Belém pode se tornar polo industrial sustentável ao investir em inovação e startups
Jefferson Gomes, diretor da CNI, afirma que desenvolvimento depende de pessoas, infraestrutura e definição clara de objetivos estratégicos
Belém tem potencial para se transformar em um polo industrial sustentável e inovador, desde que invista na articulação entre pessoas, infraestrutura e modelos de negócio. A avaliação é de Jefferson Gomes, diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em entrevista ao Grupo Liberal.
Segundo Gomes, exemplos nacionais e internacionais mostram que o desenvolvimento industrial não depende necessariamente da presença de fábricas tradicionais. “Posso dar vários exemplos de lugares que nunca tiveram indústrias e hoje são mecas tecnológicas do planeta”, afirmou, citando casos como Califórnia, Finlândia, Florianópolis e Recife.
Ele destaca que o ponto em comum entre esses locais é a capacidade de organizar fatores essenciais para a inovação. “A semelhança é que você pode desenvolver a partir de um conjunto de pessoas, modelos organizacionais e infraestrutura local”, explicou.
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Startups e foco estratégico como ponto de partida
Para o diretor da CNI, o primeiro passo para Belém é entender e fortalecer suas vocações tecnológicas, especialmente a partir das startups existentes. “Quais são as temáticas dessas 200 startups? São para cosméticos, bioinsumos ou medicamentos? Você tem que criar as condições para aquele negócio existir”, disse.
Gomes ressalta que cada área exige estruturas específicas, desde regulação até tecnologia.
“Não é a mesma condição desenvolver um medicamento e um cosmético. Tem outras regulações, outro perfil de pessoas e outras tecnologias necessárias”, afirmou.
Ele também alerta para a importância de conectar inovação com o mercado.
“Pode ser que eu tenha alta prontidão tecnológica, mas não tenha mercado. Você precisa entender a demanda, a logística e os compradores”, explicou.
Por fim, Gomes defende que o desenvolvimento deve ser guiado por objetivos claros. “Não adianta montar um parque tecnológico para a vida. ‘Para a vida’ não diz nada. É para alguma coisa especificamente”, concluiu.
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