Volta às aulas: veja as dicas para o uso estratégico do cartão de crédito nas compras
Modalidade de compra requer atenção redobrada para evitar o crédito rotativo
A volta às aulas, além de marcar o início de um novo ciclo para estudantes, também representa um desafio financeiro para muitas famílias. A compra do material escolar, geralmente composta por listas extensas e preços variados, exige planejamento para evitar desequilíbrios no orçamento doméstico logo nos primeiros meses do ano.
Especialistas em finanças pessoais recomendam que o primeiro passo seja organizar as contas antes de sair às compras. Segundo Hellen Martins, gerente de Negócios Pessoa Física da Sicredi Norte, é fundamental que a família tenha clareza sobre sua situação financeira. “O primeiro passo é o planejamento. Antes de comprar qualquer item, a família precisa analisar a renda mensal disponível, levantar todas as despesas fixas (aluguel, água, luz, alimentação, transporte) e identificar quanto sobra para gastos sazonais. Definido um limite máximo de gasto e só partir para a lista de materiais”, orienta.
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Outra estratégia apontada como essencial é a pesquisa de preços. Comparar valores entre papelarias, livrarias, atacarejos e lojas virtuais pode resultar em uma economia significativa. A forma de pagamento também influencia diretamente no valor final da compra. Pagamentos à vista costumam garantir descontos, especialmente em compras de maior volume. Já o parcelamento no cartão de crédito pode ser uma alternativa, desde que feito com cautela e planejamento.
Hellen Martins destaca que o parcelamento só deve ser utilizado quando não houver desconto para pagamento à vista e quando as parcelas não comprometerem o orçamento mensal. “O ideal é parcelar em até 3 ou 4 vezes sem juros. Parcelas muito longas tendem a se somar a outros gastos do ano, como IPVA, a própria mensalidade escolar, férias, despesas fixas e até datas comemorativas, aumentando o risco de endividamento. O cartão de crédito não é renda extra, é compromisso futuro. Sem planejamento, ele pode transformar um gasto pontual em uma dívida de longo prazo”, explica.
O uso do cartão de crédito, requer atenção redobrada para evitar o crédito rotativo, quando o valor total da fatura não é pago. Nessa modalidade, os juros são elevados e podem transformar uma despesa simples em um problema financeiro prolongado. Em situações mais delicadas, algumas famílias avaliam recorrer a empréstimos ou linhas de crédito pessoal, alternativa que deve ser analisada com cautela.
De acordo com Hellen Martins, recorrer a empréstimos para despesas previsíveis, como material escolar, não é recomendado, salvo em casos excepcionais. “Em casos extremos é válido recorrer ao empréstimo desde que tenha acesso a uma linha de crédito com juros muito baixos, para um valor pequeno onde haverá rápida recomposição da renda. Mesmo nesses casos, o empréstimo deve ser a última alternativa, e sempre com orientação financeira”, afirma.
Para muitos pais, a experiência acumulada ao longo dos anos contribui para decisões mais conscientes. Embora pagar à vista possa causar a sensação de aperto imediato no orçamento, essa escolha evita o acúmulo de parcelas e faturas futuras. “Com planejamento, pesquisa e uso consciente do crédito, é possível atravessar o período de compras escolares sem comprometer a saúde financeira da família. Pequenas decisões agora podem evitar dores de cabeça e juros ao longo de todo o ano”, conclui a gerente.
*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Hamilton Braga, coordenador do núcleo de Política e Economia
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