Aluguel cai em novembro, mas preço não impacta consumidor

Publicitário que mora de aluguel diz que está tentando se mudar, mas os valores são inacessíveis

Elisa Vaz

Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que o principal índice utilizado para reajustes de contratos de aluguel, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), registrou queda de 0,56% em novembro, após retração de 0,97% em outubro. Pela mediana da pesquisa Projeções Broadcast com o mercado financeiro, que estimava recuo de 0,34%, a queda foi maior. Mesmo assim, é possível que não sejam sentidos menores preços no mercado.

Corretor, Edmilson Moraes diz que não houve tanta mudança positiva para quem aluga apartamentos ou para quem trabalha no setor. "Sempre calculamos o acúmulo do ano para incorporar no aluguel, então foi muito pequena essa redução para um acúmulo que está muito alto, em uma média de 9%, 10%, às vezes mais que isso, esse total traz uma expectativa muito negativa", avalia. Além disso, o trabalhador afirma que o IGP-M não tem sido usado todas as vezes e o que prevalece é o acordo entre locador e locatário como base para o reajuste.

Os preços do mercado, segundo o corretor, têm variado muito. Como muitos proprietários não conseguem alugar seus imóveis, o valor acaba mudando para atrair inquilinos. "Pessoas que alugavam um imóvel antigamente tiveram que fazer uma redução desse valor porque não estava tendo resultado em fixar os valores. O cliente está vendo que já está lá a placa durante três meses sendo anunciado, quatro meses e não está conseguindo alugar. Isso acontece devido à toda a situação do mercado, à economia e ao bolso de cada um".

Justamente por conta disso, houve uma queda no índice de apartamentos e residências alugados ultimamente, diz o corretor. Edmilson destaca que os imóveis não estão sendo emplacados, o que leva à redução do número de investidores querendo comprar terrenos e construir moradias, de acordo com ele.

"Houve uma queda muito considerável em relação a isso, devido à condição financeira de cada pessoa. O desemprego está muito grande e as pessoas não conseguem sustentar esse aluguel. Está alugando muito espaço pequenininho, de R$ 400 ou R$ 500; a pessoa se aperta em um cômodo de dois compartimentos, mas que ela tem condições de pagar. Então, o aluguel não tem emplacado muito como se achava que fosse emplacar neste ano de 2022". Para 2023, ele tem expectativa de melhoria deste cenário.

Inquilino

O publicitário Rodrigo Macedo, de 28 anos, mora de aluguel há dois anos e enfrentou baixos percentuais de reajustes de preço até agora. Ele acha o valor que paga no aluguel hoje excelente para a localização e pelo tamanho do imóvel, mas tem pensado em se mudar por uma questão de comodidade - quer morar mais próximo ao trabalho para gastar menos dinheiro com transporte.

"O apartamento atual tem uma localização ótima e espaço também, o problema é que não é tão próximo do meu trabalho, então eu acabo gastando um pouco mais com aplicativos de mobilidade", conta. Mas, como seu trabalho está localizado no bairro do Umarizal, meses de pesquisa ainda não foram suficientes para que Rodrigo encontre um local que possa pagar. "Para morar em um apartamento bom aqui tem que ser dividido com muita gente ou você precisa de muito dinheiro", relata. Na opinião dele, os valores do bairro são "absurdos", muito acima do que paga hoje. O publicitário tem pensado em dividir com alguém ou permanecer no atual por enquanto.

A reportagem tentou contato com o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Pará e Amapá (Creci-PA/AP), mas não obteve retorno.

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Economia
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