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'Meu filho me dá muita força para alcançar meus sonhos', diz Giselle Itiê, agora também diretora

Em entrevista a OLiberal.com, atriz fala sobre novos projetos, maternidade e até o movimento 'Free the nipples'

Lucas Costa

Mãe de Pedro Luna, a atriz Giselle Itiê dá o tom do verdadeiro significado de “igualdade de gênero” em seu novo projeto. Com apoio a todas as mulheres e mães, que precisam de um olhar mais atento da sociedade sobre a divisão de responsabilidades no cuidado do lar e na criação dos filhos, a atriz anuncia o lançamento do clipe cinematográfico “Ocitocina”, baseado na música “Área de Cobertura” de Paulo Carvalho em parceria com Arnaldo Antunes.

Giselle, que já tem carreira consolidada como atriz à frente de inúmeros papéis de sucesso em seus 22 anos de carreira, há algum tempo vem trabalhando também na produção e direção de diversos projetos como: a campanha para o coletivo de ativistas feministas “Ni Una A Menos”; a performance “Soror”, que levantou a bandeira da sororidade no primeiro Prêmio Viva da Revista Marie Claire; e a exposição “Save Amy”, com parceria da produtora Cine. 

Vale ressaltar que recentemente, mais precisamente em 30 de março de 2022, a diretora integrou o time de profissionais da produtora Sicarios, que conta com nomes como Daniel Rezende (Turma da Mônica).

Para a direção de “Ocitocina”, a produção seguiu o estilo indie, ou seja, 100% independente. Giselle buscou algumas alternativas para a realização do filme e, no meio do caminho, apesar de querer estar apenas na direção, optou por atuar e viver a experiência. A ideia ganhou ainda mais força quando decidiu inserir a participação de seu próprio filho Pedro Luna no final do clipe, como um elemento surpresa, destacando que, na narrativa proposta, somente a união entre mãe e filho pode alcançar a ocitocina, mesmo em meio ao “caos” em que muitas mulheres encontram na maternidade.

O videoclipe foi lançado na sexta-feira, no YouTube. Giselle conversou com O Liberal sobre o projeto, maternidade e também projetos futuros. Leia:

O Liberal - Giselle, vamos começar falando desse projeto novo? Me conta como foi contracenar com o filho em "Ocitocina".

Giselle Itiê - Minha intenção era ficar somente atrás da câmera, assim poderia focar a minha energia só na direção, porém por ser um projeto 100% independente, percebemos que seria necessário a minha atuação. Foi um grande desafio, primeira direção, muitas cenas para duas diárias, também atuando, com bebê no set que ainda amamenta. No final deu muito certo. Foi incrível. Fluimos e muito. Agora que vejo o filme pronto, me sinto grata de ter tantas imagens lindas com o Pedro Luna. Acredito que, futuramente, ele vai gostar de ter essa recordação da gente.

Giselle amamentando no set de filmagem (Licia Astoyeg/Divulgação)

O.L - Me conta de onde vem as suas referências para essa produção e como foi vê-la tomando forma. Porque escolheu dar um nome ao videoclipe que não o da canção? 

G.I - Minhas referências vieram de sensações e a vontade de passar uma mensagem mais profunda. A arte do clipe, queria muito que fosse vintage, já que o tema da sobrecarga feminina caminha com a gente desde sempre. No caso do figurino, além de ser vintage também, senti a necessidade de levantar o movimento “Free the Nipple”, já que é uma bandeira que fala sobre a liberdade e a não objetificação dos corpos femininos. Inclusive na amamentação. Quando escrevi o roteiro eu me entreguei muito na letra da música. Como se um filho estivesse cantando para a mãe, no caso o Pedro Luna para mim. É importante ressaltar como a relação entre mãe e filho é sim extremamente forte e inundada de “ocitocina”. Mas, infelizmente, fomos educados em colocar toda, ou quase toda, responsabilidade dos filhos em cima das mães. E isso não é saudável para ninguém. A gente precisa de um tempo para o autocuidado. Acredito que ter como tema o hormônio do amor “ocitocina” fala mais da relação entre mãe e filho.

O.L - Você acha que a maternidade tem estimulado um movimento de descoberta na profissão? Como tem sido experimentar a posição atrás das câmeras também? 

G.I - Esse é um sonho que eu tenho já faz tempo. Já tinha experimentado, dirigindo performances e pílulas para “Ni Una a Menos”. Estar mergulhada nesta maternidade me fez querer falar sobre, sem romantizar. E com certeza meu filho me dá muita força para alcançar meus sonhos. Dirigir esse clipe foi muito potente. 

O.L - Nesse projeto você estimula um debate sobre igualdade dentro do lar. De onde vem a vontade de falar sobre o assunto? 

G.I - Vem da exaustão que nós mulheres sentimos em sempre sermos responsáveis por qualquer tipo de cuidado dentro da casa. No qual, com a pandemia, a sobrecarga multiplicou. 

O.L - Voltando para a produção, faz alguns anos que é questionada essa falta de mulheres em posições do audiovisual além da atuação. Para onde você acha que esse debate deve caminhar agora? 

G.I - Cada vez mais o mercado está valorizando as mulheres neste meio. E é muito importante para a sociedade ter mulheres dirigindo, escrevendo, fotografando, editando. É por isso que neste clipe toda a equipe é encabeçada por mulheres.

O.L - Me fala sobre a Sicarios, produtora da qual você faz parte agora. Já vem desenvolvendo novos projetos? O que podemos esperar da Giselle diretora no futuro? 

G.I - Me sinto honrada em fazer parte da Sicarios. Já estamos com alguns projetos em andamento. Como diretora, pretendo levantar temas importantes para estimular uma reeducação na nossa sociedade.

O.L - Sobre a carreira de atriz, você está em “Homem do Baú”, série de Disney+ sobre um ícone da TV brasileira, o Silvio Santos. Como foi participar desse projeto? 

G.I - Foi delicioso fazer esta série. Me diverti muito em fazer a personagem. Realmente, foi muito prazeroso. Ansiosa para assistir.

Giselle e o Free The Nipple (Licia Astoyeg/Divulgação)

O.L - Além da série sobre o Silvio, você também estará em “Compro Likes” e “Biscoito da Fortuna”. Esses projetos falam sobre o que? 

G.I - “Compro Likes” fala sobre até onde as pessoas vão para alcançar a fama nas redes sociais. “Biscoito da Fortuna” levanta o quanto é importante a gente acreditar mais no que a gente sente.

O.L - Giselle, me fala como você lida com a internet. Em seu período na Record as pessoas costumavam fazer piadas com sua carreira. Como você lida com os haters? 

G.I - Na maioria das vezes eu bloqueio haters. Já temos muito para se preocupar nesta vida.

O.L - Para finalizar, me fale de como você vê um horizonte para as artes no futuro. Depois de realizar um trabalho independente e investir na carreira de diretora, isso num país onde a cultura não vem sendo priorizada. Você acredita que trabalhar com arte deve ficar mais fácil?

G.I - Estamos com o mercado super aquecido graças aos streamings que estão investindo no Brasil. O teatro também está voltando.

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