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Com preços a partir de R$ 65, banho e tosa impulsionam mercado pet em Belém

Preço varia conforme porte e pelagem do animal, enquanto a procura cresce com a humanização dos pets

Thaline Silva*

O serviço de banho e tosa deixou de ser considerado um luxo e passou a fazer parte do orçamento de muitos tutores de animais de estimação em Belém. Com o crescimento do mercado pet e a chamada “humanização” dos animais domésticos, o setor de estética animal tem se expandido e movimentado negócios na capital paraense, com pet shops oferecendo desde serviços básicos de higiene até tratamentos estéticos especializados.

Segundo profissionais do setor, a procura por esse tipo de cuidado aumentou nos últimos anos, impulsionada pela maior preocupação dos tutores com o bem-estar e a saúde dos animais. Para o groomer — profissional especializado em banho e tosa — Daniel Silva dos Santos, o mercado local vive um momento favorável. “Vejo como um mercado aquecido, em rápido crescimento e com alto nível de exigência por parte dos tutores, impulsionado pela humanização dos animais de estimação, o que exige profissionais habilitados”, afirma.

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Preços variam conforme raça e tipo de serviço

O valor cobrado pelos serviços de tosa pode variar de acordo com fatores como o porte do animal, o tipo de pelagem, a complexidade do trabalho e a qualificação do profissional. De forma geral, os preços começam em valores mais baixos para serviços básicos e podem chegar a cifras mais altas em procedimentos especializados.

Segundo Daniel Silva, apenas o banho pode custar a partir de R$ 65. “Banho e tosa começam em torno de R$ 80. Em estabelecimentos mais especializados, a tosa pode variar de R$ 150 até R$ 600, dependendo da raça e do nível de trabalho exigido”, explica.

A empresária Rebeca Ferreira Ribeiro afirma que a precificação dos serviços considera fatores como o tempo de atendimento e os produtos utilizados. Segundo ela, os valores de banho e tosa variam de acordo com o porte e o tipo de pelo do animal. “Quanto maiores, o valor é mais alto. Tentamos definir o preço com base no tempo e nos produtos utilizados”, explica. De acordo com Rebeca, uma tosa completa pode começar em torno de R$ 110 para cães de pequeno porte e chegar a R$ 230 para animais maiores.

Serviço frequente movimenta negócios

A frequência com que os tutores levam os animais para banho e tosa também influencia diretamente o faturamento dos pet shops. De acordo com os profissionais, muitos clientes mantêm uma rotina regular de cuidados.

Daniel Silva explica que a chamada tosa higiênica — feita em áreas específicas do corpo para evitar acúmulo de sujeira — costuma ser a mais procurada. “A higiênica é feita nas partes genitais, nas patas e em áreas sensíveis para evitar problemas como irritações ou acidentes. Ela costuma ser feita a cada 15 dias”, afirma.

Já a tosa completa, que envolve o corte do pelo em todo o corpo do animal, costuma ter intervalos maiores. “Normalmente é feita uma vez por mês ou a cada 45 a 60 dias”, diz.

Entre as raças que mais demandam manutenção frequente estão poodle, shih-tzu, lhasa apso, spitz alemão e yorkshire, conhecidos pela pelagem longa e que exige cuidados constantes.

Na avaliação de Rebeca Ribeiro, o serviço de banho e tosa é hoje o principal motor de receita de muitos estabelecimentos do setor. “Os banhos são semanais, em geral. As tosas higiênicas a cada 45 dias e a completa a partir de 90 dias. Esse fluxo impacta diretamente no faturamento, pois o banho e tosa sempre foi o nosso carro-chefe”, afirma.

Mercado competitivo e desafios do setor

Apesar do crescimento da demanda, empreendedores do setor apontam que o mercado pet também se tornou mais competitivo nos últimos anos. Segundo Rebeca, a expansão do número de empresas no segmento aumentou a disputa por clientes. “Avalio ser um mercado um pouco saturado. Muitas empresas abrem e fecham com um ou dois anos de existência. Só no bairro do Umarizal existem mais de 15 empresas do ramo pet”, afirma.

 

De acordo com a empresária, essa concorrência tem pressionado as margens de lucro. “Isso deixa o mercado extremamente competitivo, nos levando a diminuir nossas margens para disputar com grandes redes.”

Outro desafio apontado por profissionais da área é a qualificação da mão de obra. Para Daniel Silva, encontrar profissionais preparados é uma das maiores dificuldades para quem atua no segmento. “Acredito que o maior desafio é contratar um profissional qualificado que ame e respeite os animais. O restante do negócio acaba sendo consequência”, afirma.

Mesmo com os desafios, os empresários acreditam que a tendência é de continuidade do crescimento do setor, acompanhando o aumento da população de animais de estimação e a mudança de comportamento dos tutores. Para aqueles que empreendem no ramo, a principal transformação está na percepção do consumidor. “A tosa não é mais vista como luxo, mas como algo essencial para higiene e beleza do pet”, diz Daniel Silva.

Rebeca Ribeiro reforça que a manutenção da pelagem também tem impacto direto na saúde dos animais. “Nenhuma tosa é luxo. Manter os pelos das patas aparados, por exemplo, é fundamental para a segurança, mobilidade e saúde dermatológica do pet”, afirma.

*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia

 

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