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Preço do ovo cai em Belém, mas economista descarta efeito do tarifaço nos EUA

Levantamento do Dieese mostra recuo de até 14% em julho, mas preços ainda acumulam altas em 2025

Gabi Gutierrez

O preço do ovo em Belém apresentou queda de 2,71% em julho em relação a junho, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE. A redução, sentida nas feiras e supermercados da capital paraense, foi associada nas redes sociais ao “tarifaço” imposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Porém, economistas afirmam que não há relação direta e apontam fatores como custo de produção e sazonalidade como as principais causas da oscilação.


Nas barracas e feiras livres, o alívio no bolso já é realidade. A aposentada Léia Gomes, de 64 anos, afirma que a cuba de 30 ovos, que chegou a pagar até R$ 28, hoje custa R$ 17.
“Graças a Deus melhorou o preço. A gente consome bastante porque às vezes não dá para comprar carne ou peixe, então o ovo entra como opção”, contou.

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Produtor da RMB vê efeito inicial do tarifaço, mas prevê nova alta

Para quem está dentro da cadeia produtiva, o impacto é percebido de forma diferente. O produtor Helyson Oliveira, que atua na Região Metropolitana de Belém, avalia que o tarifaço chegou a influenciar momentaneamente o mercado.

“Num primeiro momento, devido ao tarifaço, de fato houve impacto no pedido de ovos para os Estados Unidos. A exportação continua, mas caiu bastante e isso encheu o mercado interno. Por isso o ovo deu uma baixada agora. Só que as grandes granjas já estão se reunindo para realizar um descarte, abatendo galinhas para desinchar o mercado. Logo logo o preço vai subir novamente”, afirmou.

Levantamento do Dieese aponta queda, mas preços seguem altos no ano

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), a dúzia de ovos da marca Top custava em média R$ 15,32 em junho e caiu para R$ 13,18 em julho, queda de quase 14%. Mesmo assim, no acumulado de 2025, o produto registra alta de 11,32%, e de 6,55% nos últimos 12 meses.

A bandeja com 30 ovos também apresentou recuo: passou de R$ 31,90 em junho para R$ 29,31 em julho, redução de 8,12%. No entanto, o preço ainda acumula aumento de 1,10% no ano e no comparativo anual.

Preços em feiras e mercados também registraram retração

Nas feiras livres, a bandeja com 15 ovos caiu de R$ 14,65 em junho para R$ 12,89 em julho, redução de 12%. No acumulado do ano, contudo, o item ainda apresenta alta de 14,48%.
Já a bandeja com 30 ovos passou de R$ 26,48 em junho para R$ 25,10 em julho, queda de 5,21%, mas acumula aumento de 10,77% em 2025.

Queda não tem relação com tarifaço nos EUA, diz economista

Apesar da avaliação de produtores, especialistas reforçam que a queda no preço do ovo em Belém não tem ligação direta com a política comercial dos Estados Unidos.
“É muito prematuro afirmar que produtos ficam mais baratos aqui porque deixaram de ir para o mercado americano. No caso dos ovos, o que pesa hoje é o custo de produção e a sazonalidade”, destacou Everson Costa, analista do Dieese.

Ele explica que fatores como insumos mais baratos, condições climáticas e o período de entressafra tiveram mais impacto na redução do preço.
“Quando um produtor pensa em exportação, ele projeta margens específicas para aquele mercado. Não é simplesmente redirecionar para dentro. É preciso considerar câmbio, logística e exigências sanitárias”, acrescentou.