MENU

BUSCA

Companhias aéreas suspendem 2 mil voos pelo Brasil; Pará está entre os estados mais afetados

Crise tem relação com a disparada do petróleo no mercado internacional e dos aumentos aplicados pela Petrobras no querosene de aviação

O Liberal

As companhias aéreas brasileiras suspenderam mais de 2 mil voos programados para o mês de maio. Destinos nas regiões Norte e Nordeste foram os mais afetados. Nesse cenário, o Pará teve uma redução de 9% da oferta de voos. O estado mais prejudicado foi o Amazonas, onde a redução chega a 17,5%, seguido de Pernambuco (-10,5%). As informações foram divulgadas pela CNN Brasil, com base em levantamento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Executivos do setor informaram também que o cancelamento das operações ainda se concentra em ligações aéreas menos rentáveis. Rotas consideradas mais cobiçadas, como São Paulo-Rio de Janeiro ou São Paulo-Brasília, não foram significativamente atingidas.

Veja mais

Europa dispõe de 'talvez 6 semanas' de combustível de aviação, calcula diretor da AIE
Diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, alerta que voos poderão ser cancelados se os suprimentos de petróleo continuarem bloqueados pela guerra

Governo publica decreto que zera PIS/Cofins para querosene de aviação
Objetivo é mitigar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os combustíveis. Para compensar as perdas, governo aumentou o IPI para cigarros

O setor alerta que este movimento pode se espalhar, dependendo da extensão do prejuízo causado pelos altos preços do petróleo no mercado internacional.

Em 1º de abril, o querosene de aviação sofreu um reajuste de 54% pela Petrobras. A empresa atualiza o valor do QAV no primeiro dia útil de cada mês, para cima ou para baixo.

Números

Em 2 de abril, o sistema de registro de operações da Anac (Siros) indicava que 2.193 voos por dia estavam previstos para maio. Em nova consulta realizada em 17 de abril, o número havia caído para 2.128. Essa diferença representa 2.015 voos a menos por mês e uma redução de 2,9% no fluxo total de viagens. O corte resulta na eliminação de 10 mil assentos diários na aviação doméstica. Além disso, equivale à retirada de circulação de 12 aeronaves de médio porte, como um Boeing 737, um Airbus 320 ou um Embraer 195.

Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou que os impactos decorrentes do aumento do QAV são “gravíssimos”. Diz ainda manter "diálogo constante” com o governo em busca de soluções para minimizar os efeitos aos passageiros. Segundo a Abear, as companhias continuam trabalhando para efetivar as medidas anunciadas pelo governo no início de abril, que visam amenizar o reajuste.

O governo chegou a anunciar algumas medidas para reduzir o impacto no setor da aviação: zerou a cobrança de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação; postergou o pagamento das tarifas de navegação aérea/ financiamento do FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil) para a compra do combustível e o parcelamento em seis vezes do reajuste de 54% pela Petrobras.

Para as aéreas, as medidas anunciadas até agora são bem-vindas, mas residuais para amenizar a alta de custos.

Regiões mais impactadas e rotas estratégicas

Os destinos mais afetados pela suspensão de voos são:

  • Amazonas: redução de 17,5% no número de voos;
  • Pernambuco: redução de 10,5% no número de voos;
  • Goiás: redução de 9,3% no número de voos;
  • Pará: redução de 9,0% no número de voos;
  • Paraíba: redução de 8,9% no número de voos.