Sandro-k: Canal registra a fúria do rock made in Pará
Pesquisador e músico paraense oferta há 9 anos ao público acesso a álbuns de 151 bandas paraenses nos diversos estilos, funcionando como uma ‘Netflix do rock paraense’
Quando era bem jovem, ainda um colegial, Sandro Ribeiro, então com 13 anos de idade, começou a ouvir rock. Gostou, e gostou muito. Nascia aí uma paixão que já dura décadas, e isso é muito bom para quem, como Sandro, agora com 54 anos, gosta desse gênero musical. Sandro virou Sandro-k, músico e pesquisador de música, especificamente de bandas de rock. Ele organizou o Canal Sandro-k no YouTube, em que o público tem acesso gratuito a álbuns de 151 bandas paraenses de rock. Todo esse material sonoro contribui em muito para manter viva a cultura dessa música e comportamento questionadores das relações de poder na sociedade em escala mundial.
Ainda jovem, Sandro teve acesso a discos e fitas cassete de bandas de punk rock e se aproximou de cantores e músicos dos grupos em Belém. Não deu outra: aos 15 anos, ele ingressou de cabeça nesse movimento cultural. Em seguida, passou a fazer parte da Baby Loyds, lendária banda de punk em Belém. Com o tempo e o know-how adquirido nessa estrada, Sandro começou a produzir shows de rock (de bandas locais e de outros estados), e o próximo passo foi criar o selo Lokaos, responsável pelo lançamento de muitos grupos do underground do Brasil. Em seguida, surgiu o Canal Sandro-k. Confira o canal aqui.
“A ideia mesmo do Canal Sandro-k é deixar registrado para todos conhecerem o que já foi feito na cena local, e muitos desses registros não chegaram a ser feitos na era digital. Como eu tenho muitas demos, resolvi deixá-las disponíveis para servir até de estudo e as pessoas poderem admirar as obras que foram feitas em nossa cidade”, conta Sandro.
O público encontra nesse canal de músicas demo-tapes de muitas bandas que não chegaram a lançar material oficial, e tem material lançado em CDs oficiais; bastidores de eventos produzidos pela produtora extinta que Sandro tinha, chamada Abunai Produções; gravações ao vivo e alguns videoclipes que ficaram esquecidos. “O canal é voltado para bandas estilo punk, hardcore, metal e pop rock”.
Sandro-k relata que esse canal de música é mais voltado para bandas. “A maioria do material postado são os CDs físicos que tenho em casa e alguns foram material doado pelas próprias bandas que estava guardado em HD”, detalha o produtor musical. “ Tem 151 bandas registradas no canal, a maioria com seu trabalho próprio e algumas bandas em coletâneas”, acrescenta.
Ele lembra quando colocou em funcionamento o canal. “Eu comecei no dia 28 de novembro de 2017, está fazendo 9 anos. O canal deixa o registro do que foi feito na cena do rock no Pará. Quem me dera tivesse patrocínio para eu comprar todo dia sorvete de flocos”, ironiza o pesquisador.
É interessante o modo pelo qual Sandro-k alimenta o canal de música. “Um belo dia, fazendo uma limpeza, vi meus materiais das bandas locais, já fora de catálogo, e estavam apenas ao meu alcance. Sempre tive o punk em mim e pensei: ‘Tenho que dividir essas obras feitas’. Aí, fui arquivando apenas trabalhos de amigos músicos, lembrando de histórias e tendo esse material só para mim”.
“Ao longo do tempo, isso foi chamando a atenção do pessoal, ou seja, esse resgate das músicas, do material acessível. Algumas bandas tinham material apenas para si e queriam ver a sua história disponível para que futuras gerações conhecessem o que já foi feito. E assim foi”.
Nas entranhas
O pesquisador, o músico, o produtor musical e o ouvinte de rock convivem sem parar em Sandro-k. “Eu fui baixista da banda punk rock Baby Loyds por 18 anos. Nesse longo tempo, fiz parte também das bandas Desgraça Periférica, banda punk de noisecore; Disritmia, banda punk; Soldado de Emmanuele, banda de punk rock; Descendência, banda hardcore melódico, e toquei apenas dois shows na banda Morte Suicida, de hardcore”.
A cena do rock made in Pará tem toda uma história, que atrai novos admiradores a cada temporada, com novos álbuns, shows e o acervo do Canal Sandro-k. “Na cena aqui, no Pará, é tudo feito na garra e tenho certeza de que a maioria que fez e ainda faz, não se arrepende de nada e faria tudo de novo”, diz Sandro.
Uma das frentes de atuação de Sandro-k em prol do rock paraense e de outros estados é o selo musical Lokaos. “Esse selo foi criado em 2020, durante a pandemia. A ideia mesmo é dar continuidade ao meu antigo selo, Abunai, que também lançava material de bandas locais e de fora do estado. Durante esse tempo, a gente já lançou 30 bandas de várias partes do Brasil. Entre elas, a que mais está tendo destaque é a banda paulista de afropunk Punho de Mahin, que acabou de fechar com a gravadora Deck. Tem o pessoal Paúra, banda clássica do hardcore nacional, o pessoal do Ódio Social, banda punk paulista muito respeitada na Europa, e, claro, temos as bandas paraenses como Sisa, Morfina Punk, Social Hate e a veterana Delinquentes”.
Se depender de Sandro-k, o rock do Pará vai bem, obrigado! Mantém a pegada de revelar a podridão que escorre para os subterrâneos das cidades, vindo das mazelas do poder, em detrimento do sonho de muita gente. “A minha vida toda foi voltada para essa cena. Então, a tendência é só deixar de atuar dessa maneira quando morrer mesmo, porque não sei fazer outra coisa nessa vida punk que levo”, finaliza Sandro-k.
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