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Cesta básica paraense tem queda no preço pela 1ª vez no ano

Redução de 4,65% em julho fez o conjunto de alimentos básicos custar R$ 724,10 em Belém, mas alta acumulada de 8,63% em 2026 mantém pressão sobre o orçamento das famílias

Jéssica Nascimento
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Pela primeira vez em 2026, o preço da cesta básica no Pará apresentou queda. Em julho, o conjunto dos 12 produtos considerados essenciais pelo Dieese/PA (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) custou R$ 724,10, uma redução de 4,65% em relação a junho, quando o valor chegou a R$ 759,41. Apesar do recuo de R$ 35,31 no período, consumidores ouvidos em um supermercado de Belém na manhã desta segunda-feira (10) afirmam que ainda não perceberam uma redução generalizada nos preços.

Tomate puxa queda da cesta

Entre os 12 produtos pesquisados, seis registraram redução em julho. O tomate teve a maior queda, de 22,81%, seguido pelo feijão carioca (-2,94%), café em pó (-2,05%), farinha de mandioca (-0,95%), óleo de soja (-0,70%) e banana (-0,52%).

O comportamento do tomate foi percebido pelos consumidores. A empresária Laydy Baia conta que o produto, que chegou a custar cerca de R$ 11 o quilo, agora é encontrado por R$ 7,90.

image Laydy Baia. (Foto: Igor Mota)

“Compro bastante no hortifruti. Agora em julho, o alimento que mais teve queda de preço foi o tomate. Ele tava chegando a R$ 11 e tá R$ 7,90.”

Para a enfermeira Flávia Noronha, a redução também foi evidente no hortifruti. Segundo ela, o tomate passou de uma faixa entre R$ 10 e R$ 11 para cerca de R$ 7,90 a R$ 8.

image Flávia Noronha. (Foto: Igor Mota)

“Agora em julho o alimento que mais caiu de preço foi o tomate. Eu tava pagando por ele por volta de R$ 10 a R$ 11. Hoje tô pagando R$ 7,90 a R$ 8.”

A queda expressiva do tomate teve peso importante no resultado da cesta em julho, mas o Dieese/PA alerta que o preço do produto costuma sofrer grandes oscilações, influenciado por fatores como oferta, sazonalidade, condições climáticas e custos de comercialização.

Consumidores ainda sentem aumento no supermercado

Apesar do recuo apontado pela pesquisa, a percepção de quem vai às compras é de que os preços continuam elevados. O aposentado Alexandre Macedo afirma que precisa fazer compras frequentes e dividir a aquisição dos produtos ao longo do mês.

“Eu tô quase todo dia no supermercado. Não dá pra comprar tudo de uma vez, por isso a gente compra aos poucos. Eu não achei muita diferença de preços neste mês de julho não”, declarou.

Para ele, a redução registrada na pesquisa não aparece de forma clara na rotina de compras. “Pra mim, nenhum baixou de preço. Pra mim, quase todos aumentaram”, disse. 

image Alexandre Macedo. (Foto: Igor Mota)

Laydy Baia também percebeu pouca alteração em alguns produtos. Para ela, o arroz teve alta, mas o aumento foi pequeno. “Pra mim, foi a melhor coisa. Em julho, eu acredito que tenha subido o arroz, mas foi questão de centavos. Não foi muito”, disse.

Seis produtos tiveram alta

Na outra ponta, seis alimentos ficaram mais caros em julho. A manteiga teve a maior alta, de 1,28%, seguida pelo arroz agulhinha (0,62%), açúcar cristal (0,28%), leite integral (0,25%), carne bovina de primeira (0,11%) e pão francês (0,06%).

A percepção de Flávia Noronha coincide com os dados da pesquisa em relação aos derivados do leite. “Eu acho que os alimentos à base de leite, como manteiga, foram os que mais subiram em julho”, afirmou. 

Alta acumulada ainda preocupa

Embora julho tenha interrompido a sequência de aumentos registrada ao longo do ano, o cenário acumulado continua desfavorável para os consumidores. Entre janeiro e julho, o valor da cesta passou de R$ 666,57 para R$ 724,10, acumulando alta de 8,63%. O percentual ficou acima da inflação estimada em aproximadamente 3,5% no mesmo período.

