Show celebra 141 anos do Theatro da Paz e 114 de Waldemar Henrique

Artistas paraenses vão cantar 16 músicas do maestro que foi diretor da casa de espetáculos

Enize Vidigal

Nesta sexta-feira, 15, o Theatro da Paz, templo consagrado da cultura paraense, chega aos 141 anos de fundação. Construído durante o Ciclo da Borracha para atender a elite que demandava um teatro de grande porte para receber espetáculos líricos, o Da Paz foi inaugurado em 25 de fevereiro de 1978. E junto com o magnífico teatro, celebra-se também a inseparável memória do Maestro Waldemar Henrique, que dirigiu o Da Paz entre os anos de 1966 e 1980.

O artista, nascido em 15 de fevereiro de 1905, em Belém, se estivesse vivo, completaria 114 anos na mesma data de aniversário do templo que o acolheu, na arte e no serviço público. A data comemorativa é celebrada com o show "Da Paz, de Todos os Cantos!", no qual cantores paraenses interpretam 16 músicas do inesquecível maestro, às 20 horas.

No palco vão estar Andréa Pinheiro, Lucinnha Bastos, Alba Maria, Gigi Furtado, Léo Menezes,  Dione Colares, Joelma Kláudia, Madalena Aliverte, Idaias Souto, Antônio Wilson, Jade Guilhon, Eduardo Nascimento, Elias Hage, Milton Monte, André Leemax e o Coro Carlos Gomes. Eles serão acompanhados pelos músicos Edgar Matos, Ana Maria Adade, Augusto Meireles, Pardal e Trio Manari.

O show é promovido pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult), com produção de Nandressa Nuñez, colaboração da diretora técnica da Fundação Carlos Gomes, Jena Vieira, e direção geral de Daniel Araújo.

"Vou cantar 'Coco Peneruê'. Já cantei várias músicas do Waldemar Henrique, mas essa ainda não. Foi um convite irrecusável. Toda a vez que me chamam para pisar no palco do Theatro da Paz, eu não penso duas vezes", declara Gigi Furtado. "A música é ritmada, mais voltada para a dança do que para contar uma história. O Waldemar se voltava muito para as coisas da terra dele, ele engrandeceu a terra dele", acrescenta.

Já Lucinnha Bastos antecipa que vai cantar "Uirapuru" com o mesmo arranjo do DVD solo "Minha Aldeia" (2007). "Ele marcou a minha carreira, sempre cantei as músicas dele. Eu o conheci ainda criança. Comecei a cantar aos sete anos e, quando estava com cerca de 10 anos, a minha mãe me levou com o maestro para tratar de um projeto musical do Theatro da Paz. Não lembro o teor da conversa, mas lembro bem dos óculos dele, de lentes grossas, que faziam parecer que ele tinha olhos pequenos", recorda.

Waldemar Henrique completaria 114 anos se estivesse vivo (Arquivo/O Liberal)

Falecido em 26 de março de 1996, Waldemar Henrique tinha no Theatro da Paz a segunda casa dele. Chegou a morar um ano em um camarim do estabelecimento e, mesmo aposentado, manteve residência às proximidades, na Avenida Presidente Vargas, conforme narra o herdeiro da obra do artista, Sebastião Godinho. "Ele é o mais importante autor do tema amazônico na música popular brasileira. É o maior compositor paraense de todos os tempos".

A carreira do maestro foi iniciada nos Anos 30, quando mudou-se para o Rio de Janeiro e, de lá, realizou várias apresentações em países da Europa e América Latina e também nos Estados Unidos. Voltou à terra natal em 1966 para dirigir o Da Paz a convite do governador Alacid Nunes, substituindo o radialista e cronista Edgar Proença. O teatro estava fechado e Waldemar conduziu a recuperação e reabertura do espaço, resgatando o esplendor do passado.

Visitas guiadas

Ainda na programação comemorativa ao aniversário do Da Paz é realizado o projeto "Portas Abertas", que durante uma semana vai receber gratuitamente o público em visitas guiadas, sem a necessidade de agendamento. As visitas iniciam nesta sexta e vão até o dia 22, nos horários de 9h, 10h, 11h, 12h e 14h, 15h, 16h e 17h; sendo aos sábados às 9h, 10h, 11h e 12h; e aos domingos, às 09h, 10h e 11h.

Os bilhetes de entrada deverão ser retirados no dia escolhido para a visitação, no hall de entrada da Bilheteria do Theatro da Paz. Cada visita guiada atenderá até 80 visitantes.

O Theatro da Paz é uma edificação magnífica de acústica, decoração e arquitetura invejáveis. O projeto do engenheiro militar José Tiburcio de Magalhães, contratado da Província do Pará, se inspirava no Teatro Scalla de Milão, da Itália. Possui 900 lugares, lustres de cristal, obras de arte, elementos decorativos folhados a ouro, entre outros. A frontaria de neoclássico italiano apresenta sete colunas e seis entradas. A fachada traz também medalhões de musas e o brasão do estado do Pará. 

A sala de espetáculos possui cadeiras de palha da época, frisas e camarotes com pinturas florais nas paredes, balaustrada em ferro inglês folheado a ouro. No teto, pintura em afresco retratando os deuses greco-romanos Apolo e Afrodite e as musas das artes e, no centro, lustre em bronze americano.

O pano de boca (cortina do palco) pintado na França com o tema “Alegoria à República“ foi inaugurado em 1890. O hall de entrada apresenta ferro fundido inglês nos arcos das portas, escadaria em mármore italiano, lustre francês, bustos em mármore de carrara de José de Alencar e Gonçalves Dias; estátuas em bronze francês; piso com pedras portuguesas; paredes e teto pintados com artes gregas. O salão nobre (foyer) é decorado com espelhos e lustres em cristal francês e bustos em mármore de carrara de Carlos Gomes e Henrique Gurjão. 

Serviço:
Show "Da Paz, de Todos os Cantos!"

Data: Sexta-feira, 15, às 20h
Local: Theatro da Paz
Ingressos a R$ 2,00 na bilheteria 

Visitas monitoradas do projeto Portas Abertas

Dias: de 15/02 a 22/02
Horários: durante a semana no período de 9h às 17h; sábado de 9h às 12h; e domingo de 9h às 11h.

Cultura