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O escritor e cineasta Vicente Cecim se tornou imortal pelo mundo de Andara

Vicente Cecim completaria 76 anos, no último domingo (7)

Bruna Lima

Descobridor de Andara, Vicente Franz Cecim passou parte da sua trajetória como escritor dedicando-se às histórias desse lugar que só conhece quem já leu seus livros. E quem ainda não conhece é um momento oportuno de saber mais do universo do escritor que, no último domingo (7), completaria 76 anos de vida. 

Mesmo sendo um mundo paralelo do escritor, ele sempre deixou claro que Andara é a Amazônia transfigurada poeticamente. Um mundo onde existe a violência, as desigualdades e entre outros acontecimentos comuns da Amazônia, mas sendo de forma figurada. O livro "A asa e a serpente" foi o primeiro livro de Andara. 

Mas antes de inaugurar esse lugar na literatura, Cecim realizou no início dos anos 70 um ciclo de fimes "KinemAnadara", uma produção caseira, com uma câmera super-8, fazendo um cinema original e poético. Bruno Cecim, filho caçula do escritor, disse durante uma live, que era dessa forma que seu pai agia em tudo que se propunha a produzir.

"Meu pai nasceu em 7 de agosto de 1946, em Belém do Pará, na Amazônia, esse lugar que tanto o inspirou. Ele considerava a Amazônia como sagrado, a floresta sagrada e de onde tirava força para suas inspirações", recorda o filho durante a live na rede social.

Toda essa atmosfera de natureza e contação de histórias que sempre estiverem muito presentes na vida do escritor, foram influenciados pela avó de Bruno, Iara Cecim, que também era escritora. "A minha avó nasceu em Santarém, às margens do rio Tapajós, e esse contato com as lendas e com as coisas mais simples do interior sempre foram interessantes para o meu pai, pois ele tinha por meio da oralidade essa vivência vinda da mãe dele", destaca Bruno Cecim.

O primeiro filme de Vicente foi realizado em 1975, "Matadouro", um filme que debate questão do abate que não era muito discutida na época. "Era um assunto que não se falava e hoje em dia tem um forte debate em cima. E toda essa produção é muito importante porque marca o pioneirismo do cinema na Amazônia e com uma linguagem única", recorda Bruno. 

Depois dos ciclos de filmes, Vicente passou a escrever e os dotes artísticos lhe acompanharam nesse processo, pois as capas de alguns de seus livros foram desenhadas pelo próprio escritor. 

Para Bruno, todas as obras do pai são importantes, mas destaca o “livro invisível”. “O meu pai falava que não era o autor e escritor, ele falava que era o meio para transmitir o que recebia. Por ele, nem assinava nas obras e também não era um escritor que se interessava pela comercialização das obras, ele falava que queria escrever os livros que gostaria de ler. De certa forma, se tornou um escritor marginal por não ser tão conhecido no mundo”, pontua Bruno.

Os personagens de Vicente estão fora dos padrões, em Andara o vento fala, a árvore tem sensações, ou seja, essa mistura de natureza com vivências humanas. Bruno reforça que o momento é oportuno para conhecer mais as histórias de seu pai, inclusive, dá a dica do “Livro invisível” para quem quer começar a saga.

“Andara não é uma coisa fácil, mas depois de tudo o que ocorreu com meu pai eu estou conseguindo entender melhor a obra dele. Tudo ficou mais claro para mim”, diz Bruno.

Vicente Cecim foi agraciado, em 1981, com a Menção Especial no Prêmio Internacional Plural e, em 1988, com duas premiações no Grande Prêmio da Crítica da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). Cecim também foi um dos autores homenageados na 24ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes e esteve presente no pré-lançamento do evento, em dezembro de 2020.

O escritor e cineasta morreu em junho do ano passado vítima da covid-19. Ele estava em meio a um tratamento de câncer. O escritor deixou quatro filhos.

Palavras-chave

Cultura
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