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Verão amazônico eleva consumo e preços de bebidas e frutas no Pará, aponta Dieese

Água mineral registra diferença de mais de 140% entre o menor e o maior preço pesquisado

Thaline Silva*

O início do verão amazônico deve encarecer a hidratação dos paraenses em 2026. Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (26) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese-PA) aponta aumento nos preços de bebidas e frutas tradicionalmente consumidas durante o período mais quente do ano. Em alguns produtos, a alta acumulada nos últimos 12 meses supera 40%, bem acima da inflação estimada em cerca de 4,7% no mesmo intervalo.

O levantamento mostra que o período altera o padrão de consumo das famílias e impulsiona setores como comércio, turismo e serviços. Com temperaturas mais elevadas e maior circulação de pessoas em praias, balneários e igarapés, cresce a procura por itens ligados à hidratação, como água mineral, água de coco, refrigerantes, sucos e frutas.

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Entre os produtos mais consumidos na estação, a água mineral segue entre os principais itens da lista de compras. Nos supermercados da Grande Belém, o copo de 200 ml foi encontrado entre R$ 0,52 e R$ 1,25, diferença superior a 140% entre o menor e o maior preço pesquisado. Já a garrafa de 330 ml varia entre R$ 1,80 e R$ 1,90. A embalagem de 500 ml custa de R$ 1,69 a R$ 2,17, enquanto a de 1,5 litro é vendida entre R$ 2,79 e R$ 3,69.

Os refrigerantes também apresentam variação significativa. A lata de 350 ml foi encontrada entre R$ 2,79 e R$ 3,69, a depender da marca e do estabelecimento. No caso da cerveja, os preços variam de R$ 3,35 a R$ 6,99 na mesma embalagem.

Segundo o levantamento, os valores correspondem aos supermercados da Região Metropolitana de Belém. Em bares, restaurantes, quiosques, praias e balneários, os preços tendem a ser mais altos, influenciados pelos custos operacionais, pela conveniência e pela maior demanda no período de veraneio.

Outro produto bastante procurado nesta época é a água de coco. Em praias e pontos turísticos da Grande Belém, o valor da unidade pode ultrapassar R$ 10, devido à alta demanda e aos custos de logística, armazenamento e comercialização.

Frutas ficam mais caras 

As frutas também registraram aumento de preços na comparação entre maio e abril de 2026, segundo o Dieese-PA. A maior alta foi registrada na manga rosa (9,48%), seguida por melancia (7,95%), melão amarelo (5,56%), limão (1,68%), mamão (1,45%), abacaxi (1,32%), maracujá (1,07%), laranja pera (0,91%) e banana prata (0,31%).

Na direção oposta, algumas frutas ficaram mais baratas no período, com destaque para tangerina (-12,03%), abacate (-10,54%), acerola (-5,70%) e goiaba vermelha (-5,42%). Segundo o Dieese-PA, as variações refletem fatores como sazonalidade da produção, mudanças na oferta e aumento da demanda típico do verão amazônico.

Diferenças de preços 

O levantamento também identificou diferenças superiores a 30% nos preços de um mesmo produto entre estabelecimentos, o que reforça a importância da pesquisa antes da compra.

A vendedora Carolina Souza de Almeida, que atua em Icoaraci, relata um aumento na demanda com a chegada do período mais quente. Segundo ela, as vendas cresceram cerca de 70% desde o início de junho, impulsionadas pelo calor e pela procura por hidratação. “O calor fez crescer bastante a demanda, mas não é só por causa dele. Tem também as pessoas que praticam atividade física e procuram se hidratar. Algumas compram para manter a saúde e outras para aliviar o calor”, afirmou.

Ela também destacou que mantém preços acessíveis. “Os preços estão um pouco mais altos, mas eu procuro vender por um valor popular, porque atendo pessoas de baixa renda aqui da periferia. A água mineral de 300 ml custa R$ 2,00, enquanto a de 500 ml sai por R$ 3,00. O refrigerante é vendido por R$ 5,00, o café por R$ 1,00 e o suco por R$ 3,00”, disse.

O Dieese-PA avalia que o verão amazônico de 2026 deve ser marcado por temperaturas elevadas e maior pressão sobre o custo de vida, exigindo mais planejamento financeiro das famílias em um período de aumento do consumo e intensa movimentação nos destinos turísticos do estado.

Preços médios de bebidas (junho de 2026)

• Água mineral (copo 200 ml): de R$ 0,52 a R$ 1,25;
• Água mineral (garrafa 330 ml): de R$ 1,80 a R$ 1,90;
• Água mineral (garrafa 500 ml): de R$ 1,69 a R$ 2,17;
• Água mineral (garrafa 1,5 litro): de R$ 2,79 a R$ 3,69;
• Refrigerante (lata 350 ml): de R$ 2,79 a R$ 3,69;
• Cerveja (lata 350 ml): de R$ 3,35 a R$ 6,99.

Preço médio das frutas (maio de 2026)

• Abacate (kg): R$ 8,83 (-10,54% no mês)
• Abacaxi (unidade): R$ 9,18 (+1,32%)
• Acerola (kg): R$ 10,25 (-5,70%)
• Banana prata (kg): R$ 9,68 (+0,31%)
• Goiaba (kg): R$ 8,90 (-5,42%)
• Laranja pera (kg): R$ 6,64 (+0,91%)
• Limão (kg): R$ 4,84 (+1,68%)
• Mamão (kg): R$ 9,11 (+1,45%)
• Manga rosa (kg): R$ 10,74 (+9,48%)
• Maracujá (kg): R$ 10,36 (+1,07%)
• Melancia (kg): R$ 4,48 (+7,95%)
• Melão amarelo (kg): R$ 7,40 (+5,56%)
• Tangerina (kg): R$ 11,19 (-12,03% no mês)

*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia