MENU

BUSCA

Fortalecimento da Hidrovia do Tapajós reduz emissões e garante abastecimento no Norte, diz IBP

Entidade afirma que corredor Miritituba–Santarém transporta 1,2 milhão de m³ por ano e pode emitir até 73% menos CO₂ que o modal rodoviário

Thaline Silva*

O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis divulgou um posicionamento nesta quarta-feira (4) em defesa do fortalecimento do sistema hidroviário na região Norte, destacando a importância estratégica das hidrovias para a segurança energética, a competitividade logística e a redução de emissões. Segundo a entidade, o corredor Miritituba–Santarém, na Hidrovia do Tapajós, viabiliza o transporte anual de cerca de 1,2 milhão de metros cúbicos de combustíveis e biocombustíveis.

Desse total, aproximadamente 840 mil m³ correspondem a derivados que chegam a Miritituba, enquanto 360 mil m³ são de biocombustíveis que saem da região. O volume transportado por via fluvial equivale a cerca de 20 mil viagens de caminhões por ano que deixam de circular pelas rodovias, segundo o instituto.

VEJA MAIS 

TRF1 suspende ordem de desocupação no porto de Santarém após recursos do MPF e da DPU
Tribunal aponta risco de confronto, falhas processuais e ausência de mediação em conflito envolvendo indígenas e bloqueios contra concessão da hidrovia do Tapajós

Cerca de 74% das empresas avaliam negativamente infraestrutura do Norte
Levantamento da CNI sugere necessidade de se destravar investimentos como a Ferrogrão, a Hidrovia Araguaia-Tocantins e a exploração da Margem Equatorial

Menos emissões

De acordo com o IBP, o impedimento do uso da hidrovia implicaria a substituição do transporte fluvial pelo modal rodoviário, com possível aumento do risco de acidentes e das emissões. A entidade cita estudo da Future Climate Group segundo o qual o transporte hidroviário pode emitir até 73% menos CO₂ que o rodoviário e 36% menos que o ferroviário, a depender das condições operacionais.

O instituto argumenta que o modal hidroviário apresenta menor emissão por tonelada-quilômetro transportada, maior capacidade de escoamento e menor custo operacional, contribuindo para a redução da pressão sobre a infraestrutura terrestre e para a descarbonização do transporte.

Concessão e gestão

No posicionamento, o IBP defende que a modernização e a concessão de hidrovias estruturantes sejam tratadas como política pública prioritária, com metas de navegabilidade, segurança operacional e continuidade do serviço, respeitando a regulamentação ambiental e os povos originários.

Estudos da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, citados pela entidade, indicam que hidrovias estruturadas podem elevar a eficiência logística, reduzir congestionamentos rodoviários e gerar emprego e renda regional. O IBP afirma ainda que a ausência de manutenção adequada dos canais navegáveis pode provocar interrupções logísticas e impactos no abastecimento de combustíveis.

Segundo a instituição, modelos de concessão acompanhados de dragagem, sinalização, gestão de tráfego e monitoramento ambiental contínuos podem ampliar a previsibilidade operacional. A entidade acrescenta que comunidades ribeirinhas e populações tradicionais permaneceriam isentas de tarifas, direcionadas aos grandes usuários de carga.

*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia

Palavras-chave