Preço do açaí recua em julho em Belém, mas tipo grosso ainda acumula alta de 14% em 12 meses
Queda ocorre com o avanço da safra regional; Dieese/PA aponta possibilidade de novas reduções nos próximos meses
O preço do açaí recuou em julho de 2026 em Belém, após as altas registradas durante o período de entressafra. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) divulgado nesta sexta-feira (14), o litro do produto apresentou redução tanto na variedade média quanto na grossa, em comparação com junho. A queda está relacionada ao aumento da oferta com o avanço da safra regional.
No caso do açaí médio, o preço passou de R$ 35,43 por litro, em junho, para R$ 29,82 em julho, uma redução de 15,83%. Apesar da queda no mês, o produto acumula alta de 3,47% em 2026 e de 2,44% nos últimos 12 meses.
Já o açaí grosso, tradicionalmente mais caro, passou de R$ 55 para R$ 46,84 por litro, queda de 14,84% em um mês. Mesmo com a redução, o produto acumula aumento de 11,66% no ano e de 14,02% na comparação com julho de 2025. Os dados foram levantados pelo Dieese em feiras livres, pontos tradicionais de venda e supermercados de Belém.
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Preço ainda supera inflação
Apesar do recuo em julho, os preços do açaí permanecem em patamares elevados. A situação é mais acentuada no tipo grosso, cujo aumento acumulado de 11,66% no ano e de 14,02% em 12 meses supera a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE.
O INPC acumulou alta de 3,51% no primeiro semestre de 2026 e de 4,64% nos 12 meses encerrados no período. Já as variações do açaí médio ficaram próximas ou abaixo da inflação oficial.
Diferença de preços chega a R$ 30
O levantamento também identificou diferenças significativas entre os locais de comercialização. Na última semana de julho, o litro do açaí médio era encontrado nas feiras livres de Belém por valores entre R$ 16 e R$ 30. Nos supermercados, os preços variavam de R$ 25,99 a R$ 30.
No caso do açaí grosso, a diferença era ainda maior. Nas feiras, o litro custava entre R$ 30 e R$ 60, enquanto nos supermercados os valores variavam de R$ 33,99 a R$ 54.
Entressafra pressionou preços
De acordo com o Dieese/PA, as altas registradas nos meses anteriores estão relacionadas principalmente aos efeitos da entressafra, além de fatores como custos de produção, transporte e comercialização e aumento da demanda pelo fruto nos mercados interno e externo.
O avanço da safra regional, por outro lado, tem contribuído para ampliar a oferta e pressionar os preços para baixo. Em julho de 2025, por exemplo, o litro do açaí médio custava, em média, R$ 29,11, enquanto o tipo grosso era comercializado por R$ 41,08.
A expectativa do Dieese é de que os preços continuem recuando nos próximos meses, à medida que a oferta aumente. O comportamento, no entanto, dependerá de fatores como condições climáticas, logística e custos de produção e comercialização.
Açaí tipo médio
• Janeiro/2026: R$ 28,82
• Dezembro/2025: R$ 28,77
• Julho/2025: R$ 29,11
• Variação no mês: -15,83%
• Variação acumulada no ano: +3,47%
• Variação em 12 meses: +2,44%
Açaí tipo grosso
• Julho de 2026: R$ 46,84
• Junho de 2026: R$ 55,00
• Janeiro de 2026: R$ 41,95
• Dezembro de 2025: R$ 41,65
• Julho de 2025: R$ 41,08
• Variação no mês: -14,84%
• Variação no ano: +11,66%
• Variação em 12 meses: +14,02%
*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia
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