Dos 12 produtos pesquisados, oito acumularam aumento nos primeiros sete meses do ano. O feijão carioca lidera, com alta de 61,82%, seguido pelo tomate (32,37%), carne bovina de primeira (7,17%), banana (7,08%), arroz agulhinha (6,75%), leite integral (3,82%), manteiga (1,99%) e pão francês (1,74%).

Quatro produtos tiveram queda acumulada no ano: farinha de mandioca (-21,99%), óleo de soja (-13,98%), café em pó (-8,46%) e açúcar cristal (-6,19%).

Quase metade do salário mínimo vai para a alimentação

O peso da alimentação permanece elevado para quem recebe o salário mínimo. Em julho, um trabalhador paraense remunerado pelo piso nacional precisou comprometer aproximadamente 48,29% da remuneração líquida para comprar os 12 produtos da cesta básica.

A aquisição dos alimentos correspondeu a cerca de 98 horas e 16 minutos de trabalho, considerando a jornada mensal de 220 horas. Na prática, quase metade do salário líquido foi destinada somente à alimentação básica.

Belém tem a terceira cesta mais cara do Norte

A redução registrada em Belém acompanha um movimento observado na maior parte do país. Em julho, o custo da cesta caiu em 26 das 27 capitais pesquisadas pelo Dieese em parceria com a Conab. A única exceção foi São Luís, que teve alta de 0,30%.

Na Região Norte, seis das sete capitais apresentaram redução. Palmas registrou a maior queda, de 7,38%, com cesta de R$ 731,89. Manaus teve redução de 4,79%, para R$ 697,80. Em Belém, a queda foi de 4,65%, para R$ 724,10.

image Em Belém, a queda no preço da cesta representa um alívio pontual para o consumidor. No entanto, a alta acumulada de 8,63% desde janeiro mostra que o custo da alimentação básica continua sendo um dos principais desafios para o orçamento das famílias paraenses. (Foto: Igor Mota)

Com esse valor, a capital paraense teve, em julho, a terceira cesta básica mais cara da Região Norte, atrás de Palmas e Boa Vista.

Apesar da redução mensal, todas as 27 capitais pesquisadas acumulam alta no custo da cesta básica em 2026. Os dados mostram que a queda de julho ainda não foi suficiente para compensar os aumentos registrados desde o início do ano.

Queda traz alívio, mas não reverte cenário de alta

O levantamento também aponta uma redução no tempo médio necessário para comprar a cesta básica no país. Em julho, o trabalhador brasileiro precisou, em média, de 100 horas e 24 minutos de trabalho para adquirir os alimentos, contra 105 horas e 51 minutos em junho.

O salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas, segundo o Dieese, foi estimado em R$ 7.687,01 em julho — valor equivalente a 4,74 vezes o salário mínimo vigente de R$ 1.621.

Em Belém, a queda no preço da cesta representa um alívio pontual para o consumidor. No entanto, a alta acumulada de 8,63% desde janeiro mostra que o custo da alimentação básica continua sendo um dos principais desafios para o orçamento das famílias paraenses.

Alimentos que tiveram as maiores quedas de preço (Fonte: Dieese)

  • Tomate: -22,81% — maior queda registrada no mês e principal responsável pela redução do valor da cesta.
  • Feijão carioca: -2,94%
  • Café em pó: -2,05%
  • Farinha de mandioca: -0,95%
  • Óleo de soja: -0,70%
  • Banana: -0,52%

Alimentos que tiveram os maiores aumentos de preço

  • Manteiga: +1,28% — maior alta registrada em julho.
  • Arroz agulhinha: +0,62%
  • Açúcar cristal: +0,28%
  • Leite integral: +0,25%
  • Carne bovina de primeira: +0,11%
  • Pão francês: +0,06%

Resumo da cesta básica

  • Valor em junho: R$ 759,41
  • Valor em julho: R$ 724,10
  • Redução: R$ 35,31
  • Variação: -4,65%
  • Produtos em queda: 6 dos 12 itens
  • Produtos em alta: 6 dos 12 itens
  • O tomate, com queda de 22,81%, foi o grande destaque e teve papel decisivo na redução do custo da cesta em julho.


 

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