o preço médio do alimento era R$ 7,19, a alta em um ano ficou em 4,7%. No acumulado entre janeiro e setembro, foi de 4,1%. Com o percentual positivo registrado no mês passado, esta já é a sétima vez consecutiva que a farinha de mandioca fica mais cara nos supermercados e feiras de Belém.

Segundo os pesquisadores do Dieese, o Pará continua sendo um dos maiores produtores da maniva, que é um dos principais ingredientes na fabricação da farinha, mas, nos últimos anos, o quilo do produto ficou "muito caro". "As causas desses aumentos no preço da farinha e de outros produtos básicos da mesa dos paraenses são muitas e passam por uma série de fatores estruturais dentro da cadeia produtiva até a comercialização. A maior quantidade da farinha de mandioca consumida na Grande Belém vem de municípios próximos da capital, como Castanhal, Capanema e Bonito, entretanto, mais da metade da produção é ainda artesanal", explica o órgão.

Por outro lado, o feijão, também parte da cesta básica dos trabalhadores, teve uma queda pelo segundo mês consecutivo. Como passou de, em média, R$ 8,34 em agosto para R$ 7,89 em setembro, a redução foi de 5,4%. Mas, na comparação com o mesmo período do ano passado, o cenário é de alta superior a 15% - em setembro de 2021, o alimento custava uma média de R$ 6,84. Apenas em 2022, o preço do feijão subiu 20,2%, entre janeiro e setembro, segundo o Dieese, que considera o carioquinha, jalo e o cavalo, pesquisados em supermercados da capital paraense.

Vendas

Gerente de mercearia em um supermercado de Belém, Wanderley Cardoso afirma que a farinha realmente teve alta recentemente, mas, pelo menos na empresa onde ele trabalha, o arroz e o feijão estão mais baratos. O problema, segundo ele, é que há uma instabilidade, não por culpa do supermercado, mas que vem desde a produção: toda semana o preço muda para cima ou para baixo. Enquanto a reportagem estava no local, por exemplo, o gerente estava colocando novas etiquetas com preços menores no arroz.

"Fica oscilando. Tem semana que é mais barato e semana que é mais caro. Não sabemos o motivo para isso, mas é uma tendência que fique mudando por enquanto, porque a gente trabalha com fornecedores, se eles baixam o preço, a gente baixa por causa da concorrência", comenta Wanderley. Essas oscilações, de acordo com ele, chegam a atrapalhar as vendas, porque acontece de o consumidor ir ao supermercado em um dia e ver um preço, e depois ir no outro e já estar mais caro. "Tem essa reclamação, mas no fim eles acabam levando", diz.

Quanto à farinha, na opinião do trabalhador, o motivo pelo qual os preços têm ficado elevados são as secas. "Acho que, devido a esse clima, o plantio da mandioca está sofrendo uma baixa, na verdade. Os fornecedores falaram que talvez continue alto o preço da farinha", adianta.

Consumidores

A professora aposentada Zinia Valente, de 72 anos, estava fazendo compras para ela e a mãe e notou preços mais baixos no supermercado. Ela conta que alguns meses atrás comprava o quilo do feijão por uma média de R$ 8, e agora já encontra de R$ 6 ou R$ 7, dependendo da marca. "Baixou um pouco, graças a Deus. Acho que senti de uns dois meses pra cá, agora peguei um quilo por R$ 6,15, normalmente compro apenas duas marcas", afirma. Com a queda de preços, ela não passou a comprar mais quantidade em sua ida mensal ao supermercado, mas comemora que, no caixa, a conta saia mais barata.

Também aposentada, Socorro Marques, de 58 anos, é outra consumidora que sentiu a queda de preços. "Eu acho que baixou, senti o contrário da pesquisa. O feijão estava custando R$ 7, hoje comprei por R$ 5 e pouco. Mesmo sendo uma redução pequena, muda, impacta o orçamento. Consumimos muito arroz e feijão em casa porque somos quatro pessoas. Acho que nos próximos meses o preço deve ficar oscilando", opina. Sobre a farinha, Socorro diz que prefere comprar na feira por ser mais barato e ter uma qualidade melhor.