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Ambulantes de Belém têm queda de 90% nas vendas desde o início da pandemia

Os trabalhadores afirmam que o momento ainda é de instabilidade

Abilio Dantas

O comércio online e o aumento do desemprego em razão da pandemia afetaram diretamente as vendas dos comerciantes ambulantes em Belém. A Associação dos Ambulantes do Centro Comercial de Belém (AACCB), localizada na rua Conselheiro João Alfredo, no bairro da Campina, afirma que no início da pandemia, no ano passado, a queda nas vendas foi contabilizada em 90% em comparação com o movimento antes da crise sanitária.

Com o início da distribuição do auxílio emergencial do governo federal, em R$ 600, o cenário melhorou, causando o impulsionamento das vendas a patamares até melhores que em 2019. Mas voltou a atingir em 2021 o mesmo nível preocupante de março de 2020. A categoria afirma que o momento ainda é de instabilidade.

O presidente da AACCB, o comerciante Máximo Moreira, informa que a entidade possui atualmente 1.320 associados. No entanto, 50% do total deixou de contribuir com a taxa mensal simbólica de apenas R$ 10 cobrada para a manutenção da sala da associação e demais despesas.

“Ninguém é obrigado a ser associado para sempre, mas o que vimos é que muita gente deixou de pagar a quantia simbólica e ficou inadimplente. Isso aconteceu porque muita gente está em uma situação muito complicada. Quando digo que, em geral, houve queda de 90% das vendas, estou falando da média, mas há quem tenha ficado no zero mesmo, sem conseguir vender nada”, declara.

Para Moreira, os piores momentos ocorreram durante os regimes de lockdown, mas o contexto de recessão é formado por uma série de razões. “Houve o aumento do comércio via internet, o aumento do desemprego, que já atingiu 14 milhões de brasileiros, e também a chegada de outras pessoas ao mercado informal, gente que é funcionária pública e resolveu vir para a rua para completar a renda. Então a concorrência aumentou para quem é só autônomo e depende apenas das vendas na rua para viver”, diz o dirigente.

O Dia das Mães, que normalmente movimenta o comércio durante toda a semana que antecede o domingo do almoço tradicional das famílias, neste ano atraiu clientes para os ambulantes apenas no sábado. “É impressionante, porque o Dia das Mães sempre foi uma das melhores datas para vendas na área comercial. Antes, desde segunda-feira as lojas ficavam lotadas. Agora foi bem fraco”, ressalta.

 O comerciante Charles Pimentel afirma que suas vendas caíram 50% desde a chegada da covid-19. “Como na pandemia o lazer da população é afetado, as pessoas deixam de comprar roupas da mesma forma como antes, já que as festas também foram diminuídas. Não tem sentido as pessoas comprarem roupas para ficar em casa ou aguardar as coisas melhorarem. Caiu muito (o movimento), tanto para os ambulantes quanto para os lojistas”, observa.

A segunda onda da pandemia na Região Metropolitana de Belém (RMB), nos primeiros meses deste ano, para Pimentel, representou queda na renda da categoria ainda pior que em 2020.

“Nós não tivemos auxílio quase nenhum no segundo ‘pique’. Somos 1.500 trabalhadores no centro comercial, mas recebemos apenas 200 cestas básicas dos governos estadual e municipal, o que significa que muita gente pode ter tido sérias dificuldades. Tem muita gente ‘quebrada’ aqui na João Alfredo. Alguns foram para o comércio eletrônico, para tentar aproveitar essa onda para vender por delivery, mas não são nem 10%. A maioria dos ambulantes possuem nível baixo de escolaridade e por isso não são familiarizados com o mundo digital. Seria uma boa ideia que o poder público fizesse uma capacitação para proporcionar essa inclusão”, sugere.

Economia
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