Samba das Mangueiras celebra a alma de Belém com roda de samba itinerante às segundas-feiras
Arthur Espíndola fala sobre o projeto que transforma pontos turísticos em palco de encontros musicais
Quem pensa que uma boa festa ocorre só no fim de semana ainda não conhece o Samba das Mangueiras. Realizado sempre no primeiro dia útil da semana, nas segundas-feiras, e em um lugar turístico, o evento ganha cada vez mais adeptos interessados em samba.
“Sempre tive vontade de fazer alguma coisa na segunda-feira por várias questões. Belém, há mais ou menos vinte anos, já tinha uma tradição da segunda-feira; por exemplo, ali no Pagode do Pompílio, existia essa tradição de curtir samba. Além disso, havia a questão de ser a folga dos músicos e das pessoas que trabalham em bares, feiras, eventos e restaurantes. Então, me despertou a vontade de fazer um projeto chamado Samba da Folga, mas acabou que eu nunca o fiz. No meio do caminho, eu me aliei ao Paulo Gama e à Gabriela Velloso, que são meus grandes parceiros nesse projeto; a partir dessas propostas, fizemos uma segunda-feira em comemoração ao Dia Nacional do Samba lá no Mercado de São Brás, e deu muito certo”, relembra Arthur Espíndola, um dos idealizadores do projeto.
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Após essa edição especial, o Samba das Mangueiras entrou para a agenda oficial do músico, que expandiu o evento de forma itinerante. Nesta segunda-feira (02), o projeto vai para a sua 10ª edição e ocorre no Porto Futuro II, a partir das 17h com o DJ Lesto e, às 20h, Arthur Espíndola comanda.
Os convidados para cantar não são surpresas, porém, não são conhecidos antecipadamente. A regra é aparecer no samba e cantar. “Está se tornando uma tradição receber muitos convidados, que são justamente os músicos que trabalharam o fim de semana inteiro e agora querem curtir. Aí é aquele negocinho: soldado no quartel quer serviço. Eu vejo o amigo e chamo para cantar! Isso está se tornando um momento muito legal porque traz dinâmica para o evento. Cada artista chega com seu repertório, ou seja, a cada segunda as músicas nunca serão as mesmas; como o pessoal chega para dar canja, vai variando, e isso dá muita dinâmica para o negócio. Cada roda de samba está rendendo uma média de 6 a 10 convidados, que, na verdade, são pessoas que aparecem lá para cantar”, explica Arthur Espíndola.
Ao lado do músico, estão na organização do evento os estabelecimentos Baiuca, Poxto do Chopp, Sushi Boulevard e Café Marcelino; juntos, eles proporcionam para o espaço toda a estrutura e logística que a festa merece.
“Essa vai ser a décima edição, contando desde quando surgiu no Mercado de São Brás e depois foi para a Galeria Wandenkolk. Agora vamos para a segunda edição no Porto Futuro II. A Juliana Sinimbú já mandou mensagem dizendo que vai cantar lá; ela foi em quase todas as edições. Ou seja, ela não é mais uma surpresa. Mas a galera vai chegando e é muito bacana esse clima de surpresa sobre quem será que vai lá cantar. Sempre é uma surpresa e é muito bacana assim”, acrescenta o cantor.
Com quase 30 anos de carreira, Arthur Espíndola iniciou sua trajetória musical aos 12 anos. Ele chegou a tocar em bandas de pagode, reggae, rock, entre outros gêneros musicais da região. Após descobrir o seu talento para composições, resolveu cantar as suas próprias músicas e se entregar ao samba. Além de ser compositor e cantor, Arthur Espíndola atua também como produtor e empreendedor, tirando do papel sempre bons projetos.
“Para esse projeto, a gente quis um nome que representasse muito Belém, o clima e a energia da cidade. A mangueira tem a cara daqui e talvez seja uma das logomarcas de Belém, vamos dizer assim. A gente quer mostrar, com o Samba das Mangueiras, o samba paraense raiz, para que as pessoas possam olhar e dizer que temos a nossa identidade, nossa forma de fazer samba, o nosso clima. E eu acho que a mangueira tem essa energia ancestral, essa força da natureza e, ao mesmo tempo, traz aquela nossa sombra, aquele conforto. A mensagem que a gente quis passar é de que tem um samba com uma energia maravilhosa, energia de floresta e, ao mesmo tempo, te dá tranquilidade. O público pode ir para curtir em paz, com sua sombra e água fresca”, explica.
Para Arthur, outro aspecto importante do projeto é o de reunir as pessoas em um lugar aberto, onde pessoas de todas as idades possam estar à vontade. “Aportamos agora no Porto Futuro 2, mas a ideia é de ser um samba itinerante. Mas, por outro lado, o Porto Futuro 2 tem uma estrutura maravilhosa, que possibilita a gente viver plenamente Belém, curtindo um samba na beira na Baía do Guajará, com conforto, ao pô-do-sol. É um projeto que tem muito a cara do Samba das Mangueiras. Então, aliado ao fato de ser um ponto turístico, fará com que o próprio Samba das Mangueiras também se torne um evento turístico, cultural, da nossa região. É nisso que eu aposto. Eu estou muito feliz com esse projeto, principalmente de poder ter contato com públicos muito diversos, de diferentes idades”, conclui o artista.
Agende-se
10ª edição do projeto Samba das Mangueiras
Local: Porto Futuro II
Data: segunda-feira, 2 de fevereiro
Hora: a partir das 17h
Atrações musicais: a partir das 17h com o DJ Lesto e, às 20h, Arthur Espíndola e convidados
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