Leila Pinheiro celebra 40 anos de música contando sua história em websérie

"A Construção do Artista" se junta aos quatro álbuns lançados pela intérprete em celebração ao tempo de carreira e nova idade

Lucas Costa

No ano em que completa quatro décadas de música, Leila Pinheiro decidiu quebrar todos os limites e regras do mercado fonográfico, e dar aos seus fãs muitos motivos para celebrar junto a ela. De março para cá, já foram quatro álbuns completos lançados, desde homenagens a compositores e parcerias, até um disco solo. A partir deste sábado (31), a comemoração ganha ainda mais conteúdo, desta vez com a história da artista ao longo destes 40 anos.

Na noite de sábado (31), às 20h, os fãs ganham uma live em que Leila vai comemorar os 60 anos de vida e 40 de música, em seu canal oficial no YouTube. Depois disso, estreia a série “A Construção do Artista”, também no canal.

“Meu querido amigo Nelson Farias, grandioso guitarrista, arranjador, produtor, com quem já gravei o álbum ‘Céu e Mar’ em 2013,  me convidou pra dar um depoimento sobre meus 40 anos de carreira. Antes da pandemia, ele veio ao meu estúdio e gravamos então o que resultou na ‘Construção do artista’[...]. Criamos juntos então um produto bonito e que torço muito para que desperte amplamente o interesse de todos. Fui muito além da música. Dei um depoimento sobre a minha carreira e a minha vida, minhas escolhas, caminhos enfim”, conta Leila sobre a série, dividida em 17 episódios.

Na produção, Leila resgata a história de seu primeiro show, “Sinal de Partida”, no palco do Theatro da Paz, em 1980. A apresentação se tornou quase que literalmente um ponto de partida, já que poucos meses depois Leila estaria morando no Rio de Janeiro para viver da música. 

Quatro décadas depois, Leila conta os principais momentos que viveu durante essa trajetória, que a consolidou como uma das cantoras mais importantes da música brasileira. Ela relembra quando ouviu o “até quando você vai insistir nessa ideia de ser médica?” – a pergunta certeira de Guilherme Coutinho, grande amigo, pianista, que também dava aulas de piano para Leila; o empurrão que ela precisava para trancar a faculdade de Medicina e encarar a música como profissão.

Desde lá, muita coisa ocorreu ao longo do caminho, e a websérie revela desde a mudança para o Rio de Janeiro, e a solidão que veio com a viagem naquele momento, passando pelas primeiras experiências em estúdio, o estágio na manutenção da Som Livre, o vinil independente produzido por Raymundo Bittencourt com a presença de convidados ilustríssimos como Tom Jobim, Ivan Lins, João Donato, Francis Hime e Toninho Horta, além da estreia no Festival dos Festivais, no Maracanãzinho, cantando “Verde” para mais de 20 mil pessoas.

Leila e o Pará

Tendo deixado Belém tão cedo para seguir a carreira na música, Leila diz que o Pará segue dentro dela, como inspiração e ponto de referência. “Sou paraense com muito orgulho. Minhas raízes, minha formação, a pessoa que sou se formou nos 20 anos em que morei com minha família em Belém. Sou do Mosqueiro, do açaí, da tapioquinha na Vila, do bacuri, do cupuaçu, devota de Nossa Senhora de Nazaré… isso tudo segue impregnado em mim e na minha música, gravando e cantando ou não os compositores paraenses. Em 2011 gravei o álbum ‘Raiz’, todo com autores da minha terra. Experiência rica e inesquecível”, diz.

Ainda sobre o estado, conhecido pela efervescência musical, Leila pontua a importância dentro de um cenário nacional, e aproveita para fazer um pedido.

“A produção artística paraense, a cena musical paraense é das mais fortes e diferenciadas, reverenciadas e significativas da música brasileira já há alguns bons anos. Isso me orgulha muito. Não consigo seguir muito de perto o que acontece, porque a vida é essa roda-viva grande, mas dentro do que posso, tomo pé e participo. Aproveito para pedir músicas inéditas para os compositores paraenses. Álbum com inéditas está na minha prioridade para 2021”, diz.

Ano musical

Além da série em que remonta quarenta anos de história, Leila celebra o tempo com quatro álbuns lançados, todos com a densidade e relevância típicas da arte da intérprete.

Somente em 2020, Leila lançou: “Vamos partir pro mundo” (Deck), com Antônio Adolfo nas composições, arranjos e piano; “Faz parte do meu show: Cazuza em bossa” (Som Livre), uma leitura bossa nova de canções de Cazuza, feita com o bossanovista Roberto Menescal (guitarra), o ex-Barão Vermelho Rodrigo Santos (baixo), e a própria Leila no piano e voz; e “Cenas de um amor” (Azul Music), em parceria com o grupo instrumental paulista Seis com Casca, no qual trazem para o universo da canção brasileira temas de origem clássica e tratam de maneira clássica canções brasileiras num daqueles trabalhos que derrubam a fronteira entre popular e erudito.

No dia 16 de outubro, Laila entregou ao mundo mais um, e talvez o mais aguardado álbum de sua carreira: “Melhor que seja rara” (Jóia Moderna e Tacacá Music), um disco exclusivamente de piano e voz, com músicas raras ou inéditas escolhidas num diálogo musical íntimo desde 2004 com o produtor, pesquisador e DJ Zé Pedro.

“Por comemorar em 2020 os meus 60 anos de vida e 40 de carreira, já estava nos planos, lançar álbum novo e ampliar forte e fartamente a divulgação da minha música. A pandemia e todos os seus tristes desdobramentos nos impôs uma rotina de reclusão e por eu ter um estúdio de gravação em casa, a maior parte do tempo passo aqui, criando, recriando, retomando projetos gravados há anos e que esperavam a hora (agora) pra ganharem o mundo. Me refiro especialmente a dois destes novos lançamentos: ‘Cenas de Um Amor’, com o grupo Seis com Casca, gravado em 2014, e ‘Melhor Que Seja Rara’, meu primeiro álbum solo – voz e piano - iniciado em 2016”, conta.

Música
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